Geração VIDA

Geração VIDA Proporcionamos cuidado humanizado para dependentes de álcool, dr**as, jogos, s**o e outros distúrbios . Tratamento para dependentes álcool e outras dr**as.

Nossa equipe qualificada oferece suporte psicanalítico, psicológico e emocional. Tratamento com ou sem internação e consulta gratuita para avaliação. Tratamento com e sem internação. Ótimo preço. Telefone: 11995628868 - falar com Ezequiel Oliveira

02/01/2026
Bom dia com poesia!Falando de mim, na minha voz.O texto que escrevi não nasceu do impulso, mas de uma confissão amadurec...
19/12/2025

Bom dia com poesia!

Falando de mim, na minha voz.

O texto que escrevi não nasceu do impulso, mas de uma confissão amadurecida no tempo. Quando afirmo: “Eu tenho Parkinson, mas ele não me possui”, não falo por bravata nem por otimismo forçado.

Digo isso porque aprendi, devagar, quase como quem aprende uma oração nova, que reconhecer a doença não significa permitir que ela defina quem eu sou. Ela existe em mim, mas não governa o meu sentido.

Viver com Parkinson é acordar todos os dias dentro de um corpo que muda de ritmo e de humor. Há manhãs em que o pensamento chega antes do movimento, dias em que a memória falha, passos que só acontecem pela fé.

Ainda assim, sigo vivendo um dia de cada vez, consciente de que a vida não se resume ao que o corpo sente, mas ao que o espírito sustenta.

A doença toca sonhos, altera rotinas, desmonta certezas antigas. Mexe com o orgulho, com a vaidade, com a ilusão de controle.

O Parkinson me ensinou a abaixar o nariz, a reconhecer limites e a reaprender a ser humano. Essa vulnerabilidade, longe de me empobrecer, me aproximou das pessoas e me tornou mais atento às dores que elas carregam em silêncio.

Ao ouvir dependentes químicos, alcoolistas e suas famílias, há mais de trinta anos, percebo como a minha própria luta aguçou a compaixão. A dor que atravessa o meu corpo me permite reconhecer, de longe, a dor que atravessa o corpo e a alma do outro.

O Parkinson não me afastou da minha vocação; aprofundou o meu chamado. Continuo estendendo mãos, talvez mais trêmulas, rígidas, mas não menos disponíveis.

E quando minhas forças não bastam, aprendi a encaminhar, orientar e pedir ajuda para outros profissionais. Cuidar também é reconhecer o próprio limite. E isso é graça: simples, cotidiana, silenciosa.

Há dias de dor, noites curtas, sombras pesadas. Mas nunca de rendição total. Mesmo quando o corpo fraqueja, o espírito permanece sustentado.

O Cristo que vive em mim não conhece derrota. Ele me lembra que o homem exterior pode se curvar, mas o interior continua de pé e, de joelhos, quando é preciso.

O Parkinson também me obriga a me despedir, pouco a pouco, daquele homem rápido, ativo, elegante, seguro de si. É um luto lento e, por isso mesmo, dolorido. Mas é também uma revelação: é na verdade da minha humanidade que Deus me encontra.

Nesse caminho, a família se torna chão firme. Abraço quando o corpo endurece, memória quando a minha falha, paz quando o dia se embaralha.

Aqui faço um alerta necessário e amoroso: o Parkinson não é algo banal. Não é apenas um tremor e ou rigidez. É uma condição complexa, que exige informação, atenção e respeito.

Cuidar é também se inteirar da doença, aprender seus sinais invisíveis, ajustar o passo, respeitar limites. Minimizar fere; compreender dignifica.

Graças a Deus, a minha família me trata com todo o respeito de que preciso. Eles não exigem do meu corpo o que ele não pode dar, nem do meu espírito o que já oferece além da medida. Esse cuidado não me diminui, me preserva.

E quando a família ama assim, a doença não isola; ela encontra um nós.
No fim das contas, o sentido permanece intacto.

Eu sigo. Às vezes cansado, às vezes assustado, mas inteiro no essencial.

Por isso posso dizer, com serenidade:

Eu tenho Parkinson.
Mas ele não me tem.

Não me possui.

Não me cala.

Sou humano e, justamente por isso, eternamente amado.

