11/04/2016
NUTRIÇÃO INFANTIL.
Constantemente observo mães forçando seus filhos a comer, as vezes quantidades inadequadas que daria para alimentar um adulto, ou uma quantidade grande de um só alimento, como o arroz ou a carne. E depois que "limpam o prato" são premiadas com uma sobremesa, preferencialmente bem açucarada. Sei que a preocupação em proporcionar uma boa alimentação para nossos filhos é grande, entretanto será que estamos agindo corretamente?
O hábito alimentar adquirido na infância tende a se perpetuar por toda vida, sendo imprescindível o estimulo à formação de hábitos saudáveis desde a primeira infância. No primeiro ano de vida a criança apresenta crescimento e desenvolvimento acelerados, o que faz com que seu apetite seja voraz, a partir dos dois anos de idade até os 6-7anos a uma diminuição da velocidade de crescimento e consequente queda do apetite. Além disso, o interesse pela alimentação passa a ser secundário, pois a criança prefere brincar e explorar tudo a sua volta, do que f**ar sentada para alimentar-se. Nessa fase a alimentação muitas vezes tende a se tornar irregular, muitas vezes causando inapetência. Outro questão preocupante é a preferência por alimentos ricos em açucares e gorduras (doces, sucos, sorvetes, massas, biscoitos).
Conhecer as fases de crescimento e sua relação com a nutrição minimizarão as dúvidas frequentes dos pais relacionados à alimentação das crianças. Seguem algumas informações que poderão contribuir neste sentido:
1. A capacidade gástrica de uma criança de dois anos f**a em torno de 200-300ml, mas o apetite varia muito nessa fase. Os pais não devem utilizar técnicas coercitivas para que a criança consuma todo o alimento ou algum alimento especifico. A escolha dos alimentos pela criança é importante na aquisição de hábitos saudáveis, a criança pode aceitar um alimento em um dia e rejeita-lo no outro.
2. Permita que a criança manipule e cheire os alimentos antes de provar, para a criança aceitar um alimento, definitivamente, ela precisa prová-lo em torno de 10 a 15 vezes.
3. Sempre coloque pequenas quantidades no prato, se a criança quiser, repita a porção.
4. Cuidado para não premiar ou punir a criança, evite comentários do tipo: “Parabéns você comeu tudo”, ou “ Que feio, você não comeu nada”, tente manter a calma. A criança pode não comer quase nada em uma refeição e comer mais na próxima. A CRIANÇA TEM UMA PERCEPÇÃO DE SACIEDADE MUITO APURADA, FORÇA-LA A COMER SEM APETITE PODE FAZER COM QUE ESSA PERCEPÇÃO SEJA ALTERADA, FAVORECENDO O SURGIMENTO DA OBESIDADE.
5. É importante que a criança tenha uma rotina alimentar, com horários fixos, mesmo nos finais de semana. Dormir e acordar cedo contribuirá para estabelecer uma boa rotina alimentar.
6. A refeição deve ocorrer em lugar tranquilo, com poucos estímulos - sem TV, computador ou celular - e ser realizada de forma prazerosa e alegre.
7. Se a criança não comer todo o alimento do prato, a refeição deverá ser encerrada e um novo alimento deve ser oferecido somente na próxima refeição, não tente compensar com doces ou outros alimentos.
8. Tente despertar o interesse da criança por alimentos saudáveis, leve-a à feira, ao mercado, permita que ela escolha algumas frutas e legumes, brinque com suas cores e formatos, isso despertará seu interesse pelo alimento.
9. PRIORIZE A QUALIDADE E A DIVERSIDADE DOS ALIMENTOS E NÃO A QUANTIDADE, quanto maior a variedade de frutas e legumes e outros alimentos saudáveis, mais nutrientes importantes a criança irá receber, não se preocupe, PEQUENAS QUANTIDADES SÃO SUFICIENTES PARA NUTRIR A CRIANÇA.
10. Se a quantidade consumida estiver muito abaixo das recomendações e perdurar por longos períodos, não insista para que a criança coma mais, aumente a densidade calórica dos alimentos, acrescente um fio de azeite, manteiga ou mel, se persistir procure um médico ou nutricionista.
11. Evite refeições com temperos artificiais, excesso de gorduras e sal.
12. Evite doces artificias, gelatinas coloridas artificialmente, produtos lácteos (Danoninho, iogurtes, bebidas lácteas) e sucos artificiais.
13. Adquira o hábito de tomar água quando sentir sede, não substitua por sucos, a fruta in natura e preferível ao suco, pois estimula a mastigação e contribui para a saúde intestinal e global.
14. Sirva os líquidos em copos apropriados para a idade, eliminando aos poucos o uso da mamadeira.
15. E o mais importante: a criança aprende por imitação, se os pais não forem o exemplo, de nada valerá todo o conhecimento do mundo.