Psicóloga Kátia Bizzarro

Psicóloga Kátia Bizzarro ཨོཾ་ ཨཱཿ ཧཱུྃ

Dentro de nós existem recursos para lidar com todas as situações.

Na casa onde foi o meu primeiro Consultório, há 18 anos, na Rua Oscar Porto no Bairro do Paraíso, em São Paulo. O lindo ...
22/11/2025

Na casa onde foi o meu primeiro Consultório, há 18 anos, na Rua Oscar Porto no Bairro do Paraíso, em São Paulo. O lindo Vitral ainda está lá!

Saint-Anne: o nome escolhido para o Consultório remete à Universidade onde Lacan lecionou os Seminários até ser expulso ...
01/03/2025

Saint-Anne: o nome escolhido para o Consultório remete à Universidade onde Lacan lecionou os Seminários até ser expulso da IPA; E à Capela da Universidade de Saint-Anne, onde Lacan proferiu o Seminário: "Estou falando aos muros (Amour)". Quando deitamos no Divã ampliamos o horizonte da nossa existência: construímos uma narrativa acerca de si mesmo, falamos de amor. Deite-se, e fale de si!

O texto "O que é Psicopatologia Fundamental" de Mário Tosta Berlinck, faz refletir sobre aquilo que dizia Freud: a Psica...
11/06/2024

O texto "O que é Psicopatologia Fundamental" de Mário Tosta Berlinck, faz refletir sobre aquilo que dizia Freud: a Psicanálise é a cura pela Transferência de afeto, a cura pelo amor numa modalidade terapêutica. O quão próximo ela está da Poesia, e quão distante da medicalização da sociedade. É muito melhor sentir muito do que pouco. Mais Psicopatologia Fundamental e menos psicopatia.

11/06/2024
Memória Involuntária: Continuando o pensamento de Walter Benjamin: para Proust, f**a ao acaso se cada indivíduo adquire ...
07/12/2023

Memória Involuntária: Continuando o pensamento de Walter Benjamin: para Proust, f**a ao acaso se cada indivíduo adquire ou não uma imagem do seu próprio passado, e se pode ou não apossar-se de sua experiência.

Isso me remete à Banda de Möebius: figura geométrica cujo interior tem uma continuidade com o exterior, e é muito utilizada pela Psicanálise lacaniana como uma analogia ao funcionamento do Sujeito lacaniano - o que está dentro, está fora, não existe um inconsciente que não seja formado a partir de algum contato com a realidade social.

Além da memória que pode ser recobrada através do encontro com objetos, temos também em Proust a memória involuntária dos membros do corpo: “Elas penetram no consciente independente de qualquer sinal deste, desde que, uma coxa, um braço, ou uma omoplata, assuma involuntariamente, na cama, uma posição tal, como o fizeram uma vez no passado”. Portanto só aquilo que não foi vivenciado, ou seja, expresso conscientemente, é que pode se tornar objeto da Memória Involuntária.

Jornalismo, Narrativa, e imaginação: “As inquietações de nossa vida interior, não têm, por natureza, um caráter irremediavelmente privado. Elas só adquirem (o caráter privado) depois de se reduzirem as chances dos fatos exteriores se integrarem à nossa experiência.”. Walter Benjamin critica as técnicas da comunicação jornalística, como por exemplo, a falta de conexão entre uma notícia e outra, ou a falta de aprofundamento em lugar da descrição de notícias, como um isolamento dos acontecimentos do âmbito onde pudessem afetar a experiência do leitor. Isso, para ele, tolhe a imaginação. Na narrativa, temos um efeito contrário: “Ficam impressas as marcas do narrador como os vestígios das mãos do oleiro no vaso de argila.”, “Onde há experiência, no sentido estrito, entram em conjunção na memória certos conteúdos do passado individual, com outros do passado coletivo.”, daí o efeito das festas e rituais.

