01/12/2025
Você também sente isso conforme vai se aproximando o próximo ano?
Mudanças costumam carregar uma dose de ambivalência.
Queremos o novo, mas tememos o que ele pode levar embora, por mais desejado que seja, ele nos coloca diante do desconhecido, e o desconhecido desperta o medo que tenta nos proteger.
Queremos mudar, mas também queremos preservar o que conhecemos.
Buscamos movimento, mas ansiamos por estabilidade. Essa tensão é humana, é o fio entre o desejo de expansão e a necessidade de segurança.
Na teoria do apego, sabemos que o ser humano busca, ao mesmo tempo, explorar e se vincular. É um movimento duplo: a curiosidade que nos leva ao mundo e a necessidade de um porto que nos sustente. E é nesse vai e vem entre autonomia e segurança que o amadurecimento acontece.
Por isso, mudar não é só sobre metas, recomeços ou novas versões de si.
É, antes de tudo, um processo de separação e reconstrução de vínculos: com o que fomos, com o que deixamos e com o que ainda estamos aprendendo a ser.
A cada virada de ano, esse conflito se intensif**a.
O calendário muda, mas dentro de nós, o tempo é outro,
mais lento, mais humano, feito de idas e voltas.
É por isso que, na virada do ano, tantas promessas nascem com entusiasmo e morrem no silêncio dos dias seguintes. Porque mudar não é apenas desejar o novo, é sustentar o vazio que surge entre o que ficou e o que ainda não chegou.
Entre o que ficou e o que vem, o que ainda pede presença?
Com carinho,
Pat.
Patricia Barrachina Camps
Psicóloga | CRP: 06/63876