25/05/2026
Durante muitos anos, o HPV foi discutido quase exclusivamente sob a perspectiva feminina — especialmente relacionado ao colo do útero e ao câncer cervical.
Mas essa visão ficou incompleta.
No meu doutorado, ainda no início dos anos 2000, investiguei uma pergunta importante:
o HPV é uma infecção individual… ou compartilhada pelo casal?
Os resultados já mostravam algo muito claro:
• cerca de metade dos parceiros de mulheres com lesões cervicais apresentavam HPV detectável
• e muitos casais compartilhavam o mesmo subtipo viral
Ou seja: o HPV já se mostrava uma infecção do casal.
Anos depois, grandes estudos internacionais reforçaram essa compreensão. O estudo HIM, publicado no The Lancet, mostrou que:
• a infecção por HPV em homens é extremamente comum
• pode persistir por muitos meses
• e a transmissão continua ocorrendo dentro das relações
E aqui existe um ponto importante:
quando apenas uma pessoa recebe atenção ou acompanhamento, o vírus pode continuar circulando entre o casal.
Isso ajuda a entender situações como:
• persistência viral
• recorrência de lesões
• dificuldade no controle da infecção
Hoje, a medicina entende o HPV de forma mais ampla.
Prevenção, vacinação, orientação e acompanhamento precisam considerar o contexto do casal — e não apenas um indivíduo isoladamente.
Conteúdo informativo com finalidade educativa, conforme Art. 9º da Resolução CFM nº 2.336/2023.
Dr. Charles Rosenblatt
Urologista | CRM-SP 52819 | RQE 58736
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