30/03/2026
Falar sobre deficiência física (motora), auditiva, visual, intelectual e mental/psicossocial e do neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, entre outros, é falar de milhões de brasileiros que enfrentam, todos os dias, desafios que vão muito além do diagnóstico.
O problema está, principalmente, na falta de estrutura, de acesso e de gestão eficiente.
Os principais desafios são claros e urgentes:
Falta de diagnóstico precoce e acesso a especialistas: Famílias aguardam meses, às vezes anos, por uma avaliação adequada no sistema público.
Filas intermináveis na saúde: Tratamentos essenciais são interrompidos ou sequer iniciados por falta de vagas, profissionais ou organização.
Educação despreparada para inclusão real: Muitas escolas não possuem suporte técnico, profissionais capacitados ou estrutura adequada para atender alunos com necessidades específicas.
Sobrecarga das famílias, especialmente das mães: As famílias se sentem abandonadas pelo sistema que não funciona. São as mães que, na maioria dos casos, abandonam carreira, renda e vida pessoal para cuidar, sem apoio do Estado.
Falta de políticas públicas integradas: Saúde, educação e assistência social não conversam, e quem sofre é a população.
Preconceito silencioso e invisibilidade social: Ainda existe desinformação, julgamento e exclusão, principalmente nos casos de transtornos “invisíveis”.
Ausência de suporte contínuo na vida adulta: Após a infância, muitos ficam completamente desassistidos, sem inclusão no trabalho, sem acompanhamento e sem perspectiva.
E quem vive essa realidade sabe:
não falta discurso, falta gestão.
Como profissional da saúde mental, educadora, especialista em gestão pública e perita judicial para garantir direitos de pessoas com deficiência, eu conheço de perto essa realidade.
Eu escuto famílias, acompanho histórias e vejo, diariamente, onde o sistema falha.
E é justamente por isso que eu afirmo:
👉 Inclusão de verdade exige planejamento, investimento e responsabilidade.
👉 Exige diagnóstico precoce, tratamento contínuo e educação estruturada.
👉 Exige respeito, mas, acima de tudo, eficiência.
Porque cuidar das pessoas não é favor. É dever.
Drª Regiane Souza Neves
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