16/12/2025
“Há em mim uma biblioteca antiga. Livros de pele, memórias de poeira, capítulos escritos com lágrimas e risos que já esqueci. É ali, entre o que fui e o que ainda serei, que o autoestudo
começa.
Olhar pra dentro não é vaidade, é cavar o chão da própria alma com as unhas da curiosidade. É o desassossego manso de quem quer entender o vento que passa por dentro.
É preciso ternura para se ler assim, como quem lê o diário de uma criança que ainda mora dentro. Manoel de Barros diria que é preciso “desinventar-se” pra entender as miudezas que nos compõem.
Ler-se, no yoga, é despir-se. É retirar os disfarces, os papéis, os nomes. É perceber que o eu não é um ponto fixo, mas um rio que muda de curso sempre que se
permite sentir.
Há dias em que o autoestudo dói, porque o espelho mostra o que o orgulho esconde. Mas é nessa dor que nasce a liberdade, a coragem de não repetir as mesmas feridas, de soltar o que não é mais sagrado.
É a escuta do que vive entre um pensamento e outro.
É o instante antes da respiração, onde tudo é possível.
É a leitura do agora, sem ponto final.
E quanto mais me leio, menos certezas encontro. Descubro que não sou o que penso, nem o que os outros dizem.
Sou o que sobra quando o barulho cessa.
Sou o espaço entre o som e o silêncio.
É ali, nesse intervalo, que Deus respira comigo. Não o Deus das alturas, mas o que mora na raiz do meu peito, na dobra de uma inspiração profunda. E ali eu quero encontrar o caminho de volta pra casa.
É o fio que me costura ao todo.
É o gesto de quem se ajoelha diante da própria humanidade e a chama de sagrada.”
✍️ Manu postado no "Yoga Culture Brasil"
Registros do nosso último Ritual de Ayahuasca - A Travessia Egípcia do Mestre Interior. ✨ Marcante, profundo, caminho de volta de pra casa.