Renan Pimenta Psicólogo

Renan Pimenta Psicólogo Atendimento presencial e on-line (CRP 06/163709)

diante de tudo que a gente tem visto (violência, misoginia, discursos cada vez mais legitimados) eu me peguei voltando p...
31/03/2026

diante de tudo que a gente tem visto (violência, misoginia, discursos cada vez mais legitimados) eu me peguei voltando pra minha monografia.

não como quem revisita um trabalho antigo, mas como quem tenta entender de onde vem o próprio olhar.

na época, o tema já incomodava. não era confortável, não era simples, e talvez por isso mesmo tenha sido impossível ignorar. o que começou como escolha virou pergunta, e depois virou algo mais difícil de nomear: como sustentar, na clínica, encontros atravessados por violência, desigualdade e abandono sem reduzir isso a teoria ou técnica?

quando fui pra campo, qualquer ilusão de distância caiu. deixou de ser um tema. virou realidade viva, dessas que deslocam o corpo antes mesmo de qualquer elaboração. e, com isso, veio uma sensação que até hoje não se resolve fácil: a impotência.

acho que foi ali que algo começou a se reorganizar. não no sentido de “dar conta”, mas de suportar. suportar o que não fecha, o que não responde, o que insiste. sustentar o encontro sem sair correndo dele.

a Nise entrou nesse processo desse lugar. não como resposta pronta, mas como uma ética possível. a ideia de que o cuidado não se sustenta só na técnica, mas na presença, no afeto, na capacidade de estar diante do outro sem apagar o que é incômodo.

esse trabalho me esgotou, mas também me deslocou. me mostrou que permanecer também é uma forma de trabalho clínico.

e, olhando pro cenário de hoje, eu sei que aquele tema não ficou no passado. ele continua aqui, atravessando a clínica, a cultura, os discursos, os corpos.

talvez por isso algumas histórias não saem da gente. porque não são só histórias. são estruturas. e, quando você começa a ver, entende que não dá pra fingir que é distante.

exista à sua forma…
30/03/2026

exista à sua forma…

25/03/2026

se você desligar o seu celular, 2009 ainda está lá fora

20/03/2026

e se o problema não for o fim, mas a fantasia de que algo deveria durar pra sempre?

talvez viver por períodos não seja perda.
talvez seja a única forma honesta de permanecer.

nem toda violência começa com agressão.muitas começam antes.começam quando controle é confundido com cuidado, quando ciú...
08/03/2026

nem toda violência começa com agressão.

muitas começam antes.

começam quando controle é confundido com cuidado, quando ciúme vira prova de amor e quando a autonomia de uma mulher passa a ser percebida como ameaça.

na clínica, não é raro encontrar histórias em que o conflito não nasce do amor, mas da dificuldade de lidar com frustração, rejeição ou perda de controle.

quando uma masculinidade é construída sobre domínio, a liberdade de uma mulher pode ser sentida como provocação.

e quando a identidade masculina depende de manter esse domínio, qualquer tentativa de autonomia feminina pode ser percebida como ameaça.

o problema é que essa dinâmica não aparece apenas nas relações individuais.

ela também aparece nos números.

no brasil, cerca de 4 mulheres são assassinadas por feminicídio todos os dias.

mais de 1.400 mulheres foram vítimas desse crime em um único ano.

e mais de 1 milhão de ocorrências de violência contra mulheres são registradas anualmente no país.

em grande parte dos casos, o agressor é alguém próximo: parceiro, ex-parceiro ou alguém do círculo íntimo da vítima.

isso nos obriga a olhar para além da ideia de “casos isolados”.

talvez a pergunta mais difícil não seja apenas como proteger mulheres.

talvez a pergunta seja outra:

que tipo de masculinidade estamos produzindo?

alguns vão ler esse post como exagero.

outros vão reconhecer que essa dinâmica aparece com mais frequência do que gostaríamos de admitir.

referências

fórum brasileiro de segurança pública — anuário brasileiro de segurança pública (2024)

atlas da violência — ipea / fórum brasileiro de segurança pública

conselho nacional de justiça — dados sobre medidas protetivas e violência doméstica

essa é uma das maiores ciladas que eu conheço: acreditar que existe uma decisão certa esperando ser encontrada.por muito...
06/03/2026

essa é uma das maiores ciladas que eu conheço: acreditar que existe uma decisão certa esperando ser encontrada.

por muito tempo, o que mais me paralisava era isso. eu ficava tempo demais tentando descobrir qual era o caminho “correto”, como se existisse uma escolha segura, uma versão da vida onde eu não erraria.

mas a verdade é que quase nunca funciona assim.

não existe decisão perfeita. existe decisão assumida.

eu preciso me lembrar disso o tempo todo, porque a tentação de procurar o caminho certo ainda aparece. ela promete segurança, promete controle… mas quase sempre cobra um preço alto: a paralisia.

hoje eu tento viver com um mantra bem simples.

não existe o jeito certo. existe o meu jeito.

e junto com isso vem algo importante também: a responsabilidade de sustentar as consequências de ser exatamente quem eu sou.

às vezes a liberdade começa quando a gente para de procurar o caminho certo e começa a sustentar o próprio caminho.

a maior distorção sobre psicanálise é pensar que ela trabalha como arqueologia.como se houvesse algo escondido esperando...
04/03/2026

a maior distorção sobre psicanálise é pensar que ela trabalha como arqueologia.

como se houvesse algo escondido esperando ser descoberto.

mas o inconsciente não é um depósito. ele está na forma como você fala. na escolha das palavras. nos tropeços.
nos padrões que se repetem.

Freud abriu a fenda.
Lacan deslocou o eixo.

o que está em jogo não é “lembrar o trauma”. é escutar a estrutura que já está operando.

e isso exige algo raro hoje:
tempo para falar.

——

se isso te deslocou um pouco, comente:
“estrutura”

(e eu já sei que metade das pessoas vai odiar essa palavra.)

muita gente acha frustrante quando o psicólogo responde uma pergunta com outra pergunta. mas existe um motivo: terapia n...
26/02/2026

muita gente acha frustrante quando o psicólogo responde uma pergunta com outra pergunta. mas existe um motivo: terapia não é sobre receber respostas prontas - é sobre você descobrir suas próprias respostas.

quando eu simplesmente te digo o que fazer, você pode até seguir no momento. mas quando o paciente constrói esse entendimento, a mudança é genuína e duradoura. porque vem de dentro, não de fora.

meu papel não é ser seu conselheiro. é te ajudar a acessar a clareza que já existe em você. 🤎🫂

a análise não promete que o sofrimento desapareça. ela permite que ele se transforme.o que muda não é o fato de algo ter...
24/02/2026

a análise não promete que o sofrimento desapareça. ela permite que ele se transforme.

o que muda não é o fato de algo ter acontecido,
mas o lugar que isso ocupa na sua vida psíquica.

sofrer menos, muitas vezes, é não girar em torno da mesma dor. 🤎

22/02/2026

os padrões e repetições são temas muito presentes dentro da psicanálise. e claro, dentro das sessões clínicas também.

apesar dos conceitos parecerem confusos, na verdade, permitem que ciclos sejam quebrados e ganhem um novo significado.

me conta como tem sido sua jornada por aí? 🤎✨

Endereço

São Paulo, SP

Telefone

+5511974208434

Site

http://renanpimenta.com.br/

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