Mariana Watanabe Barbosa - Psicóloga Clínica

Mariana Watanabe Barbosa - Psicóloga Clínica Psicóloga clínica, atende nas perspectivas da esquizoanálise e da análise bioenergética. Corp

Esta ideia de laboratório surgiu de um antigo incômodo com a forma como relatamos casos clínicos: "Sr. S, 38 anos, chega...
09/03/2022

Esta ideia de laboratório surgiu de um antigo incômodo com a forma como relatamos casos clínicos: "Sr. S, 38 anos, chega ao consultório porque estava com questões de impotência sexual". Os nossos relatos dizem muito pouco daquilo que acontece numa relação, num entre duas pessoas que se encontram para algo. Seja um desejo de cura. Seja um desejo de investigação de si.

Tenho pensado, desde este incômodo, na construção de um caso clínico como a construção de uma narrativa semi-ficcional. Traz elementos de verdade, mas traz aumentos, inventos. Traz a visão do narrador acerca de uma determinada perspectiva. Traz o que o olhar do narrador capta.

Nesta proposta, a minha ideia é a de que trabalhemos a partir de dois momentos: o primeiro, no qual pensaremos a narrativa de um caso clínico publicado e trabalharemos exercícios de escrita em cima dele. No segundo momento, a criação de uma narrativa em cima de uma cena de um caso que nós mesmos atendemos.

O link para inscrição está na bio. Por lá tem as informações de horários e valores. Caso você seja uma pessoa negra, indígena, trans ou mãe e não possa pagar os valores sugeridos, pode entrar em contato comigo que podemos conversar sobre possibilidades.

[Este workshop é exclusivamente para profissionais psi.]

:)

A clínica é uma prática de perguntas. Muito mais do que uma prática de respostas. Por mais que os memes e os grandes dis...
16/12/2020

A clínica é uma prática de perguntas. Muito mais do que uma prática de respostas. Por mais que os memes e os grandes discursos digam que psicólogos e psicanalistas vão te guiar para qualquer caminho sabe-se lá onde, isto não é uma realidade.

As respostas podem até dar um certo acalanto na angústia. Mas elas encerram. Dão cortes em fluxos. É aquilo e ponto. A vida não é cálculo matemático. Nunca foi. Você pode somar dois com dois e dar qualquer outra coisa que quatro.

Quando uma pergunta é feita, ela traz a humanidade para a clínica: o que acontece em uma vida, ainda que possa ser semelhante a outras vidas já observadas, não é dado, não é igual. A gente pergunta porque isso abre aquilo que pode ser visto como dado.

Uma supervisora me dizia sobre destrinchar o óbvio. Porque não tem nada de óbvio na vida, nem nas composições que fazemos. Aquilo que pode parecer imediatamente óbvio é um mundo inteiro a tatear junto. Entre contradições, repetições, incertezas. Descolamentos identitários. Nada é tão "perfil psicológico" assim. E por isso humano, porque complexo, incoerente e errante.

Uma pergunta é um vento que sopra na deriva.

26/03/2020
Acredito que um dos nossos papéis enquanto analistas que se orientam por certas teorias é o de ocuparmos um lugar crític...
07/06/2019

Acredito que um dos nossos papéis enquanto analistas que se orientam por certas teorias é o de ocuparmos um lugar crítico às próprias teorias de que fazemos uso.

Quando comecei a adentrar alguns espaços relacionados à esquizoanálise era muito comum escutar discursos que partiam do pressuposto de que deveríamos pensar em desfazer as movimentações identitárias. Como se nós, enquanto corpos vivos, fôssemos o "puro devir". Entendo a origem deste discurso: não somos identidades cerradas em si mesmas e não somos estereótipos. Porém, ao mesmo tempo, por muitas vezes isso se confundia com um certo combate a identidades e reconhecimentos históricos.

Dizer algo de si, gastar tempo pensando em si mesmo, trabalhando as suas capacidades sensíveis é um direito garantido a classes privilegiadas. Dizer adeus ao eu é um privilégio.

Assim, se conectar à própria história, resgatar a memória, poder tatear os próprios regimes de sensibilidade pode ser, para alguns, aquilo que sempre foi possível, mas para outros é um exercício de resistência, uma garantia de um direito à própria humanidade a partir do exercício de cultivar a si mesmo.

Existe um cuidado que deve ser feito na transição de uma teoria que carrega uma perspectiva europeizada para uma realidade múltipla, explorada e colonizada como a brasileira.

Se tem gente que pode olhar pras mudanças e variações do eu, tem quem nunca tenha podido sequer entender as durezas, o modo como sente, o processo por onde caminhou a construção da própria vida.

Por isso, estar atento sempre à cartografia que se delineia nos processos terapêuticos que, por vezes, podem soar como trabalhar pela garantia do próprio direito de existir.

O quadro é do Basquiat. Que fala de eus e de corpo, por tantas vezes, em suas obras.

28/05/2019
É muito comum que as pessoas me perguntem porque eu que sempre estive posicionada de modo social e ao lado das minorias ...
27/05/2019

É muito comum que as pessoas me perguntem porque eu que sempre estive posicionada de modo social e ao lado das minorias me disponho a atender pessoas brancas, de classes sociais abastadas e do gênero masculino.