Zique

Bom dia com poesia!Eu tenho Parkinson.Mas ele não me possui.Aprendi a dizer isso devagar,como quem aprende uma oração no...
17/12/2025

Bom dia com poesia!

Eu tenho Parkinson.
Mas ele não me possui.

Aprendi a dizer isso devagar,
como quem aprende uma oração nova
e precisa repeti-la até que desça da boca para o peito.
Eu tenho Parkinson.
Mas ele não me tem.

Viver com uma doença que não promete cura
é acordar todos os dias diante de um espelho
que muda de humor.
Há manhãs em que o corpo responde com atraso,
como se o pensamento tivesse chegado antes dele.

Outras, a memória tropeça,
o equilíbrio vacila,
e caminhar exige fé.
Planejar já não é tão simples;
decidir, menos ainda.
As emoções transbordam sem pedir licença.
Às vezes, imagens surgem onde não deveriam estar.

Outras vezes, o silêncio pesa mais do que o barulho.
É também sentir, em algum lugar invisível,
as células se despedindo.
E junto com elas, certos sonhos,
projetos, versões de mim
que um dia pareceram permanentes.

O corpo vai ficando rígido,
a marcha mais curta,
a deglutição traiçoeira.
Engasgar-se vira possibilidade cotidiana.
A letargia se instala como hóspede insistente.
O esquecimento passa a morar aqui.
Porque o tempo...como disse o poeta, ah, o tempo, não para.

No meu caso, o corpo vai se curvando enquanto caminho,
e essa curvatura me lembra, sem delicadeza,
de onde vim e para onde vou. Pó da terra!
Ainda assim, se o Parkinson pensa
que isso é derrota,
respondo em silêncio:
os dados ainda estão rolando.

Há dor.
Há estresse que reverbera nos ossos.
Há noites em que o sono vem curto
e povoado de sombras.
Mas não há rendição total.
Porque, mesmo com as mãos trêmulas
e o passo contido,
continuo estendendo mãos.

Continuo ouvindo histórias partidas,
acolhendo quedas,
caminhando com homens e mulheres
que lutam contra outras prisões invisíveis.
O Parkinson não me afastou das pessoas,
aproximou-me ainda mais da dor delas.

Sigo atendendo dependentes químicos e alcoolistas,
e também suas famílias,
essas que adoecem em silêncio
enquanto tentam amar alguém ferido.
Sigo escutando, interpretando,
nomeando dores que não sabem se explicar.

Como psicanalista, conheço técnicas e teorias, mas na hora de tocar a alma humana, sou travessia, sou simplesmente outra alma humana.
Quando o minhas forças não bastam,
encaminho para tratamento,
porque cuidar também é reconhecer limites.

O Parkinson pode tocar meu corpo,
mas não alcança minha vocação.
Não interrompe o chamado.
Não me rouba o sentido.
Enquanto houver alguém precisando ser ouvido,
eu estarei,
talvez mais lento,
talvez mais cansado,
mas inteiro no que importa.

O homem exterior pode se dobrar,
mas o interior permanece em pé e ou de joelhos.
Sei em quem tenho crido.
O Cristo que vive em mim
conheceu o fundo do abismo
e foi exaltado acima de tudo.
Um dia, todos se curvarão diante d’Ele.

Penso que, o Parkinson esteja apenas me ensinando
o que muitos resistem a aprender:
abaixar o nariz,
reconhecer limites,
reaprender a ser humano.

Aquele homem de antes,
inteligente, ativo, um tanto vaidoso,
quase elegante (confesso com um sorriso)
e cheio de fome de vida,
vai se despedindo aos poucos.

Às vezes paralisado.
Às vezes sacudido por espasmos
que não pedem permissão.
É uma despedida lenta,
e por isso mesmo dolorosa.
Em certos momentos,
ecoam versos que falam de noites difíceis,
de escolhas extremas,
de sobrevivência.

E me pego perguntando:
onde estão os humanos de verdade?
Onde estão aqueles que confessam fraquezas,
covardias, quedas?

Como disse o poeta: "Arre! Estou farto de semideuses. Onde é que há gente no mundo?"

O Parkinson, curiosamente,
me devolve ao chão comum.
Revela minha humanidade.
Sou impotente.
Sou frágil.
E sempre que me esqueço disso,
visto a máscara mais perigosa:
a da falsa onipotência.
A doença não cria essa verdade,
apenas a expõe.

