03/08/2022
A situação Psicanalítica
Um resumo das ideias de Ralph R. Greenson
1 – Quanto ao paciente
“Apenas um paciente fortemente motivado será capaz de trabalhar com entusiasmo e perseverança na situação analítica. Os sintomas neuróticos ou traços de caráter divergentes podem provocar sofrimento suficiente para induzir o paciente a suportar as durezas do tratamento psicanalítico. A curiosidade e o desejo de entender tëm que ser complementados pela miséria neurótica se o paciente quiser ter algo mais que uma experiência psicanalítica superficial. Ele deve estar disposto a tolerar o desespero de revelar suas experiências íntimas repletas de culpa e de ansiedade.
O que torna a terapia psicanalítica tão exigente em relação ao paciente é que os procedimentos e processos da psicanálise exigem dele, paciente, a capacidade para desempenhar inúmeros pares e funções do ego antitéticas, de maneira mais ou menos consistente e repetida e também a capacidade de oscilar entre ambas e misturar as duas funções antitéticas. Assim, pede-se ao paciente: (a) para regredir e para progredir, (b) ser passivo e ativo, (c) perder o controle e manter o teste de realidade. Para fazer tudo isso, o paciente analítico deve ter funções do ego flexíveis e elásticas.
2 – Quando ao analista
Para poder praticar a psicanálise terapêutica, o psicanalista deve ser capaz de realizar certos procedimentos técnicos no paciente e nele próprio. (...) O que vai acontecendo dentro de sua própria mente acaba sendo o instrumento mais importante de que dispõe o psicanalista para compreender a mente de outro ser humano.
Exige-se realmente do analista uma inteligência e nível culturais elevados, porém, mais importante ainda, é uma mente inconsciente compreensível e disponível. A exigência para que todos os psicanalistas tenham feito terapia psicanalítica antes de ter permissão de tratar psicanaliticamente um paciente, não visa apenas a dar ao analista uma convicção pessoal da validade dos fatores inconscientes e dessensibilizá-lo nas áreas em que seus próprios problemas poderiam distorcer seu julgamento: o objetivo fundamental da análise pessoal do analista é pôr ao alcance de seu ego consciente os impulsos inconscientes, defesas, fantasias e conflitos importantes da sua própria vida infantil e seus derivados posteriores.
A habilidade do psicanalista resulta dos processos psicológicos que também formam sua personalidade e caráter. Os requisitos essenciais são aptidão, conhecimentos, caráter e motivação. Todos eles estão inter-relacionados e ligados as emoções, impulsos, fantasias, atitudes e valores – conscientes e inconsciente – do psicanalista.”
Greenson, R. R. (1981). A Técnica e a Prática da Psicanálise, Vol. II, PP, 399-406)