Confesso que algumas coisas acontecem por acaso: meus primeiros clientes em clínica que decidiram permanecer eram homens. Ambos completamente diferentes entre si, desde as composições entre estruturas. E por algum tipo de acaso fui colocada a compor com estas diferenças.

Os pensamentos vieram depois: para além das estruturas, quais as sutilezas que habitam um corpo. Como as estruturas incidem em cada corpo? O que acontece no campo dos afetos, das sutilezas? Como relações potentes entre diferenças se tornam um caminho, inclusive, para afirmar que somos diferentes e podemos coexistir com afetuosidade?

Nas entrelinhas, nos detalhes, nas sutilezas, as estruturas sempre se tornam outra coisa. Se tornam gente tentando existir do jeito que dá e com a história que teve.

E, por isso, em diferença, componho.

Na foto, o Kazuo Ohno, um dos criadores da dança butô. E a sua delicadeza

Nomear um tipo de violência é como poder dizer daquilo que a circunda, das relações de poder que compõem o jogo daquilo ...
09/05/2019

Nomear um tipo de violência é como poder dizer daquilo que a circunda, das relações de poder que compõem o jogo daquilo que a sustenta.

Uma política de Estado que exclui o termo "violência obstétrica" empurra para debaixo do tapete a dor e a vivência de mulheres que tiveram roubadas a sua autonomia da experiência do parto. É calar uma violação produtora de sofrimentos.

Quando calamos, quando não nomeamos, normalizamos. De algum modo, é um movimento que diz que não importa se mulheres são violadas, se sofrem, se tem a potência da experiência do parto aniquilada pelo poder médico, se isso gera marcas. Nada disso importa. No pensamento que sustenta esse tipo de medida, as vidas das mulheres não importam.
Importa o parto rápido, a decisão médica, a imposição.
Uma política aniquiladora da vida.

Penso nas roupas como componentes dos processos de subjetivação. Não à toa. A minha trajetória profissional sempre esbar...
23/04/2019

Penso nas roupas como componentes dos processos de subjetivação. Não à toa. A minha trajetória profissional sempre esbarrou na relação entre os nossos corpos e o mundo que habitamos.

Como propor relações possíveis com as roupas que não sejam de dominação, mas de criação de relações potentes entre corpos e o mundo? Como trazer mais do sujeito, de suas histórias, memórias, desejos de formas para a relação com as roupas?

Na imagem, uma roupa da coleção "Body meets dress, dress meets body", da designer japonesa Rei Kawakubo, dona da , e que nos suscita a pergunta: que vidas e que redes cabem entre um corpo e uma roupa?

Evaldo foi executado com oitenta tiros. A morte do seu corpo negro se junta a um tanto de assassinatos cometidos pelo Es...
09/04/2019

Evaldo foi executado com oitenta tiros. A morte do seu corpo negro se junta a um tanto de assassinatos cometidos pelo Estado brasileiro que vive a se enganar sobre talvez uma pessoa de pele retinta ser suspeita. E há sempre uma justificativa: um engano, uma confusão.

Um engano que se repete há 500 anos e que nos faz lembrar: o genocídio e a desumanização da população negra é um fator constituinte das subjetividades brasileiras.

Um garoto negro quando vê outro garoto negro ser morto entende a mensagem de que isso pode acontecer com ele. E isso produz sofrimento. Um garoto negro que aprende estratégias para sobreviver tendo um alvo no meio de sua testa, sabe que, talvez amanhã as estratégias possam falhar.

Falamos de corpos marcados, de mãos que já se guiam para trás da cabeça no próximo enquadro. Do medo de existir tendo a pele que tem. De ser desumanizado e ter um direito à existência negado.

Ressoa aqui o choro de Luciana, esposa de Evaldo, que teve o seu marido executado pelo estado. Ela diz que perdeu o melhor amigo dela pelas mãos de quem deveria protegê-los.

Corpos negros não estão protegidos. Eles estão com um alvo.

E precisam ser ouvidos. Vivos.



Em semana de julgamento  sobre a criminalização da homofobia, não há como escapar do debate. Daqui, tenho sérias crítica...
15/02/2019

Em semana de julgamento sobre a criminalização da homofobia, não há como escapar do debate.

Daqui, tenho sérias críticas às políticas punitivistas, porém, as entendo enquanto uma ferramenta possível para o contexto social que vivemos. Se somos o país que mais mata LGBTs no mundo, temos que recorrer a algum tipo de recurso que nos faça afirmar que pessoas são mortas pelo simples fato de habitarem o mundo sendo quem são e que isso é inaceitável. É marcar o motivo do crime. É nomear, dizer que é crime de ódio e que, este ódio tem nome.

O que me ocorre, porém, é que este tipo de medida não é o suficiente. LGBTs não são mortos à toa. Este ódio está espalhado por todo o nosso campo social e criminalizar não estanca um modo de subjetivação que é hegemônico. A questão que me toma é: como, no momento histórico que vivemos, criar políticas públicas que incidam justamente no campos social e cultural, de modo a atuar naquilo que sustenta a homofobia há tanto tempo.

A prática da psicologia clínica deve entender-se enquanto política e, portanto, levar em conta esta construção social em seu território de análise. Levar em conta a homofobia enquanto uma prática social que causa sofrimento. E poder fortalecer e afirmar as vidas LGBT para habitarem o mundo como são.

Endereço

Rua Apinajés
São Paulo, SP

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