13/08/2025
O manejo da dor evolui para além da farmacoterapia convencional, incorporando estratégias que modulam circuitos neurovasculares e neuroinflamatórios em múltiplos níveis do sistema nervoso central e periférico. A estratificação temporal da dor — aguda, transicional e persistente — orienta intervenções que vão desde pequenas moléculas de ação agonista/antagonista até agentes inovadores, como toxinas seletivas para TRPV1, capazes de induzir plasticidade duradoura em vias nociceptivas.
A neuromodulação, por meio de estimulação de gânglios da raiz dorsal, medula espinhal e áreas corticais profundas, redefine o paradigma do controle da dor, especialmente quando combinada a fisioterapia ou abordagens multimodais não opioides. Modalidades não invasivas, como estimulação magnética transcraniana e optogenética, ampliam o espectro terapêutico, embora careçam de robustez em ensaios clínicos para validação translacional.
O desafio translacional persiste: alvos moleculares promissores, como canais de sódio NaV1.7/NaV1.8, apresentam eficácia limitada in vivo, reforçando a necessidade de abordagens integrativas e personalizadas. Tecnologias digitais e inteligência artificial emergem como ferramentas para quantificação objetiva da dor, identificação de biomarcadores termográficos e monitoramento remoto, potencializando intervenções centradas no paciente.
Linhas de pesquisa atuais exploram biomarcadores em neuromodulação, efeitos epigenéticos de terapias não farmacológicas, estratégias para dor pós-lesão medular e adaptações fisiológicas ao exercício, com ênfase em populações vulneráveis, como idosos. Ensaios pragmáticos de efetividade comparativa (Pragmatic Comparative Effectiveness Trials) são fundamentais para transpor evidências para a prática clínica real, promovendo desfechos centrados no paciente e redução da dependência de opioides.
A integração de abordagens farmacológicas, tecnológicas e psicossociais é imperativa para um manejo da dor baseado em evidências, sustentável e alinhado às necessidades individuais e coletivas.