20/05/2017
O dia em que me tornei funcionário público
Publicado em 15 de maio de 2017
“Até que me seja enfim revelado que a vida em mim não tem o meu nome.” Clarice Lispector
Aconteceu às 23h40 do dia 24 de dezembro. Foi quando me tornei funcionário público. Ou servidor público, como prefiro chamar. Certamente um dia, ou melhor, noite, suspeita. Quando quase tudo fecha no país por causa do Natal, eu me tornava servidor público. Vou explicar como. Na realidade foi um processo um pouco lento. Demorou quase 52 anos. Não é que eu fiquei todo este tempo fazendo cursinho e prestando concurso público. De fato, nunca prestei concurso algum. Tampouco fui indicado para qualquer cargo público por terceiros. Me tornei servidor público no dia em que o propósito encontrou a semântica.
O Propósito foi se revelando aos poucos, como em um muro velho que ao perder a tinta através dos anos, revela um precioso afresco. Era muito difícil saber para o que vim. Mas não tão difícil ir excluindo para o que não vim. E assim foram caindo os sonhos de riqueza e poder que a realidade insistia em me negar. Foram caindo as ilusões de fama e gloria, de redentor de um mundo perdido, de justiceiro de todas as injustiças: daquelas que já foram, das que estavam por lá e até daquelas que nem haviam chegado. E fui ficando vazio, pequeno e pelado como um cachorrinho de madame que voltou do petshop mudo e tosado em demasia. E quando nada mais restava, restou o Amor. E era só isso que eu tinha para dar e assim me tornei um servidor.
A Semântica veio depois. Veio com o pensamento. E este sempre chega depois (mas acha que chegou antes). Servir a quem? Dar Amor a quem? A todos que queiram. E dando Amor para quem quiser receber me tornei um servidor público. E meu amor flui através das mãos, nas massagens que faço, na energia que transmito através do Reiki e do desejo sincero de ver o outro bem.
Compreendo que mais cedo ou mais tarde, cada ser humano será um servidor público. É o nosso destino.
Extraído do meu blog (jornadadaalma)