06/11/2025
Estar em uma relação abusiva não é falta de coragem, mas o efeito de um cérebro tentando sobreviver dentro de um laço que machuca e, ao mesmo tempo, promete amor.
Com o tempo, sistemas neurais ligados ao afeto e ao apego, como o sistema límbico, começam a priorizar a ligação emocional, mesmo quando ela dói. A pessoa passa a justif**ar, esperar, tentar. Não somente por “dependência emocional”, mas também porque o cérebro está tentando preservar o vínculo para não sentir a perda.
A habenula lateral, envolvida na avaliação de frustrações repetidas, passa a suprimir a sensação de recompensa. É como se o cérebro dissesse: “Não adianta tentar algo diferente… você não vai conseguir.” Isso cria a sensação de aprisionamento emocional, mesmo quando a pessoa sabe, racionalmente, que aquela relação a está ferindo.
Com essa adaptação, o amor próprio e a auto compaixão começam a se apagar aos poucos. E, quando elas diminuem, a visão de si f**a distorcida: a pessoa passa a acreditar que merece menos do que realmente merece.
Mas nada disso é permanente.
O cérebro é plástico.
Ele se reorganiza.
Ele reaprende.
Com tempo e apoio seguro, é possível reconstruir o senso de valor, recuperar a capacidade de se ouvir e restaurar a percepção de que merece cuidado. O que hoje parece impossível pode, sim, se transformar.