E se hoje continuo de pé,
é porque não caminho sozinho.
Minha família é chão firme
quando minhas pernas falham.
É abraço quando o corpo endurece.
É paciência quando o tempo se desorganiza.
São olhos que me lembram quem eu sou
quando a doença tenta me reduzir
ao que sinto.
O amor deles sustenta o que o corpo ameaça soltar.

Hoje, olho para frente
e vejo o futuro repetir o passado.
Meu corpo se parece com um museu
de grandes novidades.
O tempo... ah, esse tempo, não para, não, não para, segue correndo,
sem pedir licença.

E eu sigo também.
Vou sobrevivendo,
às vezes cansado,
às vezes assustado,
mas inteiro no essencial.
Porque, no fim das contas,
eu tenho Parkinson.
Mas ele não me tem.

Não me possui.
Não me define.
Não me cala.

Sou demasiadamente humano.
E, por isso mesmo,
eternamente amado.

Zique

Bom dia com poesia!Estrangeiro, Mas GuardadoLá fora a vida corre, brilha e tem valor,o ouro fala alto, promete direção;a...
16/12/2025

Bom dia com poesia!

Estrangeiro, Mas Guardado

Lá fora a vida corre, brilha e tem valor,
o ouro fala alto, promete direção;
aqui dentro eu fico, quieto em clamor,
vendo o mundo passar pela fresta do coração.

Sou estrangeiro em terra conhecida,
peregrino do tempo, aprendiz de esperar;
nem nos sonhos acumulo riqueza na vida,
minha herança é confiar, respirar e orar.

Não sou nome gravado em lugar de poder,
meu trabalho é semente escondida no chão;
mas Deus vê o que o mundo não quer ver,
e conta meus passos na palma da mão.

Minha vida não grita, também não se perde,
anda mansa, guiada por luz interior;
não é caos, nem fuga que a alma dissolve,
é caminho estreito, sustentado em amor.

E assim eu prossigo, pequeno aos meus olhos,
mas guardado no zelo do Pai que me vê;
estrangeiro na terra, cidadão dos Seus sonhos,
rico da graça que ensina a viver.

Zique demasiadamente humano, eternamente amado.

Bom dia com poesia!Ainda Há Chão Desistir…já me sentei à beira desse verbo,como quem descansa à sombra da própria sombra...
14/12/2025

Bom dia com poesia!

Ainda Há Chão

Desistir…
já me sentei à beira desse verbo,
como quem descansa à sombra da própria sombra.
Ele me chamou pelo nome,
mas não reconheceu minha voz.

É que há mais céu nos meus olhos
do que noite nas minhas pálpebras.
Mais promessa no horizonte
do que peso nos joelhos dobrados.

Meus pés seguem
não por força,
mas por fé,
essa coragem mansa
que Deus deposita no chão
antes mesmo do passo.

Carrego cansaços, sim,
mas eles não são senhores.
Nos ombros, a tristeza até tenta ficar,
mas encontra um jugo leve
e aprende a descansar.

Há mais estrada no meu coração
do que medo na minha mente.
Mais chamado do que fuga.
Mais cruz à frente
do que pedras no caminho.

Quando penso em desistir,
o Espírito sussurra:
“Continue.
Ainda há graça na próxima curva,
luz na dobra da noite,
e Eu caminho contigo.”

E sigo.
Não porque sou forte,
mas porque fui alcançado.
Não porque não temo,
mas porque confio.
Pois quem caminha com Deus
nunca anda só,
anda enviado.

Zique demasiadamente humano, eternamente amado.

Bom dia com poesia!Quando o Pai Me Aponta o CaminhoAprendi cedo que Deus não grita comigo. Ele fala baixo, como um pai a...
13/12/2025

Bom dia com poesia!

Quando o Pai Me Aponta o Caminho

Aprendi cedo que Deus não grita comigo. Ele fala baixo, como um pai amoroso e próximo. Às vezes usa palavras, outras vezes apenas aponta o caminho, como quem sussrurra: “É por aqui.” E quando aponta, não me empurra. Apenas ilumina o suficiente para que eu dê o próximo passo.

Ele me mostra um lugar onde o sol do amor toca diferente. Não significa ausência de sombras, mas ali a luz basta. Basta para continuar, para não desistir, para atravessar.

