Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern

Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern Endocrinologia e Metabologia

Dr. Bruno Halpern
CRM-SP 124.905
(2)

Informações de saúde fornecidas pelo Dr. Bruno Halpern
Atual Editor da Revista "Evidências em Obesidade" da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Federación Latinoamericana de Sociedads de Obesidade (FLASO), representando o Brasil na entidade
Chefe do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho
Gradua

do em Medicina, Especialista em Clínica Médica e Endocrinologia - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/ Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e sócio ativo dessa sociedade

O foco da página é em Metabolismo (Obesidade, Diabetes, Colesterol e risco cardiovascular) e Endocrinologia Geral

Uma situação comum que pessoas com obesidade vivem é receber conselhos alimentares de pessoas sem nenhuma formação para ...
22/04/2026

Uma situação comum que pessoas com obesidade vivem é receber conselhos alimentares de pessoas sem nenhuma formação para tal somente pelo fato de serem magras, como se isso lhes desse um phD em Nutrição ou Endocrinologia.

👉Isso também é conhecido como Viés Intelectual, em que pessoas acreditam que suas opiniões sobre um assunto são válidas só porque não sofrem com ele.

👉Nesse sentido, lembro que há excelentes pesquisas mostrando que o peso corporal tem forte base genética, tanto para cima como para baixo, e portanto, a magreza nada tem a ver com conhecimento, cognição ou superioridade moral. Digo mais, muitas pessoas com obesidade que lutam a vida inteira com o peso, tem uma visão sobre alimentação muito mais clara do que pessoas que nunca se preocuparam com isso e apenas acham que o que fazem é correto, afinal “nunca teve problema com o peso”. Aliás, mesmo que entendessem, não deveriam palpitar sobre o que não lhes foi pedido.

👉Essa mania de pessoas darem palpite sobre os outros prejudica um bom tratamento da obesidade, fazendo muitos abandonarem um plano ou por acreditar que o caminho é outro seja para não sofrer mais preconceito (ex: tomar uma medicação ou considerar cirurgia).

👉Obesidade é uma doença com tratamento muito mais difícil que se imagina: não confie em leigos que acham que entendem de nutrição ou metabolismo; busque profissionais sérios e sigam o plano definido. Eu sempre digo aos meus pacientes que sofrem com isso para “passar a responsabilidade” para mim: diga que está fazendo tratamento, que confia em seu médico e que ele entende mais do assunto do que a pessoa que está opinando, encerrando a questão! Costuma dar certo!

Ref: McKay. Genetic architecture of human thinness compared to severe obesity. Plos Genetics 2019

O preconceito com a obesidade e com as pessoas com obesidade é corriqueiro na nossa sociedade, e pode ocorrer em diverso...
19/04/2026

O preconceito com a obesidade e com as pessoas com obesidade é corriqueiro na nossa sociedade, e pode ocorrer em diversos cenários, seja por profissionais de saúde, no trabalho e por vezes na própria casa

👉Assim, por incrível que pareça, há quem acredite que humilhar, julgar, apontar o dedo, ou algo do tipo irá ser benéfico e fazer a pessoa “perceber que precisa mudar”.

👉Pensamentos desse tipo, no entanto, além de cruéis, tem resultado diametralmente oposto: há boas evidências na literatura que pessoas que sofrem mais preconceito pioram seus marcadores de saúde, por estresse, estigma internalizado ou até por medo de buscar ajuda.

👉Uma das consequências é inclusive a redução de exercício físico, que já foi comprovada em vários estudos. Pessoas que sofrem mais preconceito, independente do peso, ou outros marcadores sociais e de saúde, tendem a ser menos ativos fisicamente.

👉Uma das razões pode ser o medo de ser ridicularizado ou receber olhares em uma academia ou esporte; assim como podem se sentirem mais deprimidos e sem forças para se exercitar, e com maiores níveis de estresse. Outro fenômeno conhecido é o “estigma internalizado”, isto é, ao ouvirem que são “preguiçosos”, “sem força de vontade”, etc, a pessoas passa a se reconhecer nesses esteriótipos, acreditando que realmente são assim.

👉Um estudo com adolescentes mostrou até 30 minutos a menos de qualquer atividade medida por acelerômetro entre as que sofriam preconceito, e em adultos, alguns mostraram redução de até 25%.

👉Ou seja, a gordofobia (que muitos negam existir), além de eticamente inaceitável, é também prejudicial à saúde; e posturas acolhedoras, em qualquer ambiente, sempre serão mais efetivas que posturas julgadoras ou confrontativas!

