05/03/2016
A recomendação de ingestão de cálcio e vitamina D de 2011: o que o nutricionista precisa saber
The 2011 dietary reference intakes for calcium and vitamin D: what dietetics practitioners need to know (A recomendação de ingestão de cálcio e vitamina D de 2011: o que o nutricionista precisa saber)
Ross AC, Manson JE, Abrams SA, Aloia JF, Brannon PM, Clinton SK, Durazo-Arvizu RA, Gallagher JC, Gallo RL, Jones G, Kovacs CS, Mayne ST, Rosen CJ, Shapses SA. J Am Diet Assoc. 2011;111(4):524-7.
Abstract:
The Institute of Medicine Committee to Review Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D comprehensively reviewed the evidence for both skeletal and nonskeletal health outcomes and concluded that a causal role of calcium and vitamin D in skeletal health provided the necessary basis for the 2011 Estimated Average Requirement (EAR) and Recommended Dietary Allowance (RDA) for ages older than 1 year. For nonskeletal outcomes, including cancer, cardiovascular disease, diabetes, infections, and autoimmune disorders, randomized clinical trials were sparse, and evidence was inconsistent, inconclusive as to causality, and insufficient for Dietary Reference Intake (DRI) development. The EAR and RDA for calcium range from 500 to 1,100 and 700 to 1,300 mg daily, respectively, for ages 1 year and older. For vitamin D (assuming minimal sun exposure), the EAR is 400 IU/day for ages older than 1 year and the RDA is 600 IU/day for ages 1 to 70 years and 800 IU/day for 71 years and older, corresponding to serum 25-hydroxyvitamin D (25OHD) levels of 16 ng/mL (40 nmol/L) for EARs and 20 ng/mL (50 nmol/L) or more for RDAs. Prevalence of vitamin D inadequacy in North America has been overestimated based on serum 25OHD levels corresponding to the EAR and
RDA. Higher serum 25OHD levels were not consistently associated with greater benefit, and for some outcomes U-shaped associations with risks at both low and high levels were observed. The Tolerable Upper Intake Level for calcium ranges from 1,000 to 3,000 mg daily, based on calcium excretion or kidney stone formation, and from 1,000 to 4,000 IU daily for vitamin D, based on hypercalcemia adjusted for uncertainty resulting from emerging risk relationships. Urgently needed are evidence-based guidelines to interpret serum 25OHD levels relative to vitamin D status and intervention.
Comentários:
Para rever a Dietary Reference Intake (DRI) para cálcio e vitamina D, o Institute of Medicine realizou uma revisão das evidências dos desfechos para a saúde óssea e não óssea, utilizando duas revisões sistemáticas importantes conduzidas pela Agency for Healthcare Reserch and Quality, entre outros estudos. Foram avaliadas diversas doenças crônicas e desfechos clínicos e o comitê concluiu que, apenas os aspectos relacionados à saúde óssea forneceram a base necessária para o estabelecimento da Estimated Average Requirement (EAR) e Recommended Dietary Allowance (RDA) de 2011 para indivíduos acima de 1 ano. Para os desfechos não ósseos, incluindo câncer, doença cardiovascular, diabetes, infecções e desordens autoimunes, os estudos clínicos randomizados são escassos e a evidência é inconsistente, inconclusiva em relação à causalidade e insuficiente para o desenvolvimento da DRI.
O nível sérico de 25-hidroxivitamina D (25OHD) foi considerado o marcador mais importante da exposição total de vitamina D, tanto por síntese endógena como por ingestão, apesar de suas limitações. Problemas encontrados quanto às evidências correspondem à forte relação entre cálcio e vitamina D e a dificuldade de separar seus efeitos nos estudos; os dados limitados para avaliar o efeito da dose-resposta; a complexidade em relação às fontes endógena e dietética de vitamina D e os fatores de confusão presentes em estudos observacionais.
A EAR e RDA para cálcio variam de 500 a 1100 e de 700 a 1300mg por dia, respectivamente, para idades de 1 ano ou mais. Esta recomendação está baseada em estudos de balanço de cálcio para idades entre 1 e 50 anos e estudos observacionais e ensaios clínicos após os 50 anos.
Para vitamina D (assumindo a exposição solar mínima), a EAR é de 400UI/dia para idades acima de 1 ano e a RDA é de 600 UI/dia para idades entre 1 a 70 anos e 800 UI/dia para 71 anos ou mais. A recomendação foi estabelecida, principalmente, pela avaliação conjunta de desfechos para a saúde óssea, considerando-se os níveis séricos de 25OHD de 16ng/mL (40nmol/L) para o estabelecimento das EARs e de 20ng/mL (50nmol/L) ou mais para o estabelecimento das RDAs.
Os níveis de Tolerable Upper Intake Level (UL) para cálcio variam de 1000 a 3000mg por dia, considerando “indicadores” como hipercalcemia, hipercalciúria, calcificação vascular e de tecidos moles e nefrolitíase.
Já a UL para vitamina D varia entre 1000 e 4000 UI por dia, de acordo com novas evidências de alguns desfechos associados em forma de U, isto é, com riscos, tanto nos níveis inferiores como superiores, para todas as causas de mortalidade, doenças cardiovasculares, calcificação vascular, câncer pancreático, quedas, fragilidade e fraturas.
Em relação aos níveis séricos de 25OHD, apesar de sua interpretação não ser tema de discussão do comitê, indivíduos com níveis séricos de 25OHD inferiores a 16ng/mL (40nmol/L) estão em risco para efeitos adversos à saúde. Para níveis superiores, ainda há poucos dados disponíveis, particularmente quanto aos efeitos em longo prazo de altas concentrações. Os níveis séricos, cronicamente, acima de 50ng/mL (125nmol/L) deveriam ser considerados preocupantes.
Na população americana, a média de ingestão de vitamina D tende a ser inferior a 400UI por dia, entretanto, a média de níveis séricos de 25OHD está acima de 20ng/mL (50nmol/L), nível consistente com a RDA. Portanto, a maioria dos americanos está atingindo suas necessidades de vitamina D, embora não necessariamente por meio de alimentos e suplementos, mesmo em condições de exposição solar mínima.
Em conclusão, as evidências científicas apóiam o papel causal do cálcio e da vitamina D, apenas na saúde óssea, fornecendo a base para o estabelecimento das DRIs. Ainda não há dados convincentes de que esses dois nutrientes forneçam benefícios ou estejam relacionados a desfechos não ósseos. A prevalência de inadequação de vitamina D na população norte americana tem sido superestimada por alguns grupos, devido a pontos de corte de vitamina D inapropriados, que excedem os níveis identificados neste relatório. Evidências novas identificaram aumento do risco de alguns desfechos com níveis de 25OHD acima de 50ng/mL (125nmol/L). Há necessidade urgente de consensos nos pontos de corte para 25OHD, baseados em evidências, para prevenir tanto o subtratamento como o supertrata
INSTITUTO GIRASSOL