Dr Diego Tavares - Psiquiatra

Dr Diego Tavares - Psiquiatra Médico Psiquiatra. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo. Especialista em depressão resistente e transtorno bipolar.

Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP). Coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos da Faculdade de Medicina do ABC (PROTAB-FMABC). Pesquisador do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP).

30/01/2026

Neste trecho extraído de uma entrevista ao podcast .podcast conversamos sobre como surge a ansiedade e os pensamentos intrusivos dentro da bipolaridade.

28/01/2026

Me deram a ideia de pedir que a inteligência artificial criasse questões de avaliação sobre o tratamento da bipolaridade e quase me ferrei porque essas questões de farmacologia avançada são bastante complexas e não são diretamente utilizadas por nós na prática clínica. Apesar disso, deu para acertar todas e não passar vergonha em público…

Ficou com alguma dúvida? Deixa nos comentários.

23/01/2026

Os episódios maníacos fazem parte do transtorno bipolar tipo I, que apesar de ser o mais raro subtipo de bipolaridade, é o mais conhecido das pessoas porque é frequentemente descrito em filmes e séries. No episódio maníaco ocorre uma desregulação global do sistema nervoso afetando o comportamento de forma intensa e grave. O humor f**a elevado (com euforia ou forte irritabilidade) junto de aumento de energia, aumento de impulsividade, necessidade aumentada de falar, pensamentos acelerados, diminuição da necessidade de sono, distraibilidade e agitação motora. Em uma grande parcela dos casos podem ocorrer sintomas psicóticos com delírios grandiosos, de poder, místico-religiosos. Quanto mais grave o problema, maior desorganização do comportamento, com falas sem sentido, planos sem propósito e atitudes estranhas. Ocorre ausência completa de crítica sobre os sintomas, ou seja, a pessoa não tem nenhuma noção sobre estar em uma crise. Curiosamente, em episódios maníacos pode ocorrer emissão de comportamentos diametralmente opostos ao da personalidade verdadeira da pessoa, por exemplo, uma pessoa introvertida pode f**ar desinibida; uma pessoa pudica pode começar a gastar excessivamente; um ateu pode f**ar hiper-religioso.

Ao contrário das hipomanias do transtorno bipolar tipo II, em que os sintomas ocorrem em um indivíduo funcional, que está vivendo sua vida normalmente sem que ninguém perceba que ele está ativado, nos episódios de mania há claramente um estado alterado de comportamento e grande prejuízo no funcionamento. Não é preciso conhecer a pessoa para suspeitar que ela se encontra em mania. O problema é que muitas pessoas pensam que aquele quadro tem a ver com uso de dr**as e não com uma desregulação espontânea do sistema nervoso. Há muito desconhecimento sobre esse tipo de estado mental. Episódios de mania geralmente necessitam de hospitalização e o tratamento medicamentoso é importante no controle rápido da crise. Quanto mais tempo em crise, maiores os riscos de danos ao sistema nervoso e prejuízos cognitivos e executivos.

21/01/2026

“Parei de tomar o remédio para a bipolaridade!”.

Pode parecer uma frase absurda, mas ela é muito mais comum do que se imagina. A bipolaridade é uma doença cerebral crônica que surge de uma predisposição genética e que ganha recorrência a partir de fatores estressores psicológicos ambientais. Isto é, uma vez que o primeiro episódio é deflagrado, seja ele de depressão ou de ativação, o próximo episódio vai ocorrer com 100% de probabilidade. Isso signif**a que não tratar a bipolaridade não faz ela deixar de existir. O quadro continuará acontecendo e os episódios voltam mais cedo ou mais tarde. E o que é o mais complicado disso? Os episódios que antes eram distantes um do outro, ou seja, a pessoa conseguia ter momentos sem sintomas, passam a acontecer muito próximos um do outro. Mais um tempo sem tratamento e a pessoa ciclando muito entre um episódio e outro e o que acontece é a superposição dos polos, os estados mistos. Ou seja, não há tempo para oscilar entre estar na fase de cima ou na de baixo e o indivíduo vai ter sintomas depressivos e de ativação ao mesmo tempo.

