10/10/2022
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Deixa eu te contar um segredo inconveniente? A sua autoestima não é o caminho para a sua liberdade 😯
E sabe por quê? Porque a origem da nossa eterna insatisfação com nosso corpo, aparência, carreira, vida familiar/doméstica não começa e termina na nossa cabeça.
A solução dos nossos problemas não está na nossa autoconfiança, não basta que a gente se ame e toda a opressão magicamente desaparecerá. Porque o problema é estrutural, porque os estímulos para que nos odiemos, para que nos achemos insuficientes, vêm da mídia.
Pensa comigo: se você estivesse plenamente satisfeita com que é, você consumiria a mesma quantidade de produtos? Você gastaria tanto tempo tentado ser mais bonita, mais competitiva, mais saudável?
O capitalismo é ardiloso, amigas. E se a gente conseguiu desviar de algumas balas, ele manda outras. A mais nova munição foi chamada em um livro recente de Confidence Culture (ou A Cultura da Autoconfiança) e ela é muito parecida com a estratégia neo-ambiental de colocar a culpa no consumidor pelo aquecimento global e obrigá-lo a tomar banhos de menos de 5min (quando os responsáveis pelo rolê são, na verdade, as grandes corporações).
É uma estratégia para culpar mulheres por suas próprias decepções, convencê-las de que toda sua dor e seu sofrimento existe apenas na sua própria cabeça. E que se você tomar coragem - e comprar o produto/tiver a atitude perfeita para se sentir mais confiante, todos esses problemas magicamente desaparecerão.
O problema é que, além de colocar a culpa nas mulheres, nenhum produto ou campanha some com a pressão para que mulheres tenham "boa aparência" de acordo com o padrão pré-definido pela sociedade. Ainda é "obrigatório" que mulheres pareçam bonitas, pareçam mais novas, tenham pele maravilhosa, cabelos sedosos e dentes perfeitos em busca da solução de todos os problemas: a autoestima em dia.
Percebe? Mesmo que essas campanhas e produtos sejam programadinhos para nos deixarem felizes e nos darem a impressão de que estamos no caminho para sermos a melhor versão de nós mesmas, eles ainda se valem dos mesmos princípios que sempre nos deixaram infelizes.