03/02/2026
A Dejane chegou até mim com dependência afetiva tão intensa que o ex-namorado precisou pedir medida protetiva judicial contra ela.
Ela mesma me disse: "Eu não consigo perder ninguém. Eu sufoco todo mundo que f**a comigo."
Na primeira sessão, fui buscar a raiz daquela dor.
E aí ela voltou. Tinha 1 ano de idade.
Estava sozinha num quarto. Triste. Com medo.
Olhou pra porta e viu a mãe biológica arrumando as malas pra ir embora.
A mãe ia deixá-la com a madrinha.
Naquele momento, mesmo sem entender o que estava acontecendo, ela sentiu tudo.
A mãe se abaixou. Abraçou ela. E chorou muito.
Foi um abraço de despedida.
E naquele abraço, o cérebro dela gravou algo que ela carregaria por 30 anos:
"Quando alguém vai embora, eu perco tudo."
A madrinha cuidou dela com amor. Foi uma boa criação.
Mas aquela cena nunca foi processada.
Ficou ali, guardada, comandando cada relacionamento que ela tinha.
Ela não sufocava porque queria. Sufocava porque aquele cérebro de 1 ano ainda achava que ia ser abandonada de novo.
Na sessão, ela reviveu aquela cena.
Mas dessa vez, com a minha condução, ela entendeu:
A mãe não a abandonou porque não a amava.
A mãe a deixou porque queria que ela tivesse uma vida melhor.
Aquele abraço não era rejeição.
Era amor.
E ela não precisava mais ter medo de perder as pessoas pra se sentir amada.
Depois do tratamento, ela me contou que teve outro relacionamento.
E pela primeira vez na vida, quando terminou, ela ficou triste... mas não entrou em desespero.
Ela conseguiu lidar.
Porque aquele abraço aos 12 meses finalmente virou só uma memória.
E parou de comandar a vida dela.
Se você conhece alguém que sofre com dependência afetiva, que sufoca nos relacionamentos ou que tem pavor de ser abandonado...
Manda esse post pra essa pessoa.
Às vezes a causa da dor de hoje está numa cena que a gente nem lembra que viveu.