Nos primeiros anos da bipolaridade é comum vermos pacientes que param o tratamento porque desejam vivenciar os estados de hipomania e as hipomanias puras ocorrem com o humor positivo e com aumento de energia e produtividade que deixam as pessoas mais funcionais. Mesmo oscilando depois com fases depressivas, algumas pessoas ou não relacionam que as hipomanias e as depressões estão interligadas ou até optam por “pagar o preço” desse tipo de oscilação, já que se sentem muito bem na hipomania e conseguem ser funcionais ou até hiper-funcionais nesses estados. Mas o que pouco se alerta sobre “permitir” que essas ciclagens sigam ocorrendo é que isso não seguirá assim pra sempre. Vai chegar uma hora na bipolaridade em que a pessoa não sai mais do estado misto e esse é um estado sombrio em que ora predomina depressão de forte intensidade e ansiedade (depressões mistas) e ora predomina raiva, ódio e hostilidade (hipomanias mistas). Não brinquem com a gangorra da bipolaridade porque costuma chegar uma hora em que a brincadeira f**a sombria e desesperadora.

Reprodução: DAILYMIINBORGES (rede vizinha)

16/01/2026

A taquifilaxia ou “perda de efeito” dos antidepressivos em pessoas com transtorno bipolar não é explicada a partir de um único fenômeno, mas a partir de vários eventos possíveis:

⚡️Tolerância e neuroadaptação: cérebros com tendência a instabilidade bipolar ao receberem antidepressivos “percebem” que há risco de oscilação para o polo oposto e produzem uma regulação negativa inibindo o efeito do medicamento, como se fosse uma proteção biológica que faz o medicamento parar de funcionar;

🔄 Aceleração de ciclos: a pessoa com bipolaridade em uso de antidepressivos cicla para uma ativação leve funcional (hipomania) e depois cicla novamente para depressão (mesmo com o antidepressivo). Como ela não percebeu que entrou em hipomania, ao deprimir enxerga que é como se o antidepressivo somente tivesse perdido seu efeito, quando na verdade ela oscilou de fases;

🌀Indução de estados mistos: após um tempo percebendo o efeito positivo do antidepressivo, a pessoa oscila para depressão mas com sintomas de ativação concomitantes (estado misto). A sensação percebida é de uma depressão e como se o antidepressivo tivesse perdido o efeito, mas na realidade, é que o fármaco instabilizou tanto a doença que é como se ele estivesse ativando uma parte (sintomas de ativação) e não funcionando em outra (sintomas da depressão).

Agora me conta: antes do seu diagnóstico de bipolaridade, aconteceu esse fenômeno de “perda de efeito” dos antidepressivos?

14/01/2026

Quem vê de fora não tem acesso ao que a acontece nos bastidores, mas a verdade é que psicólogos e psiquiatras quase sempre precisam unir forças, especialmente quando se trata de casos graves e que precisam de uma atenção redobrada dos profissionais. É uma responsabilidade muito grande nas mãos quando estamos cuidando do filho de alguém, do companheiro de alguém, do pai de alguém, do amigo de alguém, do ser humano de alguém, ou seja, é sempre uma responsabilidade muito grande cuidar de alguém, pois este alguém é especial e muito importante para um outro alguém.

A maioria dos casos são mais tranquilos e os profissionais podem se conversar esporadicamente para alinhar as estratégias, mas em casos que envolvem risco de suic1d1o, comportamentos de automut1lação, psicose, agressividade, risco de exposição social e risco de prejuízos pessoais e profissionais grandes, nós profissionais do cuidado temos total responsabilidade nas nossas mãos e é muito bom quando sentimos que temos um colega de atuação ao nosso lado. Muito obrigado a todos os psicólogos que, hoje ou em algum momento da vida, receberam minhas ligações tensas como no meme pedindo suporte em casos que a gente não vai conseguir enfrentar sem unir forças na batalha contra a doença e os seus perversos sintomas.

Esse foi um meme lá de 2021 que eu gravei aqui para a página e hoje, 5 anos depois, resolvi gravar a versão atualizada porque a batalha continua igual.

# bipolar

12/01/2026

O temperamento é o componente de humor que há na personalidade das pessoas. O extremo fechado do humor na personalidade é o temperamento introvertido e o extremo aberto é o temperamento hipertímico. Quando falamos em temperamento hipertímico as pessoas logo pensam em bipolaridade porque o humor elevado do temperamento hipertímico é muito semelhante (se não o mesmo) do humor elevado de episódios de mania e hipomania. A diferença encontra-se no fato que em episódios de mania e hipomania não ocorre só o humor elevado, mas também aumento de outras funções psíquicas como aumento de energia, pensamento agitado, aumento de impulsividade, distraibilidade, pressão de fala, agitação psicomotora, ativação noturna, etc. Além disso, no temperamento hipertímico o humor elevado é um traço permanente do indivíduo, desde a infância até a idade adulta. Assim como descrito no vídeo, muitas vezes a pessoa com temperamento hipertímico não tem crítica sobre seu humor elevado e pode se tornar inconveniente e inadequada, fazendo piadas fora de contexto, assumindo um excesso de intimidade e sendo impulsiva no que faz e fala. Tudo vai depender do excesso de transbordamento do humor e da falta de crítica da pessoa sobre o ambiente onde está intervindo.

