25/02/2019
Você já percebeu o quanto o conceito de “alimentação saudável” muda com o tempo? Tente olhar para alguns anos atrás. O que era dito como saudável e hoje não é mais? Ou, pelo menos, não é mais citado como “saudável”?
Vou falar sobre o contexto no qual essa frase foi dita. Estávamos falando de viagem durante o Carnaval. Uma pessoa de São Paulo, irá se hospedar em uma casa de um casal de amigos no Nordeste. A pessoa com a qual eu estava conversando reforçava muito que esse casal era saudável porque tinha uma preocupação grande com a alimentação e “só come frutas e tapioca. Compra bolo de rolo pra gente, mas não come. Nunca vai com a gente comer açaí”.
A ideia de saudável, nesse caso, está muito relacionada a comer alimentos o mais natural possível limitando, ao máximo, a presença de doces e gorduras na alimentação. Mesmo que, para isso, abra mão de momentos sociais e da cultura alimentar local.
Hoje, falar de alimentação saudável leva a padrões rígidos e restritivos. A um padrão homogêneo que quebra ou deixa de lado até a cultura alimentar local. O saudável hoje é pasteurizado e desnatado sendo interpretado (veja é uma interpretação, tem um filtro que diz respeito ao momento e contexto que estamos vivendo)… retomando, sendo interpretado igualmente no Sul e no Nordeste brasileiros, no Brasil e nos Estados Unidos; na cidade de Americana em São Paulo e em Cratéus no Ceará.
Se formos pensar como essa ideia tão homogênea, tão igual do comer saudável se forma, percebemos que há vários aspectos envolvidos, mas, sem dúvida, a comunicação massificada sobre o que é saudável reforçado e justificado por conteúdo de nutrientes dos alimentos tem impacto devastador que é facilmente apropriado pelas dietas.
Pense em um Globo Reporter sobre “alimentação saudável”. Esse programa irá atingir milhões de brasileiros de forma igual, de Norte a Sul, da cidade maior à cidade menor da mesma maneira, tirando a importância de comida regional, do simbolismo e importância da comida na nossa vida social e emocional.
Daí, as dietas passam a falar em “emagreça comendo saudável” porque se apropriam de aspectos nutricionais da comida, reforçam e exploram esses aspectos ao máximo sem ao menos pensar no indivíduo e na importância da comida para ele. Pense nas justificativas do jejum intermitente, da dieta low carb, da dieta sem carne (quando baseada unicamente na questão nutrientes vs saúde)...
Por isso, quando pensar em “isso é saudável” e “isso nã é saudável”, seja crític@ tente contextualizar e entender por que é ou não é saudável nessa ideia preconcebida. Busque desconstruir esse ideia contextualizando o consumo, o impacto além do corpo biológico, mas para o corpo mental também.