27/04/2026
Nesta entrevista o humorista Matheus Ceará, conhecido por ter feito do programa “A praça é nossa”, explica a dificuldade para encontrar o diagnóstico de bipolaridade. O quadro descrito por ele é compatível com o diagnóstico de transtorno bipolar tipo I dado que os episódios de ativação são intensos e bem definidos. Mesmo assim, muitas pessoas com bipolaridade tipo I também podem sofrer com anos de diagnóstico errado, principalmente os diagnósticos de depressão e ansiedade. E isso ocorre principalmente quando os episódios maníacos não possuem sintomas psicóticos (delírios e alucinações) e também quando a pessoa consegue manter alguma funcionalidade preservada durante um episódio de mania. Os episódios de mania costumam ser momentos claros de humor elevado (eufórico ou agressivo) associados a aumento de energia, aumento de impulsividade (planos, projetos, s3xo, uso de substâncias, gastos, etc), redução da necessidade de dormir, aumento na necessidade de falar e agitação motora. Em geral, as manias oscilam com depressões subsequentes, mas como as depressões são sentidas com mais sofrimento, são sempre vistas com maior ênfase e isso pode ofuscar as manias.
Gosto de ressaltar sempre aqui na minha página que embora mais comentado, o transtorno bipolar tipo I não é a forma mais comum de bipolaridade e sim a bipolaridade tipo II. E o problema é ainda maior com a bipolaridade tipo II porque as fases de ativação são menos intensas (chamadas de hipomanias) e isso pode fazer com que essas pessoas passem uma vida inteira sem saber que elas tinham bipolaridade. E qual a consequência disso? Depressões que nunca param de recorrer, porque a pessoa está oscilando entre momentos de depressão e momentos de hipomania e não sabe. E a presença das ativações entre as depressões são justamente as responsáveis pelas próximas depressões.
A mensagem que deve f**ar: toda pessoa que tem depressão há vários anos, que tem um quadro bastante recorrente, pode, na realidade, viver oscilando sem saber. O diagnóstico adequado direciona melhor o tratamento e modif**a a evolução do quadro.