Quando caminho por esse lugar, percebo, mesmo sem entender tudo, que há algo santo no ar. Uma certeza simples se instala em mim: o amor existe. E tem nome.

Deus, como Pai, estende a mão para mim. Não para me controlar, mas para me acompanhar. Ele quer entrar, não como visita apressada, mas como quem deseja ficar. Ficar nos meus pensamentos, nas minhas escolhas, nas dobras silenciosas do meu coração.

As palavras que Ele me diz não são ordens duras. São orientações que conduzem. Elas pousam na minha alma como sementes pequenas, quase invisíveis. E, com o tempo, começam a germinar. Quando brotam, o que nasce é amor.

Ouvir o Pai falar comigo sobre salvação não me causa medo. Causa alívio. É quando compreendo que viver não é apenas sobreviver, mas aprender a amar do jeito certo.

É entender, enfim, que o amor não é uma ideia vaga, mas uma presença viva que me habita.

Deus repete, como todo pai paciente: “Meu filho, meu amor é paz. Meu amor cura. Meu amor salva.” E ouvir isso mais de uma vez me faz bem, porque há verdades que só se firmam quando são repetidas.

Jesus é esse amor dito em voz alta para mim. É a mão que me alcança. É a paz que chega sem barulho.

Cabe a mim abrir o coração.
Não com perfeição, mas com sinceridade.
E deixá-lo morar.

Não por um momento. Não por uma fase.
Mas para sempre, como um pai que não vai embora, mesmo quando a casa dentro de mim se torna confusa.

Porque quando Deus mora no meu coração, o amor finalmente encontra um lar.

Zique demasiadamente humano, eternamente amado.

Boa noite com gratidão!Agradeço ao senhor Anderson Marchiori, coordenador da Defesa Civil de Itaquaquecetuba, pela indic...
06/12/2025

Boa noite com gratidão!

Agradeço ao senhor Anderson Marchiori, coordenador da Defesa Civil de Itaquaquecetuba, pela indicação do texto que escrevi em 04 de dezembro de 2025 para apreciação da Academia de Letras de Itaquaquecetuba (ALI).

A crônica, intitulada “Uma Tarde Entrelaçada em Família”, recebeu destaque entre as produções submetidas, reconhecimento que recebo com profunda gratidão.

Agradeço igualmente à Academia de Letras de Itaquaquecetuba pelo acolhimento da obra e pela valorização da literatura local, que tantas vezes nasce do cotidiano simples, mas carrega o peso simbólico da vida real.

“Uma Tarde Entrelaçada em Família” narra, em tom intimista, um encontro marcado pela ternura e pelas memórias compartilhadas, uma tarde em que pequenos gestos se tornaram grandes lembranças.

A narrativa busca captar a beleza escondida nas relações familiares, revelando como os vínculos afetivos podem transformar momentos comuns em acontecimentos memoráveis.

O texto foi escrito com a intenção de celebrar a convivência, a escuta e a delicadeza que ainda resistem no meio da pressa urbana. Talvez seja justamente essa aproximação com a vida real que tocou leitores e despertou o interesse da ALI.

Após a divulgação do reconhecimento, a crônica passou a circular entre diferentes grupos culturais da cidade e recebeu comentários elogiosos pela sensibilidade e pela capacidade de traduzir o cotidiano com profundidade.

Leitores destacaram o modo como a narrativa ilumina emoções muitas vezes silenciosas, aproximando o público de suas próprias histórias.

O destaque concedido pela ALI também gerou repercussão nas redes sociais, onde a crônica foi compartilhada e comentada como exemplo de escrita que preserva a memória afetiva e resgata o valor da família em tempos de dispersão emocional.

Este reconhecimento não celebra apenas um texto, mas reforça a importância da literatura como ponte entre a experiência individual e o sentimento coletivo.

Sigo comprometido em produzir narrativas que honrem nossa cidade, nossos laços e a riqueza humana que nasce das relações mais simples.

Zique... demasiadamente humano, eternamente amado.

Bom dia com poesia!Crônica de Uma Tarde Entrelaçada em FamíliaOntem, 4 de dezembro, vivi uma tarde que não cabe na lógic...
05/12/2025

Bom dia com poesia!

