26/11/2025
Anos 70. Curitiba.
Miguel Krigsner nasceu em La Paz, filho de sobreviventes da Segunda Guerra.
Cresceu entre cores, frascos, cicatrizes familiares — e um senso profundo de propósito.
Chegou ao Brasil aos 11 anos.
Formou-se em Farmácia Bioquímica sem saber o que faria da vida.
Só sabia o que não queria: análises clínicas.
Em 1977, decidiu montar uma farmácia de manipulação.
Localização?
A única que cabia no bolso: uma rua lateral com dois hotéis de alta rotatividade.
Zero glamour.
Mas movimento constante.
O Boticário nasceu ali: pequeno, artesanal, improvável.
Miguel fazia cremes com uma batedeira Valita emprestada da irmã.
Os clientes pediam mais.
Queriam perfumes.
Perfumes exigiam embalagem.
Embalagem exigia dinheiro — que ele não tinha.
Até que, em 1979, aconteceu o momento que muda uma vida.
Um representante mostrou um depósito secreto de embalagens da Chanson, a marca de perfumes que Silvio Santos criou mas nunca lançou.
O SBT ia começar e Silvio precisava liberar o galpão.
Miguel arriscou:
“Levo tudo. Mas pago em 12 vezes.”
O representante voltou:
“O seu Silvio concordou.”
Foram duas carretas de vidros.
E um problema: como encher tudo antes de vencer a segunda parcela?
A resposta estava no aeroporto Afonso Pena.
As pessoas compravam perfumes movidas por culpa, saudade, impulsividade.
E ali surgiram os primeiros franqueados — antes mesmo de Miguel saber que aquilo se chamava “franchising”.
Em poucos anos, O Boticário virou fenômeno:
500 lojas em 1985.
Depois milhares.
Hoje, 3.260 lojas e 22 mil pessoas no ecossistema.
Mas Miguel queria mais do que faturar.
Queria impacto.
Em 1990, criou a Fundação Boticário, anos antes do ESG existir no vocabulário brasileiro.
Mais de 1.300 projetos ambientais apoiados.
Reserva natural própria.
Conservação real — não marketing.
Em 2010, nasce o Grupo Boticário:
O Boticário, Eudora, Quem Disse, Berenice?, entre outras.
Um dos maiores grupos de beleza do mundo.
Coragem muda a trajetória.
Propósito sustenta o crescimento.
E negócios extraordinários começam em lugares improváveis:
uma rua lateral, uma batedeira emprestada, duas carretas de vidro compradas sem dinheiro.
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