Paulo Crespolini - Psicólogo

Paulo Crespolini - Psicólogo Boas-vindas! Aqui é uma clínica voltada, principalmente, para o tratamento dos relacionamentos afetivos e conjugais. Sejam bem-vindas e bem-vindos!
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Junto disso, o Paulo Crespolini também disponibiliza atendimento psicológico para adolescentes, adultos e famílias. Este espaço virtual existe para que possamos dialogar sobre variados adoecimentos psíquicos, com a liberdade respeitosa de quem se estaciona para ouvi-los, integrá-los e transformá-los.

Antes, arado e semeado pra ser germinado. Agora, colhido e descaroçado pra ser fiado. É algodão tornado fibra, fibra tor...
05/04/2026

Antes, arado e semeado pra ser germinado. Agora, colhido e descaroçado pra ser fiado. É algodão tornado fibra, fibra tornada fio, fio tornado tecido, tecido tornado vida pelo trabalho de muitas mãos! Do tramado ao puído: tecido! Do rasgo ao remendo: tecido! Do tingido ao desbotado: tecido! Independente das feituras, uma vez tecido, sempre tecido. Descosturar é possível, destecer é ilusão. Lá nos cafundós da memória ainda resiste aquela profunda lição de que tudo, absolutamente tudo que é útil nesta vida, se faz processo dos mais artesanais. Que seria então o viver senão uma artesania de relações, onde se permite o tecer ao mesmo tempo que se é tecido?
Embora a tessitura seja uma boniteza, o tear que faz o direito não desfaz o avesso. Igualzinho a gente que, quando fia amor, não vê que tá fiando dor. Um às claras, outro às escondidas. Tal qual a tecelagem, viver também é um ofício, onde o relacionamento suscita aos mais diversos entrelaços: jeitosos e custosos. Nascem daí relações tecidas de diferentes formas: as naturais, as sintéticas e, até, as artificiais. Essa daí é a parecença do que nunca foi, mas o tempo todo fingiu ser. Além de esculhambar, isso deixa aos farrapos. A perda de confiança, no fio humano, é, dos resultados, o mais nefasto.
Meu Deus, já não se tecem relações porque é o único jeito de proteger do rasgo? Perdeu-se a diferença entre algodão, poliéster, juta, linho, viscose e cetim? Quando se trata de gente é tudo igual assim? Temo o dia que não teremos mais fiadeiras, costureiras, alfaiates, modistas que sejam. Uma raridade em tempos tão desumanos. Que não nos falte nem as costuras dos tecidos nem as artesanias dos amores! Ninguém existe por si. A gente existe em relação com o outro: de fio a fio. Que o amor, esse ditoso, nunca deixe de ser uma estripulia das boas pra se tornar linha de produção: cópia da cópia, desempregado de autenticidade.
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
☎️WhatsApp: (11) 97752-7000

04/04/2026
CORALINA, Cora. Vintém de cobre: meas confissões no cotidiano. 6. ed. São Paulo: Global, 1997. (Poemas: Aninha e suas pe...
03/04/2026

CORALINA, Cora. Vintém de cobre: meas confissões no cotidiano. 6. ed. São Paulo: Global, 1997. (Poemas: Aninha e suas pedras e das Pedras).

Tem gente. Muita gente. Esquecida que ainda é gente. Gente feita daquele amor que não pode tudo, não consegue tudo, não ...
29/03/2026

