24/12/2025
Qual é a cor do seu chinelo neste Natal? Ouça com o coração. Leia com a alma ! Então é Natal , e o@que você faz …
Há uma tempestade de interpretações nas redes. Por causa de um comercial, por causa de muitas outras coisas também. A reação mostra como símbolos simples viram tela para angústias, afiliações, projeções e julgamentos.
Mas antes de transformar indignação em espetáculo, vale escutar outras vozes. Vozes que nos lembram do que realmente importa.
Lindalva, do projeto HUMAN, é uma dessas vozes. Quando chegou ao acampamento, não tinha nada. Encontrou trabalho, um pedaço de terra, alfabetização e, sobretudo, a possibilidade de reconstruir tempo e afeto. Ela fala da dureza e da beleza do que ganhou. Sua história confronta a lógica do consumo que costuma dominar o fim de ano e nos pergunta, sem rodeios: o que pesa mais agora, o chinelo novo, a comida na mesa, a ceia, a companhia?
Do ponto de vista psicológico, o fim do ano amplia o que já sentimos. Solidão, ansiedade e falta de perspectiva ficam mais nítidas quando nos comparamos com imagens de festa. Apontar culpados é fácil. Estigmatizar, projetar, reagir. As redes amplificam muito dos juízos do nosso tempo.
Cuidado e presença exigem coragem. Para alguns, pisar em ovos. Para outros, uma tortura. Sentir-se bem tem se tornado um privilégio. Autocuidado não é slogan, é algo que se constrói ao longo da vida, no cotidiano, nas relações, nos limites possíveis.
Por isso proponho dois gestos simples e transformadores. Primeiro, pare antes de compartilhar raiva. Escute quem vive outras emergências. Nem tudo é sobre você. Respeite seus limites, mas saiba colocá-los. Fronteiras são legítimas e necessárias. Muros, não.
Segundo, transforme preocupação em presença. Ligue para alguém que pode estar sozinho. Ofereça acolhimento. Às vezes, uma palavra basta. Participe de iniciativas locais. Apoie políticas públicas que garantam dignidade básica. Se você tem o mínimo, pode ajudar a construir um mundo um pouco melhor. Às vezes, um sorriso ou uma palavra já devolvem alegria a alguém.
Conta pra mim nos comentários: qual é a cor do seu chinelo neste Natal?
Spoiler: não é sobre chinelo.
Com carinho,
Davi Ruivo