28/05/2026
Meu nome é Fabiane, sou pessoa com baixa visão, bacharel em Musicoterapia e pós-graduada em Métodos Receptivos em Musicoterapia Clínica e Hospitalar. Há mais de oito anos atuo no tratamento de pessoas neurodivergentes, utilizando a música como instrumento terapêutico de desenvolvimento humano, emocional e sensorial. Ao longo dessa trajetória, compreendi que o ritmo e a melodia possuem uma força transformadora, especialmente para pessoas com deficiência visual.
A percepção musical da pessoa com deficiência visual acontece de maneira profunda e sensível, pois a audição assume um papel fundamental na relação com o mundo. Os sons, os timbres, as pausas e as vibrações musicais tornam-se formas de orientação, expressão e comunicação. O ritmo auxilia na organização corporal, na coordenação motora e na percepção espacial, contribuindo também para o desenvolvimento da autonomia e da segurança.
A melodia, por sua vez, desperta emoções, memórias e sentimentos que favorecem o equilíbrio emocional e a interação social. Em muitos casos, a música funciona como uma ponte entre o indivíduo e o ambiente ao seu redor, fortalecendo vínculos afetivos e ampliando possibilidades de inclusão. A pessoa com deficiência visual desenvolve uma escuta mais atenta e detalhada, percebendo nuances sonoras que muitas vezes passam despercebidas por outras pessoas.
Na Musicoterapia, a utilização de métodos receptivos possibilita experiências de relaxamento, acolhimento e estimulação cognitiva. A música pode reduzir ansiedade, melhorar a comunicação e favorecer processos de aprendizagem. No trabalho com o público neurodivergente, o uso terapêutico do ritmo e da melodia promove respostas positivas relacionadas à socialização, atenção e expressão emocional.
Assim, a música ultrapassa o entretenimento e torna-se uma ferramenta de acessibilidade, cuidado e desenvolvimento humano. Para a pessoa com deficiência visual, ela representa liberdade, identidade e uma forma singular de perceber e sentir o mundo.