17/10/2021
“Alquimizando a presença” - Reflexões genéricas sobre massagens & diálogos terapêuticos
Imagine receber 2 massagens em silêncio, e por exemplo numa 3ª sessão aí sim começar a conversar durante a própria massagem.
Ou seja, a fala não sendo usada para acobertar essas 1as adaptações e possíveis estranhamentos/ansiedades.
Havendo vinculação pelo toque, silêncio, proximidade física, tendo sido aceita uma “formalidade inicial”, o nível de abertura e o “emergir” da fala pode vir de um lugar mais especial, menos apressado e mais verdadeiro, integrativo.
O tato é uma “transmissão” mais direta, “primitiva” e “relacionalmemte concreta”.
Permite uma transição entre estados e sensibilidades mais infantis, frágeis, vulneráveis e mais reflexivas, poéticas, maduras.
Curioso como potencializa a dimensão da escuta, a relevância do falar e ser ouvido (sem a camada de desconforto e artificialidade que pode estar presente ao não haver a ligação/condução pelo toque e estar sentido na pele a presença do outro).
O ser tocado é um convite a diluir os sensos de inadequação, desadaptação, imaturidade.
Equação básica: 1º o corpo é pacif**ado e tranquilizado, e aí a experimentação de um “se expor” e “se abrir” emocional/psicológico pode ser mais agradável e bem sustentado, aumentando o interesse em compartilhar narrativas e autopercepções.
Até uma hierarquia f**a mais bem definida, uma “passividade” inicial e receptividade mais literal e dependência “do fazer” do outro, no procedimento/técnica em questão.
Só que ao invés disso ser opressivo e castrador, pelo contrário, a dimensão do toque vai agindo e “alquimizando a presença”, preparando bases para um senso de “reciprocidade” e “construção conjunta” no nível do diálogo.
O toque e a sensibilização sensorial faz desmoronar qualquer tendencia a “rivalidade” ou “acuamento/cautela”. Traz níveis de delicadez muito bem "texturizadas", aromatizadas, com mais "substância" para sustentar pontos de profundidades existenciais.
Como é possível um formato no qual f**ar mais infantilizado/vulnerável/frágil e no entanto menos “resistente”?
É pq de certa forma começa do “lugar certo”, respeita uma lógica do desenvolvimento humano.