A Casa Frida

A Casa Frida Formação de grupos de apoio, com o objetivo de ressignificar perdas. Atendimentos clínicos individuais psicanalíticos.

A busca pela felicidade, pelo prazer imediato e pelo consumo exacerbado invade cada vez mais os espaços culturais e sociais. Desse modo, as frustrações, tristezas e sofrimentos, por vezes, ficam em segundo plano - já que nem sempre existe a disponibilidade para compartilhar e ressignificar perdas e dores humanas. Diante desse contexto, espaços de fala e troca de experiências se fazem cada vez mais

necessários. A Casa Frida se apresenta com a proposta de trabalhar clinicamente perdas, lutos e sofrimentos, por meio da formação de grupos específicos e uso de recursos artísticos como mediadores. Além disso, oferece atendimentos clínicos individuais, tendo como norte teórico a psicanálise, oferecendo uma escuta que possibilita elaboração e ressignificação da experiência.

24/03/2026

“O que eu não sei do ovo é o que realmente importa. O que eu não sei do ovo me dá o ovo propriamente dito.”
Clarice Lispector

No próximo encontro do Grupo de Estudos Clarice em Casa, vamos mergulhar no conto “O ovo e a galinha” (1964), apontado pela própria autora como um de seus favoritos — e também como um dos que ela menos entende.

Um texto que desafia a lógica, escapa às explicações fáceis e nos convida a sustentar o enigma.
O ovo como origem da vida? Como ideia anterior à palavra?
Como ponto de fusão entre sujeito e objeto?

Em Clarice, compreender talvez não seja decifrar — mas suportar o mistério.

Venha debater conosco e adentrar nesse enigma clariciano.
26/03 - 20:15 às 21:45 ✨
Link na Bio.

19/03/2026

O filme Hamnet foi recentemente reconhecido no Oscar com o prêmio de Melhor Atriz e reacendeu debates sobre uma das experiências mais devastadoras da condição humana: a perda de um filho.

O luto retratado em Hamnet é aquele que não tem nome.
Não há palavra que designe pais que perdem filhos. Há um vazio na linguagem e é justamente aí que o filme nos toca.

A narrativa nos conduz por uma travessia do luto como experiência do sentir. Do que atravessa o corpo quando faltam palavras. A direção propõe um luto que não se explica, mas se vive. Um luto que é silêncio, ausência, desorganização do tempo.

Ao se tornar partilhado, seja na cena íntima da família, seja no palco do teatro, esse sofrimento encontra uma dimensão social: algo que pode ser visto, sustentado e, pouco a pouco, elaborado. A arte aparece como possibilidade de inscrição simbólica da perda.

É quase impossível assistir a Hamnet sem se emocionar. A dor dos personagens nos atravessa. E a cena final no teatro se revela como um ritual de despedida: um gesto simbólico de amor ao filho perdido, transformando ausência em memória viva.

Esse filme também te atravessou?
O que mais te tocou em Hamnet?

Você já viveu a experiência de um luto que parecia impossível de nomear?

Uma menina de oito anos atravessada pelo adoecimento da mãe. O luto habita a infância no conto Restos de Carnaval.Este e...
17/02/2026

Uma menina de oito anos atravessada pelo adoecimento da mãe. O luto habita a infância no conto Restos de Carnaval.

Este escrito autobiográfico de Clarice nos revela uma verdade psíquica: a experiência de, por algumas horas, vestir uma fantasia e poder ser outra.

Quando a menina se transforma em flor, a dor se suspende e ganha um intervalo.

Neste sentido, a fantasia vira recurso de elaboração e a possibilidade simbólica de transformar sofrimento em imagem, corpo e cor.

Ser “outra que não eu mesma” talvez seja, paradoxalmente, um modo de sobreviver a si.

Porque há momentos em que precisamos sair de nós mesmos para depois poder voltar. É o que o Carnaval, com suas máscaras e fantasias, pode nos ensinar.

Seguimos nos estudos da vida e da obra de Clarice Lispector, abordando seus contos e histórias como verdadeiros tratados de psicanálise.

Por Carla Belintani

Maiores informações no site.

No grupo de estudos Psicanálise e Cultura, coordenado por Sérgio Telles, estamos em contato com o livro “Guerra e Políti...
10/02/2026

No grupo de estudos Psicanálise e Cultura, coordenado por Sérgio Telles, estamos em contato com o livro “Guerra e Política em Psicanálise”, de Joel Birman.

A discussão atravessa a eterna batalha entre Eros e Thânatos — pulsão de vida versus pulsão de morte.
Se a destruição insiste, a pergunta que retorna é: o que pode fazer frente a ela?