Crônica de Uma Tarde Entrelaçada em Família

Ontem, 4 de dezembro, vivi uma tarde que não cabe na lógica nem nas razões dos dias atuais, cabe apenas no sopro quieto da alma. Como já disseram, “o coração tem razões que a própria razão desconhece.”

Era só uma reunião de família, uma daquelas que o calendário marca sem festa, mas que o coração reconhece como altar.

Há encontros assim: pequenos por fora, imensos por dentro.
Vivem num intervalo entre o ordinário e o divino, onde o que é Eterno sussurra mais alto.

Cheguei com meus silêncios embolados, como sempre, trazendo inquietações que eu mesmo não sabia nomear.
E fui recebido pela ternura da pet da casa, que repousou a cabeça em meu colo como quem fareja fragilidades e as acolhe devagar.
Há animais que escutam o que nem nós admitimos sentir.

O aroma do café recém-passado, nas mãos do meu genro, percorria a sala como uma oração quente.
E então, o riso de uma criança rasgou o ar, puro, vibrante, irresistível.
Ela veio correndo, respirando alegria, e disse com o coração inteiro:
“Que saudade eu estava de você, vô Zique…”

Naquele instante, senti um tempo mais lento descendo sobre nós,
um tempo que só as memórias saudáveis reconhecem,
um tempo que já guarda cheiro de eternidade.

Pais conversando com filhos.
Filhos ouvindo avós.
Avós admirando netos como quem contempla promessas abertas.
E entre nós, algo leve, quase invisível, percorria a sala como uma brisa de Presença.

Uma Presença que não se impõe, apenas envolve;
que não exige palavras, apenas disponibilidade.
Uma Presença que murmurava sem som:
“Aqui, onde o amor se faz simples, Eu permaneço.”

Não houve milagres visíveis, mas houve milagres suficientes para quem sabe sentir.
Houve bolo quente, xícaras viajando de mão em mão, e risos que atravessavam sombras antigas como fachos de luz.
Houve silêncios tão cheios de ternura que pareciam versos soprados por Deus sem voz alguma.

Cada gesto era um fio costurando a tapeçaria invisível de nossa história:
avós oferecendo pequenos sopros de sabedoria, abrigo nascido de um pouco mais de estrada, só isso.

Uma mãe servindo o filho como se tocasse a menina que um dia foi, ou talvez ainda seja.
Um pai dividindo ovos mexidos, amor despretensioso.
Uma criança lembrando, sem esforço, que a leveza conhece o caminho de casa.

Ali, naquele murmúrio de vida real, algo em mim se alinhou por dentro.
Foi como se o Espírito soprasse, silencioso, uma ordem secreta ao que estava desalinhado.

Senti, com uma clareza que vinha de outro lugar, que o amor não mora nas frases perfeitas,
mas na atenção que cura,
no olhar que abraça, na mãe que ora com a filha,
na presença que sustenta.

O poeta disse que “a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros.”
Talvez a vida seja isso mesmo: a arte de nos reencontrarmos nas pessoas que amamos,
reencontrar sentido no toque,
cura no abraço,
silêncio para ouvir o coração,
esperança no convívio.

Porque o milagre não é nunca se ferir;
o milagre é sempre poder “cair em si” por dentro, nunca apenas por fora.

Quando a noite pousou nos telhados e a casa se aquietou, percebi que havia algo luminoso no ar.
Mesmo com a garoa fina, havia um rastro de paz,
uma claridade miúda, o dessas que não iluminam o corpo, mas aquecem a alma em dias sombrios.

Voltei para casa mais leve,
mais inteiro,
mais desperto para o sagrado escondido nas pequenas coisas.
Entendi, de novo, que o amor simples, não performático, não teatral, esse que nasce de pequenos gestos e grandes coragens,
é o que permanece.
É o que salva.
É o que sustenta.
Sempre. É isso, só isso…

Zique
Vô, pai, sogro, amigo,
demasiadamente humano,
eternamente aprendiz do Amor.

Boa tarde com poesia!Conexão:Uma Crônica CotidianaAcordei hoje com uma sensação estranha, como se algo no inconsciente t...
04/12/2025

Boa tarde com poesia!