Memória:Conversando com um paciente sobre objetos que nos remetem a momentos emocionantes, lembrei de um  texto genial d...
06/12/2023

Memória:

Conversando com um paciente sobre objetos que nos remetem a momentos emocionantes, lembrei de um texto genial de Walter Benjamin: “Sobre alguns temas em Baudelaire”, que podemos encontrar em “Obras escolhidas: magia, arte e política”. Li este texto numa das ocasiões em que participei de maneira mal sucedida dos processos seletivos para o Mestrado em Letras, de modo bem sucedido, em compensação, abriu-se o mundo da Crítica Literária para mim. Uma vez, ao contar isso a um caro poeta, ele me respondeu dizendo que eu estava a entregar a minha alma à leilão, querendo dizer da contingência positiva de ter me deparado com a Crítica Literária, com a Poesia... Concordo com ele, e levo estas palavras comigo para lembrar sempre que preciso.

Neste texto, Walter Benjamin discute aquilo que ele chama de Memória Involuntária, um conceito encontrado tanto na Literatura, como na Poesia, e na Psicanálise.

A Memória Involuntária é criada por processos inconscientes: “Forma-se menos com dados fixados na memória, do que com dados acumulados inconscientemente que afluem à memória”. Na obra de Proust, “Em busca do tempo perdido” analisada por Walter Benjamin neste texto: “Até aquela tarde em que o sabor da Madeleine o tivesse transportado de volta aos velhos tempos, sabor a que se reportará, então, frequentemente...”, a memória da infância de Proust surge através de um sabor que remete à vivência na cidade natal, e que ainda não tinha sido recobrada. Proust destaca o caráter contingencial desta lembrança, condicionando-a ao encontro com um objeto, no caso, a Madeleine (um bolinho típico francês, de limão), lembrança que, se houvesse um esforço consciente para que acontecesse, não teria havido. Nas palavras de Proust: - “É isto que acontece com nosso passado: Em vão, buscamos evocá-lo deliberadamente, todos os esforços (conscientes) de nossa inteligência são inúteis...”.

Walter Benjamin continua: “Para Proust, o passado encontrar-se-ia em um objeto material qualquer... em qual objeto não sabemos, e é questão de sorte se nos depararmos com ele antes de morrermos, ou se jamais o encontrarmos.”.

No livro do autor Lacaniano Bruce Fink, "Sujeito Lacaniano: entre a linguagem e o Gozo", encontramos um formato generoso...
13/07/2023

No livro do autor Lacaniano Bruce Fink, "Sujeito Lacaniano: entre a linguagem e o Gozo", encontramos um formato generoso de transmissão, sem deixar de ser profundo. Quero trazer alguns Posts curtos sobre alguns conceitos discutidos neste livro, com o objetivo de tornar a Psicanálise Lacaniana abrangente.

Hoje decidi tratar brevemente do paradigma neurótico: confundimos Demanda com o Desejo do Outro. No que isso implica? Mal sabemos sobre o nosso próprio Desejo, que nos é opaco, e somente nos é dado a conhecer indiretamente através das Formações do Inconsciente (Lapsos, esquecimentos, sonhos, Atos Falhos...). Acontece que na Estrutura Neurótica somos alienados na medida em que somos falados. Uma linguagem nos antecede, existe antes de nascermos, e quando morrermos, continuará existindo. Antes de nascermos algumas pessoas já falavam de nós: "Será menina", "Esse vai ser astronauta", "Pelo modo como chuta será teimoso igual ao avô...", e por aí vai. Pouco sabemos de tudo o que foi dito sobre nós antes de nascermos, mas estas palavras, e outras que escutamos ao longo da nossa existência são Determinantes, uma vez que o Inconsciente, segundo Lacan, é formulado como uma cadeia de linguagem. "Sujeito é aquilo que um Signif**ante representa para outro Signif**ante". Em português claro: para não f**armos à deriva, nos enlaçamos nestas palavras, tomamos a Demanda Inconsciente de outra pessoa, que representa o Grande Outro para nós, como o seu Desejo. Nossas necessidades e prazeres são, portanto, canalizados, formatados, organizados conforme essa Demanda do Grande Outro, uma espécie de todo-mundo-ninguém, um falatório com vida própria, ao qual nos ancoramos, e deste modo nos distanciamos do nosso próprio Desejo. É preciso, portanto, arriscar-se a falar, e falar, e falar na própria análise, para construir uma narrativa acerca de si mesmo, perceber o próprio Desejo, e aprender a lidar melhor com isso que nos Determina à nossa revelia.