Pessoas com personalidade hipertímica quando apresentam transtornos de humor com depressões recorrentes geralmente são portadoras de bipolaridade tipo II. O que acontece é que elas oscilam as depressões com hipomanias, mas essas hipomanias f**am “escondidas” dentro da personalidade hipertímica. Não se trata de uma regra absoluta, mas cabe avaliação especializada.

E você, qual o seu temperamento mais estável ao longo da vida quando não estava em episódio de alteração de humor, mais para o introvertido ou para o extrovertido?

Reprodução:

07/01/2026

Indivíduos em episódio de mania/hipomania frequentemente iniciam múltiplos projetos secundários devido a uma mistura orquestrada de vários sintomas como: aumento de energia, aumento de atividade dirigida (impulsividade), pensamentos acelerados, grandiosidade e hiperatividade. Esse comportamento é um sintoma clássico associado à mania/hipomania no transtorno bipolar, onde há uma tendência a querer iniciar novos projetos e migrar de ramo de atuação profissional, mesmo que não haja estrutura ou planejamento para isso. O estado de mania/hipomania gera uma sensação de facilidade diante dos problemas, o que misturado com a grandiosidade faz a pessoa se sentir capaz de qualquer coisa, levando a iniciativas ambiciosas que raramente são finalizadas porque como o pensamento é acelerado, logo surgem ideias paralelas que mudam o foco inicial.

Alta energia impulsiona a transição rápida entre ideias e tarefas, como começar projetos sem planejamento.Aumento na atividade dirigida a objetivos e agitação psicomotora faz com que a pessoa assuma mais do que pode gerenciar. Pensamentos acelerados geram múltiplas ideias criativas simultâneas, mas com pouca conclusão. Tudo isso pode parecer produtivo inicialmente, mas leva a exaustão, falhas e consequências como dívidas, problemas de relacionamento interpessoal e aparecimento de irritabilidade e ansiedade. Esses estados costumam desembocar em episódios depressivos ou mistos subsequentes.

Reprodução:

05/01/2026

A série colombiana “Delírio”, lançada no final de 2025 pela N3tfl1x, aborda uma mulher com um transtorno psicótico, bastante sugestivo de um transtorno bipolar tipo I, e todas as dificuldades que envolvem as suas relações familiares e suas relações afetivas.

A série mostra em detalhes as graves consequências que o transtorno pode ter nos relacionamentos interpessoais mostrando dois extremos: momentos de muitas alegrias e realizações e momentos bastante conturbados de conflitos e problemas decorrentes do transtorno. Parceiros de pessoas com transtorno bipolar sem tratamento podem viver essa grande dualidade: “Nunca fui tão feliz na vida como fui contigo” e “Nunca passei por momentos tão tristes na vida, como os que passei contigo”. A série é envolvente e mostra todas essas nuances, bem como sugere dados como de onde vem a genética da bipolaridade da personagem principal. Vale a pena conferir!

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Minha longa trajetória no combate a depressão e à bipolaridade....

Seja bem vindo. Esta página é fruto de um plano que eu tinha de poder ter meu espaço para compartilhar assuntos relacionados aos transtornos do humor e da afetividade. Sou médico e me especializei em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPQ-USP). Desde o início da minha especialização sempre me interessei por depressão e transtorno bipolar e foi no Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA-USP) que aprendi e continuo aprendendo com os pacientes todas as facetas e dificuldades no enfrentamento de doenças no humor.

Atualmente sou pesquisador e coordenador do Ambulatório Integrado de bipolares (AIBIP) do GRUDA e também do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos da Faculdade de Medicina do ABC (PROTAB-FMABC). Amo estes dois lugares e todas as pessoas ligadas a eles!

Embora seja desgastante e desafiador gosto de atuar principalmente no tratamento de depressões refratárias e na estabilização do humor no transtorno bipolar!

Um abraço!