02/03/2026
O calendário muda.
Os dias passam.
Os meses viram.
O ano avança.
Mas as mudanças mais significativas raramente acompanham esse ritmo: as transformações sobre quem somos, sobre o outro, sobre as nossas relações muitas vezes não se reorganizam na mesma velocidade.
Acompanho muitas pessoas que desejam “mudar de fase”, mas continuam reagindo a partir das mesmas feridas. Como se o corpo ainda estivesse preso a antigas experiências de insegurança, perda ou imprevisibilidade.
A verdade é que não mudamos a partir de uma decisão. Mudamos quando vivenciamos experiências seguras o suficiente para revisar aquilo que aprendemos sobre vínculo, sobre confiança. Quando nos sentimos mais seguras no passo, no espaço, no compasso da vida.
Sem novas experiências emocionais, o calendário vira, mas o padrão permanece.
Quando não há espaço para elaborar o que foi rompido, o que foi frustrado, o que não aconteceu como imaginávamos, algo em nós permanece suspenso.
Não é o calendário que reorganiza o mundo interno. É a possibilidade de dar sentido ao vivido. A possibilidade de viver em companhia.
Talvez a pergunta não seja quando mudar. Mas, como sustentar os processos que tornam a mudança viável?
Com carinho,
Pat.
Patricia Barrachina Camps
Psicóloga | CRP 06/63876