29/03/2020
O inverno nem começou e já vemos por aí muitas crianças com tosse, espirro, nariz escorrendo, entre outros sintomas.
Na grande maioria das vezes, esses sintomas são leves e apresentam um curso benigno, se resolvem espontaneamente no prazo de poucos dias e não interferem na rotina da criança. Entretanto, em algumas situações, essa evolução é um pouco diferente e aí começam as preocupações. E por essa razão é importante a gente saber que existe uma diferença signif**ativa entre “gripe” e “resfriado”.
Gripe e resfriado são doenças causadas por vírus, facilmente transmissíveis e que causam principalmente sintomas respiratórios. Contudo, a gripe tende a ser uma infecção mais severa, com sintomas mais intensos e com uma maior taxa de complicações, como por exemplo pneumonia e insuficiência respiratória. Por esta razão, ela é tão temida nos extremos de faixa etária (bebês e idosos) e nos grupos de imunidade mais baixa (gestantes, pacientes oncológicos e pessoas que realizam tratamentos que causam imunossupressão).
A gripe é geralmente causada por vírus da família Influenza, com muitos subtipos já identif**ados. Os sintomas da gripe são mais intensos, pois além dos sintomas respiratórios (tosse, coriza, dor de garganta), geralmente o quadro clínico traz no pacote febre alta, dor no corpo e indisposição física na maioria das vezes. As crianças menores podem também apresentar irritabilidade e recusa alimentar. Para a gripe sazonal (a que estamos já habituados a enfrentar) existe vacina e é de extrema importância que ela seja aplicada todos os anos, pois os vírus sofrem mutação com frequência, o que faz com que a vacina do ano anterior não necessariamente forneça proteção contra o vírus circulando este ano. Nos casos mais graves, quando os sintomas da gripe contemplam a “síndrome respiratória aguda grave” existe também tratamento medicamentoso, o Tamiflu.
Em crianças, devemos nos preocupar com a gripe quando começam a surgir sinais de complicação: sonolência excessiva, redução da quantidade de xixi, inapetência com recusa alimentar signif**ativa, febre alta e persistente e, principalmente, sinais de desconforto respiratório.
Reconhecer os sinais de desconforto respiratório em pediatria é de extrema importância porque eles direcionam a necessidade de intervenção imediata. Estes sinais incluem respiração mais rápida ou ofegante, gemência e qualquer alteração do padrão respiratório habitual que chame a atenção dos pais (demarcação das costelas durante a respiração, afundamento da região do pescoço entre as clavículas, movimento das asas do nariz, etc). Em qualquer uma dessas situações, a criança deve ser avaliada pessoalmente por um profissional médico.
O resfriado, por sua vez, pode ser causado por diversos tipos de vírus, como por exemplo o Rinovírus, o Adenovírus, o Parainfluenza e o Vírus Sincicial Respiratório. Os sintomas são leves, em geral se restringem ao trato respiratório superior (tosse esporádica, espirros, congestão nasal) e quando ocorrem sintomas sistêmicos (como febre, por exemplo), não comprometem o estado físico do paciente, que continua desempenhando suas atividades normalmente. Em crianças abaixo de 01 ano, o Vírus Sincicial Respiratório é um grande vilão, pois muitas vezes ele não se restringe ao trato respiratório superior, acometendo os pulmões, sendo um dos maiores responsáveis pelos quadros de bronquiolite. A bronquiolite é uma das complicações causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório que ocasiona desconforto respiratório com “chiado no peito” e, por muitas vezes, necessidade de internação hospitalar com suporte de oxigênio.
No caso da epidemia do Coronavírus, ainda não existem dados consolidados sobre como o vírus se comporta na faixa etária pediátrica. As informações chegam a todo momento e se atualizam constantemente, mas o que tem sido observado nos outros países é que as crianças geralmente apresentam sintomas como os de resfriado, com poucas manifestações clínicas e raras complicações na faixa etária entre 0 a 9 anos, embora já tenha sido registrado um óbito nos EUA e outro na China, reforçando a necessidade de mais estudos sobre este tema.
Tanto a gripe quanto o resfriado comum apresentam contágio rápido, com início dos sintomas em apenas 12 horas após o contato com o vírus. Ambas as infecções costumam ser autolimitadas, com desaparecimento dos sintomas no prazo de uma semana. Durante todo esse período, é importante manter uma alimentação saudável, mas com paciência, pois muitas vezes as crianças não têm vontade de se alimentar. O fundamental é garantir a hidratação, com ingestão de bastante líquido de acordo com a faixa etária da criança (leite materno, água, água de coco, suco, etc). Também é importante realizar higiene nasal com aplicação de soro fisiológico 0,9% nas narinas com a maior frequência possível a fim de evitar o acúmulo de secreções, aliviar os sintomas e evitar a ocorrência de infecções secundárias, já que essas secreções são um “prato cheio” para outros micro-organismos se alojarem.
Em alguns casos, quando a quantidade de secreção nas vias aéreas é muito abundante, as crianças se beneficiam de fisioterapia respiratória domiciliar, evitando, inclusive, por vezes as internações. As crianças não sabem respirar pela boca, não sabem assoar o nariz e não expectoram de maneira ef**az quando tossem, então a secreção acumulada nas vias aéreas promove incômodo e desconforto, o que pode ser aliviado com a fisioterapia.
Enquanto vivemos tantas incertezas frente à pandemia do coronavírus, o melhor caminho é evitar todo e qualquer tipo de infecção neste momento. É hora de reforçar os cuidados de higiene, seguir à risca as orientações de prevenção e permanecer em casa para evitar a disseminação.
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