20/02/2026
Já compartilhei por aqui sobre a forma como treinamos ou praticamos uma atividade física: com pressa e tensão ou com prazer.
Hoje, quero aprofundar um pouco mais essa reflexão.
Quando você treina, onde você está?
Quando falamos de esporte/atividade física, isso virou quase um sinônimo de resultados, performance, metas, calorias, evolução (o famoso “no pain, no gain”).
Como se nao houvesse conquistas ou ganhos, a atividade física perdesse o valor ou a importância.
Mas há uma pergunta que pode ser importante fazer: como você está presente enquanto se movimenta?
Você está ali prestando atenção, ou está longe, apenas fazendo alguma coisa?
Você sente seu corpo e como ele esta, ou o trata como um objeto ou uma maquina?
Você respeita seus limites e as dores que aparecem, ou tenta silenciá-los?
Compartilho essas perguntas pois vivemos em um momento em que ha uma lógica: atividade fisica virou sinônimo unico de desempenho.
E, sem perceber, começamos a nos relacionar com o corpo como se ele fosse uma coisa, algo que precisa ser ajustado e melhorado, com certa urgência e rapidez.
Mas e se o corpo não for uma máquina?
Usando a fenomenologia existencial, como base na conversa aqui, o corpo não é uma máquina que precisa ser ajustada.
Ele é o modo como existimos (e habitamos) no mundo.
É através dele que sentimos, desejamos, nos frustramos, nos expressamos, nos relacionamos e lidamos com os nossos limites e possibilidades.
Olhando dessa forma, podemos perceber que a forma como treinamos pode revelar muito sobre nós e sobre os nossos modos de nos relacionarmos com outras pessoas e com o mundo.
O treino, quando colocamos a nossa atenção no corpo, pode ser um momento de percepção: perceber como está a intensidade (alta ou baixa), a respiração, o ritmo e até onde conseguimos chegar naquele momento.
Ou pode ser um lugar de mais estresse, intensidade, tensão e pressão (quem nunca treinou e saiu mais irritado?).
Não é uma questão de treinar mais ou menos. Mas de como você habita seu corpo enquanto se move.
E talvez a pergunta mais importante seja: você treina contra o seu corpo ou com ele?