02/04/2023
A Síndrome do Autismo foi detectada pela primeira vez em 1943 pelo psiquiatra infantil Leo Kanner (1894-1981) em seu estudo “Distúrbio Autísticos do Contato Afetivo”. Atualmente, a Síndrome do Autismo é tida como “uma falta de adaptação no desenvolvimento que se manifesta de uma maneira grave, durante toda a vida”, definição esta aceita desde 1998.
Devido ao fato da criança portadora de autismo apresentar outras dificuldades, o tratamento odontológico costuma ser considerado menos importante. Por isso, os pais deixam para visitar o odontopediatra quando identif**am um problema ou a criança atinge os sete anos.
A familiarização com o consultório odontológico desde cedo, no entanto, previne procedimentos mais invasivos e promove facilidade de ambientação. Quando isso não acontece, o tratamento é mais impactante e a rejeição da criança é maior. Em muitos casos, há até mesmo a necessidade de utilização de anestesia geral.
Procedimentos que demandam maior tempo de execução, portanto, deveriam ser realizados depois de estabelecida uma rotina odontológica. Tecnicamente, o tratamento para autistas não é diferente, mas a abordagem demanda cuidados, sensibilidade, conhecimento, recursos lúdicos e reforço positivo.
Dicas para o atendimento do autista.
Pontualidade – isso é essencial para atender o autista, quanto mais ele esperar, mas ele pode f**ar hiperativo e isso refletira diretamente na qualidade do atendimento.
Faça um tour – antes de pedir para se sentar na cadeira, faça um tour pelo consultório com seu paciente. Essa familiaridade com o ambiente facilita o tratamento.
Se atente aos comandos – quando for pedir qualquer ação para o paciente, use ordens simples e diretas. Assim que ele executar a ação solicitada, parabenize-o.
Mostre o que irá acontecer – existe uma técnica comportamental dizer-mostrar-fazer. Ela consiste em mostrar cada passo do procedimento que será feito em objetos. Por exemplo, se seu paciente gosta de um dinossauro, mostro no brinquedo tudo o que você fará, antes de fazer no paciente.
Familiaridade – sempre tenha algo que seja familiar para a criança no consultório, seja um objeto pessoal de um familiar ou brinquedos da criança.
Mantenha uma rotina – pessoas com autismo tem muito medo de coisas desconhecidas. Por isso, não execute qualquer ação sem antes explicar para o seu paciente.
Interaja – durante todo o atendimento deve haver a interação com os familiares do paciente presente e com o paciente. Envolva todos durante a consulta.
Planejamento – antes da consulta pense em tudo, o atendimento precisa ser rápido e preciso, evite ao máximo estímulos sensoriais.
Fique calmo – na consulta mantenha sua voz controlada, sempre em um tom suave. A audição do autista é muito sensível, evite sempre que possível alteração no tom de voz.
Prevenção é a chave
Dessa forma, o paciente autista será estimulado e terá mais confiança no momento da consulta. Aliás, é sempre importante lembrar que a consulta para um paciente autista precisa de um tempo maior. Afinal, a criança precisará de um tempo maior para se adaptar e se submeter aos procedimentos. Sendo assim, tenham sempre tolerância e paciência para o atendimento.
A palavra-chave para atendimento dos autistas é a prevenção! Quanto antes iniciada, maiores são as chances de evitar procedimentos mais invasivos como o atendimento hospitalar com anestesia geral.