Este texto da Alenka Zupancic esclarece algo acerca da Psicanálise no que tange aquilo que defende a Teoria Q***r: a ins...
07/05/2023

Este texto da Alenka Zupancic esclarece algo acerca da Psicanálise no que tange aquilo que defende a Teoria Q***r: a insubmissão social do corpo sexual.
"Da mesma forma que para Marx o “antagonismo de classe” não é simplesmente o conflito entre diferentes classes, mas o próprio princípio da constituição da sociedade de classes, o antagonismo como tal nunca existe simplesmente entre partidos conflitantes; ele é o próprio princípio estruturante desse conflito e dos elementos envolvidos nele.".
Freud, "Três ensaios":
“A atividade auto-erótica das zonas erógenas é, no entanto, a mesma em ambos os s**os e, devido a essa uniformidade, não há possibilidade de distinção entre os dois s**os, como surge após a puberdade. De fato, se pudéssemos dar uma conotação mais definida dos conceitos de “masculino” e “feminino”, seria até possível sustentar que a libido é invariável e necessária à natureza masculina, seja nos homens ou nas mulheres e independentemente de seu objeto ser um homem ou uma mulher.”
E, por fim, Mlanden Dolar:
Pela imposição do código binário de dois s**os, estamos sujeitos à restrição social básica. Mas o problema talvez seja exatamente o oposto: a diferença sexual coloca o problema do dois precisamente porque não pode ser reduzido à oposição binária ou explicado em termos do número binário dois. Não é uma diferença signif**ante, de tal forma que define os elementos da estrutura. Não deve ser descrita em termos de características opostas, ou como uma relação de entidades dadas que preexistem a diferença. Pode-se dizer: os corpos podem ser contados, os s**os não podem. O s**o apresenta um limite para a contagem de corpos; corta-os de dentro em vez de agrupá-los sob títulos comuns.”.

***r

Culpa antes, e culpa depois do ato.“(...) CataporaCulpaCárieCãibra Lepra AfasiaE o pulsoAinda pulsa...” Titãs.Note que o...
07/05/2023

Culpa antes, e culpa depois do ato.

“(...) Catapora
Culpa
Cárie
Cãibra
Lepra
Afasia
E o pulso
Ainda pulsa...” Titãs.

Note que o poeta coloca a culpa entre “outras” doenças.

A culpa é um sentimento estranho. Serve para alguma coisa antes do ato, pois às vezes o impede. Mas aí não é culpa: é vergonha, então não vale. Culpa posterior é inútil.

Freud escreveu sobre três tipos de personalidade considerando como cada uma delas lida com o sentimento de culpa: Tem aqueles que são arruinados pelo êxito: sentem-se extremamente angustiados quando conseguem realizar um desejo há muito desejado; Há quem cometa crimes para expiar a própria culpa - eles sentem culpa, e quem "paga" são os outros; E tem aquelas "figuras" que acham que já fizeram muito sacrifício na vida, e que agora, merecem ser indenizadas pelos outros, por uma questão de "justa" compensação. Sobre este último tipo, um paciente inteligentíssimo disse brincando: "Hoje em dia, as pessoas já nascem assim!".

