05/06/2017
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OBESO SAUDÁVEL: MITO OU REALIDADE?
Marcio C. Mancini*
Um subconjunto de indivíduos foi identificado no passado e chamado de "obeso metabolicamente saudável". Mas isso é uma condição real? Ou seria um estado de transição, marcando um atraso no início da doença metabólica relacionada à obesidade? Além disso, será que os "obesos metabolicamente saudáveis" correm o risco de outras comorbidades relacionadas à obesidade, incluindo osteoartrite, doença renal e alguns tipos de câncer? É sobre isso que este artigo pretende discorrer.
A obesidade leva a uma série de doenças, entre elas diabetes tipo 2, apneia do sono, artrose, doenças cardiovasculares, hipertensão, problemas psicossociais e alterações de colesterol e triglicérides, aumento do risco de câncer e de demência. A expectativa de vida diminui com o aumento do peso corporal.
E quem seria esse indivíduo chamado de obeso metabolicamente saudável?
Na descrição clínica desses indivíduos, os obesos metabolicamente saudáveis foram definidos como não tendo nenhum dos seguintes fatores de risco metabólicos: pressão arterial alta, triglicerídeos plasmáticos elevados, glicemia elevada e colesterol HDL baixo.
Estudos demonstram que alterações no nível de funcionalidade física, qualidade de vida e deficiências de mobilidade podem preceder o início de anormalidades metabólicas.
Outro ponto a ser discutido é se a obesidade metabolicamente saudável é um estado transitório. Em outras palavras, quando comparados aos indivíduos com peso normal metabolicamente saudáveis, os obesos metabolicamente saudáveis apresentam um risco elevado de síndrome metabólica, diabetes tipo 2, aterosclerose e doenças cardiovasculares?
Em comparação com indivíduos com peso normal metabolicamente saudáveis, as pessoas obesas apresentam maior risco de mortalidade por todas as causas e CVD mesmo na ausência de alterações metabólicas.1
E eles evidentemente estariam também com risco aumentado para outras doenças, como por exemplo, neoplasias, osteoartrose e apneia do sono. • Kramer CK, et al. Ann Intern Med. 2013;159:758-769.