31/12/2025
Na Basílica de São Pedro, a beleza não consola apenas — ela confronta.
Logo na entrada, o monumento funerário de Alexandre VII revela a caveira com a ampulheta, esculpida por Gian Lorenzo Bernini.
O esqueleto não ameaça: lembra.
O tempo escorre para todos. O mármore nos ensina o que o cotidiano tenta esconder — a finitude dá valor à vida.
Poucos passos adiante, São André, representado com o tronco da cruz, sustenta o peso do martírio com serenidade.
Não há medo em seu rosto, apenas entrega.
A fé aqui não é fuga: é coragem.
E então, em silêncio quase absoluto, surge a Pietà.
Maria segura o corpo do filho com uma juventude que não é biológica, mas espiritual.
O mármore de Michelangelo parece carne, dor, amor e aceitação ao mesmo tempo.
Vida. Tempo. Morte. Fé.
Tudo cabe aqui — e tudo nos atravessa.
Não se sai igual depois de São Pedro. 🤍