Para a psicanálise, a aposta segue sendo o amor — não como ideal ingênuo, mas como força de ligação, criação e resistência.

No último domingo, o Super Bowl, maior evento esportivo dos Estados Unidos, exibiu uma mensagem contundente:
“The only thing more powerful than hate is love.”
(A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor.)

O evento aconteceu imerso em um caldo político tenso, com críticas claras — ainda que não nominais — ao governo Trump. Arte, cultura e entretenimento pop se tornam, assim, meios de mediação dos embates do nosso tempo.

É a música, a imagem e o espetáculo dizendo aquilo que muitas vezes a política não consegue dizer.

E você?
👉 Também acha que o amor pode ser mais forte do que o ódio?

Por Carla Belintani

Sugestão de filme | Valor Sentimental, de Joachim TrierHá filmes que não apenas se assistem — eles nos habitam.Valor Sen...
24/12/2025

Sugestão de filme | Valor Sentimental, de Joachim Trier

Há filmes que não apenas se assistem — eles nos habitam.
Valor Sentimental é um deles.

A obra de Joachim Trier nos conduz por um território delicado, onde luto, memória, vínculos familiares e criação artística se entrelaçam.

A narrativa acompanha a família Borg, marcada por silêncios, ausências e afetos difíceis de nomear. Gustav, cineasta e pai, tenta se reaproximar das filhas e elaborar seu passado por meio da arte, convidando a filha mais velha, Nora, para protagonizar um filme autobiográfico. Essa tentativa inicial é recusada e a aproximação só se torna possível após a travessia de um longo elaboração dos traumas.

A casa como arquivo afetivo:
A casa onde se passa o filme é mais do que um cenário: é um personagem. Um arquivo afetivo familiar que guarda ecos de gerações, conflitos não elaborados, rachaduras visíveis e invisíveis. As paredes sustentam memórias que insistem em retornar. A rachadura estrutural anunciada por Gustav parece falar, simbolicamente, daquilo que não pôde ser simbolizado: o trauma transgeracional que atravessa o tempo e os corpos.

Nora se identifica com a casa desde menina, tentando escutar seus sentimentos quando era habitada, quando estava vazia ou quando algo se quebrava dentro dela — metáfora direta de seus próprios afetos.

Gustav e Nora: espelhos quebrados
Nora, a filha mais velha, é profundamente marcada pelo distanciamento do pai. Há entre eles uma semelhança inquietante: ambos parecem ter dificuldade em sustentar vínculos próximos.

Agnes, a filha mais nova, surge como contraponto à tentativa artística do pai. Busca compreender, elaborar e construir vínculos — casamento, maternidade — apostando na possibilidade de transformação psíquica.

Arte, duplo e reparação:
Ao recriar o passado, inclusive com uma atriz americana interpretando a versão jovem da mãe falecida, o filme trabalha a noção do duplo, borrando as fronteiras entre realidade e ficção. A arte aparece como mediadora da dor: uma tentativa de dar forma ao vivido, ainda que nunca plenamente elaborado.

Encontro de final de ano das Fridas ✨Entre afetos, escutas e partilhas, encerramos mais um ciclo juntas.O luto nos atrav...
19/12/2025

Encontro de final de ano
das Fridas ✨

Entre afetos, escutas e partilhas, encerramos mais um ciclo juntas.

O luto nos atravessa, a arte nos sustenta e a psicanálise nos orienta na busca por formas de elaborar o indizível.

Que venha 2026, com mais vida, mais cores e mais coragem para enfrentar e atravessar os lutos que nos habitam.

Seguimos juntas, de mãos dadas, criando, cuidando e sonhando novos projetos para o próximo ano.

No mês em que celebramos os 105 anos do nascimento de Clarice Lispector, homenageamos uma autora que nos acompanhou inte...
10/12/2025

No mês em que celebramos os 105 anos do nascimento de Clarice Lispector, homenageamos uma autora que nos acompanhou intensamente ao longo do ano e que continuará nos guiando em 2026.

Estar perto da literatura clariciana é um ode à vida, um convite à delicadeza, à escuta interna e às infinitas camadas da existência.

📚✨ Participe conosco do Grupo de Estudos “Clarice em Casa”.

Estamos lendo a biografia de Clarice escrita por Benjamin Moser, além de contos e textos essenciais da autora.

✨ Próximo encontro do grupo de estudos Clarice em Casa ✨No nosso próximo encontro, iremos mergulhar no período em que Cl...
27/11/2025

✨ Próximo encontro do grupo de estudos Clarice em Casa ✨

No nosso próximo encontro, iremos mergulhar no período em que Clarice Lispector escreveu A Maçã no Escuro (1956), durante sua estadia em Washington.
“O livro descreve, com minúcia poética, uma descida à loucura.”