Conexão:
Uma Crônica Cotidiana

Acordei hoje com uma sensação estranha, como se algo no inconsciente tivesse subido à superfície durante a noite e, me lembrou que a vida, no fundo, não se apoia em grandes acontecimentos, mas em pequenos fios.

Fios tão delicados que quase não noto quando se rompem, é, ainda assim, fortes o bastante para sustentar o peso de um dia inteiro.

Às vezes penso que vivo deles: dos laços silenciosos que me atravessam e moldam meus afetos,
como marcas primitivas que insistem em retornar.

Percebi que não sou apenas alguém que fala;
sou alguém que toca, que olha, que escuta
com aquele tipo de atenção que antecede qualquer palavra.

Há gestos que escapam de mim como expressões espontâneas do meu desejo,
gestos que sussurram: “fica comigo”,
mesmo quando minha voz ensaia o silêncio.

Talvez porque eu reconheça, em algum depósito profundo da alma, o quanto também preciso do outro para existir.

Sem esse calor humano, sem essa presença que funciona
como uma contenção afetiva. meu mundo perde cor; as tonalidades se desfazem como memórias deixadas muito tempo ao sol.

Eu me descubro assim:
feito de ternura e vulnerabilidade,
uma trama onde fé e insegurança ocupam o mesmo território psíquico.

Carrego fé no peito, sim,
mas também aquele receio primário, quase infantil,
de perder o que importa,
receio que não nasce da razão, mas de regiões inconscientes onde repousam nossas primeiras experiências de separação, desamparo e desejo.

E quando algum laço começa a afrouxar, quando mãos se soltam sem aviso,
quando presenças se transformam em ausências,
algo em mim contrai.

Não é um choro de lágrimas;
é um choro da alma,
um soluço que vem desse lugar silencioso onde moram nossas dores não verbalizadas, um lamento que só Deus e o inconsciente escutam.

Mesmo assim, continuo acreditando na força da comunhão.
Não aquela comunhão grandiosa, teatral, performática,
mas a mínima:
a que nasce num abraço que acolhe, num sorriso cansado que, mesmo exaurido, oferece presença,
num “estou aqui” que serve como ponte entre a minha falta e a falta do outro.

É essa tessitura fina, quase imperceptível aos olhos apressados, que me sustenta quando tudo parece ruir.
E talvez aí resida o verdadeiro milagre:
mesmo ferido, encontro cura quando escolho amar,
quando permito que o amor funcione como pulsão de vida, nó simbólico capaz de reatar os fios soltos da minha história.

Eu, tão humano, tão atravessado pelo desejo e pela falta, descubro, sempre de novo, que continuo sendo eternamente amado.

E isso basta para permanecer de pé, laço por laço,
gesto por gesto,
reconstruindo devagar
o que meu coração insiste em chamar de vida
e o inconsciente, silenciosamente, ajuda a sustentar.


04/12/25
Mogi das Cruzes às 19:03h.

Bom dia com poesia!Por favor, me entenda.Por favor, me entenda. Eu não sou feito de tempos comuns. Há algo em mim que nã...
01/11/2025

Bom dia com poesia!

Por favor, me entenda.

Por favor, me entenda. Eu não sou feito de tempos comuns. Há algo em mim que não cabe nas horas marcadas por ponteiros ou calendários. Meu relógio é traço divino, pulsa na cadência do Eterno.

Caminho onde a luz me conduz, mesmo quando os passos tremem ou o chão parece desaparecer. O amor de Deus é meu mapa e meu destino.

Aprendi que fé não é fuga, é direção. Ela é minha bússola silenciosa, apontando sempre lá para o norte da esperança.

Enquanto muitos correm atrás do que passa, eu velejo em mares de oração. É ali, entre um sopro e outro do vento divino, que descubro novas auroras.
Cada passo é um amanhecer; cada olhar, uma revelação do invisível.

Não tenho tempo para o vazio. O mundo insiste em me oferecer distrações, luzes que piscam, vozes que prometem muito e entregam pouco.

Mas eu já vi de perto o que acontece quando a alma se cala e o coração se perde. Prefiro o fogo da fé, mesmo que arda, ao frio da apatia que apaga o sentido.

Há um tipo de silêncio que é santo, aquele em que Deus fala e, há outro que é deserto, onde o espírito se esconde. Eu busco o primeiro. O silêncio que clama, o silêncio que ora, o silêncio que acolhe.