Tem gente. Muita gente. Esquecida que ainda é gente. Gente feita daquele amor que não pode tudo, não consegue tudo, não sabe tudo. Amor dos bons é o que se reconhece impotente. Não sucumbe à aventura de prometer o impossível. Penso cá com os meus botões que o amor só pode o que pode o amor. E o amor não atura nem suporta todas as coisas. Ele é força miúda que, se descuidada, vai morrendo aos poucos. A fragilidade do amor faz surgir gente que é pau pra toda obra. Um povaréu graúdo, que chega a carregar água no jacá quando a vida dos outros vira do avesso. Deve ser essa doação que faz o amor mais fortinho. Só não pode achar que doar é um problema. Não é não! Problema é a falta reciprocidade. Amor só f**a onde existe correspondência.
Tem gente que é mais ligeira que o xaxado. Vive num desassossego. Doente de pressa. Como não recebeu nada de bandeja tem medo de perder o amor. Seja largada, seja largando, não suporta esse trem feito de processos. Tem gente que é trieiro. Tem gente que é muralha. A “entrieirada” tem muito a ensinar a amuralhada pra não sofrer de amores. Afinal, mais sábio que construir fortif**ações: é fechar caminhos, deixar o mato tomar de conta…. E, acabado o trieiro, acaba-se o acesso. Tem gente que é onda gigante, tida como forte porque fala a verdade na cara dura. Doa a quem doer. Mal sabe ela que, quanto maior o grito, maior a fraqueza. Em compensação tem gente que é marolinha, tida como frágil. Poderia enfiar a mão na cara, mas não o faz. Prefere escolher as palavras, eleger o momento, falar como se sente, sem acusar o outro. A polidez é forte, a brutalidade é fuleira e o que é: é! Não precisa ser metida a besta.
Tem gente que é bolinho de chuva. As entendidas que me perdoem, mas não vi farinha, ovos, leite, fermento nem açúcar. Aqui em casa essa gente é feita de amor. Amor que devolve a gente pra gente. Desamor que rouba a gente da gente (1). Desiste do amor não! Há muita gente boa no mundo, gente honesta e de fibra. E a gente precisa parar de acreditar que só tem gente ruim. Que tipo de gente é você?
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
☎️WhatsApp: (11) 97752-7000

Tem gente. Muita gente. Esquecida que ainda é gente. Gente feita daquele amor que não pode tudo, não consegue tudo, não ...
29/03/2026

Tem gente. Muita gente. Esquecida que ainda é gente. Gente feita daquele amor que não pode tudo, não consegue tudo, não sabe tudo. Amor dos bons é o que se reconhece impotente. Não sucumbe à aventura de prometer o impossível. Penso cá com os meus botões que o amor só pode o que pode o amor. E o amor não atura nem suporta todas as coisas. Ele é força miúda que, se descuidada, vai morrendo aos poucos. A fragilidade do amor faz surgir gente que é pau pra toda obra. Um povaréu graúdo que chega a carregar água no jacá quando a vida dos outros vira do avesso. Deve ser essa doação que faz o amor mais fortinho. Só não pode achar que doar é um problema. Não é não! Problema é a falta reciprocidade. Amor só f**a onde existe correspondência.
Tem gente que é mais ligeira que o xaxado. Vive num desassossego. Doente de pressa. Como não recebeu nada de bandeja tem medo de perder o amor. Seja largada, seja largando, não suporta esse trem feito de processos. Tem gente que é trieiro. Tem gente que é muralha. A “entrieirada” tem muito a ensinar a amuralhada pra não sofrer de amores. Afinal, mais sábio que construir fortif**ações: é fechar caminhos, deixar o mato tomar de conta…. E, acabado o trieiro, acaba-se o acesso. Tem gente que é onda gigante, tida como forte porque fala a verdade na cara dura. Doa a quem doer. Mal sabe ela que, quanto maior o grito, maior a fraqueza. Em compensação tem gente que é marolinha, tida como frágil. Poderia enfiar a mão na cara, mas não o faz. Prefere escolher as palavras, eleger o momento, falar como se sente, sem acusar o outro. A polidez é forte, a brutalidade é fuleira e o que é: é! Não precisa ser metida a besta.
Tem gente que é bolinho de chuva. Não vem com farinha, ovos, leite, fermento nem açúcar. Os entendidos que me perdoem. Aqui em casa essa gente é feita de amor. Tem gente que devolve a gente pra gente. Tem gente que rouba a gente da gente (1). Desiste das primeiras não! Há muita gente boa no mundo, honesta e de fibra. E a gente precisa parar de acreditar que só tem gente ruim. Que tipo de gente é você?
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
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Às vezes, a gente esquece que é humano de tanta fazeção de coisas. Tempo corrido de quem nunca tem tempo. E a vida, tão ...
15/03/2026