Também vamos explorar a fase em que Clarice conquista novo espaço no cenário literário ao publicar na revista Senhor, ampliando ainda mais sua popularidade.

Em 1959, Clarice se separa de Maury Gurgel, deixa a vida diplomática e retorna ao Brasil, um momento decisivo em sua trajetória.

Como complemento, discutiremos o conto “Mistério em São Cristóvão”.

Participe conosco!

Falar sobre a finitude e as travessias do luto em plena sexta-feira à noite é para os que resistem. E assim se encheu a ...
18/11/2025

Falar sobre a finitude e as travessias do luto em plena sexta-feira à noite é para os que resistem. E assim se encheu a Livraria Ponta de Lança, que recebeu nossa roda de conversa, em uma edição presencial, depois de alguns anos apenas no formato online.

Foi uma noite cheia de vida, daquelas em que o fim pode finalmente ser olhado, nomeado e compartilhado sem pressa.

Tomamos como guia o livro Rebentação, que nos conduziu, através de Nádia, ao encontro com o mar e com as passagens que ele simboliza: o início da vida, o limite, o infinito, o renascer e o morrer.

Um agradecimento especial às convidadas Renata Conde e Xaxa Melman, que atravessaram essa rebentação conosco, trazendo presença, escuta e coragem.

Que alegria de encontro.
Que bom que persistimos e resistimos, em manter essa conversa viva.

Como seria o seu epitáfio?Falar sobre a finitude não precisa ser um tabu. Pensar em nosso último capítulo nos ajuda a vi...
03/11/2025

Como seria o seu epitáfio?

Falar sobre a finitude não precisa ser um tabu. Pensar em nosso último capítulo nos ajuda a viver melhor aqueles que ainda vamos escrever.

A proposta é um encontro gratuito e aberto ao público, com foco em luto e literatura, tendo como ponto de partida o livro Rebentação, da escritora Renata Conde, publicado pela Editora Quelônio.

Participe conosco!

Data: 14 de novembro (sexta-feira)

19h às 20h30

Local: Livraria Ponta de Lança

Rua Aureliano Coutinho, 26

Vila Buarque

Participação especial:

Renata Conde - psicanalista, escritora e autora do livro.

Flávia Melman - atriz, psicóloga e diretora da peça “A última cena”.

Material de apoio disponível em nosso site.

No ensaio “Eu, Bruxa?”, Clarice Lispector recebe um convite misterioso: participar de um congresso de bruxaria em Bogotá...
31/10/2025

No ensaio “Eu, Bruxa?”, Clarice Lispector recebe um convite misterioso: participar de um congresso de bruxaria em Bogotá. Não para lançar feitiços, mas para “olhar e ouvir” a magia que habita a criação, o invisível, o cotidiano, o que pulsa em silêncio.

Clarice nos lembra que a verdadeira magia não está no sobrenatural distante, e sim no instante presente.

Lygia Fagundes Telles teria lhe dito sobre Clarice: “Quando falava, ela era iluminada. Ela era possuída”.

Feiticeira das palavras, ela transforma o ato de escrever em ritual, o gesto de tornar o comum em algo inusitado.

Neste Dia das Bruxas, inspirados por Clarice, convidamos você a mergulhar no indizível e descobrir o feitiço que habita a escrita clariciana.

Porque ser bruxa é, às vezes, apenas estar atenta ao mistério que nos rodeia.

Participe do nosso grupo de estudos sobre a vida e a obra de Clarice Lispector. 🖤

Link na Bio.

Em 1952, Clarice Lispector se muda para Washington com a família. No início de sua estada, recebe a visita de João Cabra...
29/10/2025

Em 1952, Clarice Lispector se muda para Washington com a família. No início de sua estada, recebe a visita de João Cabral de Melo Neto.

Durante um jantar entre diplomatas, a conversa tomou um rumo inesperado: a morte.

Clarice foi até a cozinha e, ao retornar, estava ansiosa para retomar o tema.

Essa inquietude inspiraria, anos depois, o poema “Contam de Clarice Lispector”, escrito por João Cabral logo após sua morte.

Assim como Clarice, a Casa Frida reflete sobre a morte como parte essencial da vida, um mistério que nos lembra da beleza e do valor de estar vivo. 🌹

🗓️ Na próxima quinta-feira, vamos conversar sobre esse episódio no nosso grupo de estudos sobre a vida e obra de Clarice.

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