13/11/2025
Há um lugar silencioso dentro de cada mulher — um território sagrado que a vida moderna tenta invadir todos os dias.
Lá habitam os cansaços que ninguém vê, os questionamentos que não cabem em conversas rápidas, as lágrimas que descem em silêncio depois de um dia de força disfarçada.
Vivemos um tempo confuso.
De um lado, dizem que devemos ser livres.
De outro, nos punem por exercer essa liberdade.
Se falamos, somos julgadas.
Se calamos, somos invisíveis.
Se amamos demais, somos intensas.
Se nos recolhemos, somos frias.
Nada basta.
Nada serve.
É como se a mulher fosse, em si mesma, um problema sem solução.
Como se o simples ato de existir no feminino fosse uma equação que o mundo ainda não aprendeu a resolver.
E nesse desencontro, a saúde mental feminina tem sido testada como nunca.
Tentamos caber em papéis, expectativas, moldes — e cada vez que nos apertamos para caber, perdemos um pouco do que somos.
Mas há um ponto de virada: a individuação.
Quando a mulher para de tentar agradar, justificar, provar, e começa a se ouvir.
Quando entende que o que os outros chamam de orgulho, é apenas discernimento.
O que chamam de frieza, é apenas sabedoria adquirida pela dor.
O que chamam de solidão, é apenas o silêncio de quem escolheu estar inteira.
A individuação é o resgate da alma feminina.
É o movimento de voltar para casa — para dentro.
É quando a mulher deixa de ser metade para alguém e passa a ser total para si.
E talvez seja disso que o mundo mais precise agora:
de mulheres que sabem quem são, que não se distraem com o que se espera delas,
mas se comprometem com o que elas esperam de si mesmas.
Porque toda mulher que se reencontra ilumina o caminho de outra.
E juntas, criamos uma nova cartografia do feminino — onde ser forte e ser sensível não são opostos, são complementos.
Onde cuidar de si é um ato político.
E onde amar, antes de tudo, é lembrar: eu existo.
Que o nosso norte seja o retorno para nós mesmas.
Com lucidez, com amor e com alma.