19/04/2026
⚠️ Coenzima Q10 na gravidez: o que a ciência e a ANVISA dizem
A evidência é frágil: Existe apenas 1 estudo randomizado (Teran, 2009, n=235) sugerindo redução de pré-eclâmpsia com CoQ10 (RR 0,56; IC95% 0,33–0,96).¹ Realizado no Equador, em população com incidência de pré-eclâmpsia de 20% — muito acima da realidade brasileira (3-5%).
🔢 Tamanho importa: com a incidência real de pré-eclâmpsia pré-termo no Brasil (~0,7%), 235 mulheres geram só 1-2 casos — inviável estatisticamente. O estudo ASPRE, que fundamentou o uso da aspirina, randomizou 1.776 gestantes entre 26.941 rastreadas.²˒³
E os estudos em FIV/ICSI? Avaliam qualidade oocitária antes da gravidez, não segurança fetal durante a gestação.⁴ Contextos completamente diferentes.
**ANVISA — IN 28/2018:**⁵ — Anexo IV: CoQ10 = Não Autorizado (NA) para gestantes — Anexo VI: rótulo obrigatório: “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças”
📌 Status inalterado após 12 instruções normativas subsequentes (última: IN 431, de 01/04/2026). Posição regulatória deliberada há quase 8 anos.
Internacional: NIH/NCCIH⁶ e Mayo Clinic⁷ — segurança na gravidez não estabelecida.
🔴 Grávida? Não use CoQ10 sem orientação médica.
Referências:
1. Teran E et al. Int J Gynaecol Obstet. 2009;105(1):43-5. doi:10.1016/j.ijgo.2008.11.033
2. O’Gorman N et al. Am J Obstet Gynecol. 2016;214(1):103.e1-12. doi:10.1016/j.ajog.2015.08.034
3. Rolnik DL et al. N Engl J Med. 2017;377(7):613-22. doi:10.1056/NEJMoa1704559
4. Lin G et al. Ann Med. 2024;56(1):2389469. doi:10.1080/07853890.2024.2389469
5. ANVISA. IN nº 28/2018 (vigente após IN 76/2020, 102/2021, 275, 284, 304, 318/2024, 336/2024, 361, 373, 418/2025 e 431/2026). DOU 27/07/2018;1:141.
6. NIH/NCCIH. Coenzyme Q10. 2025.
7. Mayo Clinic. Coenzyme Q10. 2025.
Prof Dr Alan Hatanaka
CRM 100513 | RQE 51.384-1