Sou um viajante da eternidade. Trago nas mãos o pó dos caminhos e nos olhos o brilho de quem viu "milagres pequenos," quase invisíveis, mas suficientes para reacender a esperança.

Vivo num tempo em que a pressa se tornou religião, mas prefiro caminhar devagar, porque sei que a eternidade não tem atalhos.

E mesmo que às vezes pareça miragem, sigo crendo. Creio porque já provei da Graça que não se explica, apenas se vive.
Creio porque no meio da dor encontrei sentido, e no meio do caos, encontrei paz.

Em Deus, me sinto pleno e completo, como quem enfim compreendeu que o tempo humano é apenas sombra do tempo de Deus.

E se alguém ainda não entende meu compasso diferente, apenas peço: por favor, me entenda, eu apenas sigo o relógio da fé.

Zique...
demasiadamente humano, eternamente amado.

06/08/2025

🖤 O Trauma e a Palavra que Cura

🕊️ “O trauma é aquilo que sobrevive em silêncio dentro de nós até que possamos dar palavras a ele.”

1️⃣ O trauma não é apenas o que aconteceu.
É o que ficou sem explicação.
É o que não coube em palavras...
E por isso, se escondeu no corpo, nos sonhos, nos silêncios.

2️⃣ Ele se disfarça de culpa, ansiedade, afastamento, estafa.
Muitas vezes, a dor nem parece ter nome, mas ela insiste em voltar.
Como um eco que não cessa.

3️⃣ Freud nos ensinou que o trauma é um excesso.
Lacan disse que é o que não pôde ser simbolizado.
A Bíblia já dizia:
📖 “Como águas profundas são os propósitos do coração, mas o homem de entendimento sabe como trazê-los à tona.” (Provérbios 20:5)

4️⃣ Trazer à tona é escutar com paciência.
É falar ainda que tremendo.
É encontrar alguém que ouça de verdade, sem pressa nem julgamento.

5️⃣ A palavra é cura.
Quando falamos, recolocamos o trauma em seu lugar: o passado.
E abrimos espaço para viver o presente com mais liberdade e verdade.

🌱 Falar cura. Escutar cura.
Na escuta certa, o que era silêncio vira sentido.

✍🏼 Texto de inspiração psicanalítica e espiritual.
🔁 Compartilhe com quem precisa transformar dor em palavra.

Zique Oliveira - Analista/Mentor Espiritual.
1191147-1589

01/08/2025

POR QUE A PSICANÁLISE É ESSENCIAL PARA A SAÚDE MENTAL?

A psicanálise é uma ferramenta poderosa no cuidado da saúde mental porque vai além dos sintomas: ela investiga as raízes inconscientes do sofrimento emocional.

Por meio da escuta qualificada e do diálogo profundo, esse processo ajuda você a:
- Reconhecer padrões repetitivos.
- Elaborar traumas.
- Construir uma compreensão mais verdadeira de si mesmo.

Diferente das soluções rápidas, a psicanálise promove transformações duradouras. Em um espaço seguro e sem julgamentos, você é acolhido para falar livremente, o que:
✅ Fortalece sua autonomia emocional.
✅ Melhora os relacionamentos.
✅ Traz mais sentido à vida.

"Cuidar da mente é essencial. E a psicanálise é um caminho valioso nesse cuidado."

Se deseja se conhecer melhor, lidar com emoções e viver com mais equilíbrio, o Instituto Geração Vida tem uma equipe preparada para te acompanhar!

💡 Benefícios:
💰 Valores acessíveis
📞 Agendamento: (11) 91147-1589
👤 Responsável: Zique Oliveira (Analista/Coordenador do Instituto Geração Vida).

Endereço

Rua Berly Azevedo Vieira, 44
São Paulo, SP
08160500

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Nossa história

COM 25 ANOS DE EXPERIÊNCIA NO CUIDADO COM SERES HUMANOS, O GERAÇÃO VIDA SE DESTACA POR TRATAR CADA SER COMO ÚNICO EM SUA TOTALIDADE, VALORIZANDO SUAS QUALIDADES E FAZENDO O AMOR PRÓPRIO E AO PRÓXIMO BROTAR EM CADA UM DESSES SERES.

Telefone: 11995628868 - falar com Ezequiel Oliveira