Paulo Schor

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Mágica cirúrgicaConheci, há muitas décadas, um menino mágico. Filho de grandes amigos oftalmologistas que fiz durante um...
16/04/2026

Mágica cirúrgica

Conheci, há muitas décadas, um menino mágico. Filho de grandes amigos oftalmologistas que fiz durante uma série de conferências no Caribe.
simoncelli era estudante e encantava as pessoas por quem era e pelas transformações aparentemente inexplicáveis que saíam de suas pequenas mãos ligeiras.

Hoje é amigo e um grande cirurgião de catarata. Passou pelo departamento que chefiei na , e me ensinou bastante, como provavelmente também ensinei a ele.

A mágica agregou habilidade ao médico empático, que sempre entendeu bem como as coisas funcionam, porque, para ele, nunca houve magia.

Cirurgia não é mágica.

Não é algo intangível, inexplicável, acessível apenas aos bruxos. É técnica: determinada, conhecida, repetitiva, precisa, treinável, passível de aperfeiçoamento e, às vezes, falha.

Com o avanço tecnológico, saímos da fantasia de quem cura apenas com as mãos para outra: a das máquinas que supostamente operam por nós.

Nenhuma das duas traduz a realidade.

Falei sobre isso recentemente em um congresso, no Rio de Janeiro.

Muitas vezes ainda usamos imagens e derivações indiretas para tomar decisões cirúrgicas. Mas hoje já dispomos de ferramentas que transformam exames diagnósticos em dados palpáveis, utilizáveis na ponta dos dedos.

Um exemplo é o “olho digital”, construído a partir de exames da anatomia complexa e milimétrica do olho e de suas interfaces ópticas.

Com a força computacional atual, podemos exportar esse "gêmeo digital", simular cenários, adicionar fatores como cicatrização e envelhecimento, e produzir perfis de tratamento a laser para miopia, hipermetropia, astigmatismo e até presbiopia.

Faço aqui uma analogia com a caverna de Platão: sem educação crítica, vemos sombras e as tomamos por realidade. Quando entendemos os truques, desvendamos a mágica e tornamos os dados mais concretos.

O convite é para sairmos da caverna. Pacientes e cirurgiões. Para seguir nos maravilhando, sem sermos engolidos pelo inexplicável.

10/04/2026

Recebi mais de 1.000 reações nos meus posts na semana passada. Agradeço a todos pelo apoio! 🎉

Usar a última tecnologia ou ser o segundo paciente?Nem sempre usar o equipamento mais novo significa ter o melhor result...
24/03/2026

Usar a última tecnologia ou ser o segundo paciente?

Nem sempre usar o equipamento mais novo significa ter o melhor resultado.

Na cirurgia oftalmológica existe uma tensão permanente:
usar a tecnologia mais recente ou usar a técnica que o cirurgião domina profundamente.

Órgãos regulatórios como a FDA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a European Medicines Agency são rigorosos. Isso garante segurança, padronização e previsibilidade.

Mas há algo que nenhum regulador controla: a curva de aprendizado do cirurgião.

Mesmo quando uma técnica é validada em estudos multicêntricos, com bons resultados em diferentes centros e equipes, cada cirurgião precisa de um tempo até atingir sua melhor performance.

Existe um ajuste fino que não está no artigo.
Está na mão. No tempo. Na repetição.

Por isso, muitas vezes, repetir uma técnica dominada, confortável e bem treinada gera melhores resultados do que simplesmente adotar a novidade primeiro.

Isso não significa ignorar o que está chegando.

Hoje temos simuladores, wet labs, laboratórios experimentais e uma proximidade muito maior com as empresas que desenvolvem tecnologia. Isso encurtou distâncias, melhorou o treinamento e tornou a transição mais segura.

Treinamos, repetimos, discutimos complicações antes que elas aconteçam no paciente.

Na universidade, somente após verificarmos que os residentes e estagiários estão aptos a lidar com as complicações, soltamos as amarras. Aos poucos.

Como na aviação.

Com critério. Com destreza. Sem pressa.

E isso vale para todos.
Mesmo os mais experientes voltam a ser aprendizes diante de uma técnica nova.

A avaliação crítica das novas tecnologias faz parte do método científico.
E da responsabilidade médica.

Nem tudo que é novo é melhor.
Mas tudo que é novo pode (e acho que deve) ser compreendido.

O equilíbrio está aí:
avanço científico com prudência cirúrgica.

Orgulho de ser da "Oftalmo da Escola" há 30 anos. Desde a Especialização, Mestrado, Doutorado, Livre docência, Professor...
20/03/2026

Orgulho de ser da "Oftalmo da Escola" há 30 anos. Desde a Especialização, Mestrado, Doutorado, Livre docência, Professor e Chefe do Departamento.

A Unifesp - Universidade Federal de São Paulo e todos os envolvidos nas conquistas estão de parabéns, e evoluindo sempre.

Pesquisa, Ensino e Assistência juntos, com qualidade e resultado.

Isso vale ouro, e tem reconhecimento nacional e internacional.

Em frente !!

A hora "H" de operar !Começa quando o médico examina o paciente pessoalmente, escuta com atenção, explica as possibilida...
18/03/2026

A hora "H" de operar !

Começa quando o médico examina o paciente pessoalmente, escuta com atenção, explica as possibilidades de tratamento e não se precipita em indicar cirurgia na primeira consulta.

Quando o mesmo médico que examina é quem orienta e quem opera, cria-se uma continuidade de cuidado.

Isso diminui ansiedade, melhora a colaboração do paciente durante o procedimento e muitas vezes reduz a necessidade de sedação profunda.

No fim, essa confiança influencia o intraoperatório, o pós-operatório e até a percepção do resultado.

Em cirurgia, técnica importa muito,
Mas relação médico-paciente também determina desfechos.

Estar perto antes, durante e principalmente depois, comemorando ou ajudando a resolver, é o refinamento do cirurgião.

Orgulho de ser docente EPM !!O Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina, Hospital ...
15/03/2025

Orgulho de ser docente EPM !!

O Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina, Hospital São Paulo - UNIFESP, foi reconhecido, pelo terceiro ano consecutivo, como o melhor da América Latina. Além disso, subiu 11 posições no ranking mundial do EduRank, consolidando-se como uma referência global na área.

Esse destaque é resultado de uma combinação de fatores essenciais: forte investimento em inovação científica e tecnológica, liderança acadêmica expressiva, e uma produção científica robusta e impactante. O Departamento tem se destacado ainda pela capacidade de atrair e formar talentos, sendo reconhecido como um polo de excelência que impulsiona o crescimento da área oftalmológica na região e no mundo.

Parabenizo a todos os amigos que fazem e fizeram parte dessa trajetória de sucesso, contribuindo para que a Oftalmologia da Escola siga sendo uma referência em ensino, pesquisa e inovação.

21/02/2025

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