A culpa é uma herança do supereu/superego: instância psíquica que internaliza as proibições paternas. Acontece que, olha que "fácil": a mesma instância que proíbe, incita. Não é difícil associar isto aos efeitos que as propagandas têm na captura dos nossos desejos mais culposos.

Diferente da culpa, o sentimento de culpa, que não serve para nada, é como andar por aí com uma capa de chuva molhada sem ter tomado a chuva.

Havemos de inventar uma outra maneira de lidar com este sentimento que rege a nossa vida sem que percebamos.

Para Freud, pode existir Luto pela perda amorosa, assim como pela perda de alguém que faleceu. Mas Luto e Melancolia sa...
05/05/2023

Para Freud, pode existir Luto pela perda amorosa, assim como pela perda de alguém que faleceu. Mas Luto e Melancolia são processos diferentes.

Encontramos uma diferenciação bem resumida, não em “Luto e Melancolia”, livro em que Freud aprofundou a questão do Luto, mas em “Psicologia de Massas e Análise do Eu”.

Segundo Freud, há uma tendência que se acentua na Melancolia, mas que também está presente no Luto, em menor grau: “A introjeção, no Ego, do objeto perdido, como sucedâneo deste...”.

É uma tentativa de lidar com a ausência: reter um traço do que foi perdido.
O problema é a cisão que ela provoca no Ego: uma parte de si luta internamente com o objeto internalizado, e disso resultam os sentimentos de culpa e autodepreciação que percebemos no discurso do melancólico: “Mostram-nos o Ego dividido, separado em duas partes, uma das quais vocifera contra a segunda. Esta segunda é a parte que foi alterada pela introjeção, e contem o objeto perdido.”.
A parte que vocifera é regida pelo Ideal do Ego - herdeiro do narcisismo - em que o Ego infantil desfrutava de auto-suficiência.

Freud demonstra que, apesar de ser uma parte diferente do Ego, contida no Ego, podemos encontrar alguns adultos em que: “essa diferenciação dentro do Ego não vai além da que sucede em crianças.”. Pessoas insatisfeitas com o próprio Ego tendem a se refugiar da realidade no Ideal do Ego para sentirem-se superiores às outras.

Para Freud, Ego (Eu) é uma instância psíquica que se diferencia de Superego, e do Id, por ser consciente. Freud, na Segunda Tópica, instituiu estas instâncias, explicando que a parte de nossa mente que nos é consciente não equivale ao todo. Somos excêntricos como uma elípse que tem dois centros, e não como um círculo. Por isso, desejar não é querer.

A poética origem da palavra análise dita por Heidegger nos "Seminários de Zollikon" em 1930.Heidegger questionou-se sobr...
29/04/2023

A poética origem da palavra análise dita por Heidegger nos "Seminários de Zollikon" em 1930.
Heidegger questionou-se sobre a origem da palavra análise: pesquisou o por quê de Freud ter escolhido esta palavra para descrever o fazer analítico e diferenciá-lo do fazer médico no final do Séc. XVIII.

Segundo Heidegger, a palavra grega análise apareceu pela primeira vez escrita na "Odisseia" de Homero.

Odisseu passou anos fora ocupando-se de sua epopéia. Ao ser solicitado a Penélope, sua esposa, que escolhesse um outro homem para ocupar o lugar de Odisseu, já que depois de tantos anos ausente ele poderia estar morto, ela promete eleger um dos pretendentes, na condição de poder terminar a tecitura do manto que se colocou a confeccionar. Acontece que para manter-se fiel a Odisseu, de dia ela tecia o manto, e à noite ela "analisava" o manto, desfazia a trama. O ato de destecer a tecitura, pode signif**ar analisar.

Análise em grego ainda pode querer dizer: libertar, tirar as algemas dos escravos... Isso pode signif**ar libertar-se da tecitura dos próprios encobrimentos.

É claro que Heidegger pode ter se enganado acerca da intencionalidade de Freud, somente Freud poderia dizê-la, mas é uma definição muito poética da palavra análise.

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