Às vezes, a gente esquece que é humano de tanta fazeção de coisas. Tempo corrido de quem nunca tem tempo. E a vida, tão visceral, vai f**ando anêmica quando a tranqueira da pressa força, enforca e sufoca, na vã ilusão de que é só esforço. Haverei eu de protestar? Cá estou então com o melhor protestador de todos: o meu cafezin! Grão torrado, moído, coado no pano pela fervura. A xicrinha esmaltada, relíquia de vovó. Há quanto tempo não parava na presença desse velho companheiro de guerra. Quisera que todas as guerras fossem à base de grãos cafeeiros. O bourbon suave competindo com o saboroso catuaí. Os grãos ou os homens deveriam aprender com os estilingues a guerrinha das mamonas? Ao menos aquelas não matavam ninguém.
Mas, na guerra que debulha qualquer possibilidade de esperança, chora a mãe, rasgada pela violência e pra sempre perdida de quem - um dia - foi tecido em suas entranhas. A mãe carioca da Penha, a mãe judia de Israel, a mãe palestina de Gaza, a mãe xiita do Irã, a mãe que agora me lê… Qual delas tem o café como testemunha da chacina? Nem todo café é feitura de grãos. Alguns são feitos de sangue. É doloroso demais da conta, mas chega uma hora que, pra gente sobreviver, a dor tem de parar e parar é deixar de doer. Uma crueldade servida ligeira num expresso de anestesia. A guerra de fora começa desde dentro da gente.
Armados até os dentes, agora guerreamos contra quem outrora plantamos intimidade. Ao menor sinal de discordância vem: o grito que encerra a discussão ou o silêncio que pune quem ousa questionar; a crítica mordaz diante da mudança ou o controle disfarçado de cuidado; o imediatismo de quem bloqueia ou a ameaça permanente de quem pode ir embora agora. De casal a rivais. De companheiros a inimigos. Estamos exaustos. Isso revela quão insensíveis ao outro e quão estranhos a nós: temos nos tornado. Enquanto negarmos as nossas sombras continuaremos a projetá-la em nossos vínculos. E não há café que dê conta de tanto amargor.
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
☎️WhatsApp: (11) 97752-7000

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13/03/2026

PAULO CRESPOLINI
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Lá onde a mentira não vinga: o pacifista reconhece quão bélico e aguerrido ele é. Fora disso sua paz não passa de simula...
08/03/2026

Lá onde a mentira não vinga: o pacifista reconhece quão bélico e aguerrido ele é. Fora disso sua paz não passa de simulação. Os acordos de paz? Pífios! Os discursos? Pura lereia! Antes o cessar-fogo fosse pra garantir a ajuda humanitária. Mas, não! Há de torná-lo tempo hábil pra chegada de mais munição. De que adianta condenar atentados se até a indignação vira formalidade performática? “Não conseguimos mudar coisa alguma sem antes aceitá-la. O que negas te subordina. O que aceitas te transforma” (1). Ingênuo é pensar a gu€rr@ como conflito armado e geopolítico apenas. Gu€rr@ é epidemia psicológica de quem se traveste de salvador pra decidir que vida merece ser vivida e que vida merece ser morrida. De tão desumanizados - o messiânico e seus messias - deixam de reconhecer a humanidade do outro: mort€ aos inimigos!
Maldita a gu€rr@ que desperdiça trilhões com armamentos e tecnologias, enquanto a odiosa fome segue vigorosa pelo mundo. Maldita a gu€rr@ que utiliza a miséria como instrumento de opressão aos civis. Maldita sim a gu€rr@ que se faz santa. Pode ser sagrada se t0rtur@, sangra e m@t@? Maldita a gu€rr@ que aniquila a memória de um povo, gerando o conflito sem fim, pela revanche daqueles que vingarão a morte de seus antepassados. Maldita a gu€rr@ que dizima os filhos em trincheiras e as filhas em escolas primárias. Eles não foram paridos pra gu€rr@, mas agora são enfileirados e enterrados pela gu€rr@. Malditas as gu€rras lembradas na Rússia e Ucrânia, em Israel e Gaza, no Oriente Médio e nos Estados Unidos. Malditas as gu€rras esquecidas e terrivelmente vivas no Sudão e Iêmen, em Mianmar, na Síria e em Sahel.
O inimigo não é o outro. É a gente mesmo. A gu€rr@ coletiva é projeção da sombra individual negada. A ética mais genuína vem das imoralidades assumidas, inclusive na gu€rra. Só é livre quem conhece as próprias grades. Memória esquecida, minha gente, é memória repetida. Bendita, a paz que roga pelo bem, ciente de próprio mal! Maldita, mil vezes maldita, a guerra!

07/03/2026

PAULO CRESPOLINI
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
LISPECTOR, C. A. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, p. 9. 11-12.

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