Ref: Pearl. Is weight stigma associated with PA? A Systematic Review. Obesity 2021

17/04/2026

Medicamentos para obesidade durante 1- tentativa de engravidar 2- não proteção adequada com risco de gestação 3- durante a gestação e 4- na amamentação; não devem ser utilizados, pois os riscos são desconhecidos. Entenda mais no vídeo.

O sono ruim é um fator de risco conhecido para uma série de doenças, como obesidade e diabetes, inclusive com estudos su...
16/04/2026

O sono ruim é um fator de risco conhecido para uma série de doenças, como obesidade e diabetes, inclusive com estudos sugerindo que, ao menos no diabetes, ele tem mais influência que o próprio sedentarismo.

👉Um novo estudo, publicado na revista JAMA Netw Open joga luz sobre essa relação ao avaliar a trajetória de glicemia de mais de 1000 pessoas na China, usando monitores de glicemia três vezes em um espaço de seis anos, sendo que a avaliação de sono foi feita dividindo os grupos entre aqueles com privação de sono grave (menos de 4,7 hs), moderada (

É muito comum pessoas com obesidade serem aconselhadas a perder peso “só com a força de vontade”. E aqui, lembrando que ...
15/04/2026

É muito comum pessoas com obesidade serem aconselhadas a perder peso “só com a força de vontade”. E aqui, lembrando que o obesidade é uma doença crônica que requer tratamento, ressalto q “força de vontade” não entra no rol dos tratamentos possíveis. Vamos lá.

👉”Força de vontade” a princípio seria algo realizado contra seu desejo, por um objetivo maior. Assim, eu vou numa festa cheia de doces q adoro e resisto firmemente ou tenho fome à noite e vou dormir mais cedo para ver se ela passa. Isso até pode funcionar por períodos curtos de tempo, mas é impossível que funcione cronicamente, além de impactar negativamente em qualidade de vida, pois é algo feito de forma contrário aos seus desejos.

👉Ok, isso é diferente de motivação (há confusão entre esses conceitos), que pode funcionar melhor, em que a razão pela qual quero aquele objetivo (emagrecer) passa a ser maior que os obstáculos e consigo seguir, não à revelia, mas pois tenho percepção de benefícios. Acontece que a motivação também tende a reduzir em algum momento, ou os obstáculos se tornam muito grandes (no caso da obesidade, muitos desses obstáculos são fisiológicos, como o próprio aumento de fome e desejo de comer). Então, você também não tratará uma doença crônica só com motivação, pois a motivação não é infinita, embora uma estratégia comportamental seja sim sempre buscar novos objetivos quando ela diminui.

👉É por isso que devemos buscar estratégias de longo prazo que possam ser aprendidas e usadas e não dependam de “força de vontade” e que hábitos criados possam fazer com que, com ou sem motivação, você consiga manter uma certa estabilidade. Isso significa tornar alguns hábitos automáticos, como fazer exercício físico, se pesar com frequência, ter o mínimo de alimentos para se comer com a mão em casa, evitar calorias líquidas (sucos ou refrigerantes normais), etc. E também entender que, sendo obesidade uma doença crônica, não há nada de errado em ter acompanhamento crônico, usar medicação para controle da fome (se indicado) ou considerar cirurgia (em casos de IMCs mais altos).

👉Achar que “força de vontade” basta é não entender nada nem de fisiologia da obesidade nem mesmo de comportamento!

Essa é uma máxima fundamental no tratamento da obesidade, que precisa ser bem compreendida. 👉Quando falamos q o exercíci...
14/04/2026

Essa é uma máxima fundamental no tratamento da obesidade, que precisa ser bem compreendida.

👉Quando falamos q o exercício físico regular é fundamental num tratamento, alguns imaginam q, ao iniciá-los, terão rápida, e ao não ver isso, se frustram e o largam ou acreditam ter metabolismo lento.

👉O q vários estudos mostram, no entanto, é q o exercício físico costuma ter um impacto imediato limitado, e a perda de peso inicial tem mais relação com a restrição calórica.

👉Claro q o tipo e frequência do exercício também importam, mas meu comentário é mais geral pois vários estudos com diferentes tipos de exercício tendem a mostrar resultados similares. Claro também q o exercício pode ser motivador: se se sente melhor fazendo, melhora inclusive o padrão da alimentação.

👉De toda forma, se é possível, como disse, emagrecer sem exercício, é muito difícil manter o peso sem ele. E manter o peso é exatamente a parte mais difícil e mais duradoura do tratamento.

👉Com exercícios, você melhora sua composição corporal e, ao ter mais músculos, terá também um gasto metabólico maior, além, é claro, do gasto energético do próprio exercício e também porque ser fisicamente ativo melhora nossos sistemas internos de saciedade (um assunto complexo, tema de um outro post), além de permitir sempre novas motivações.

👉Estudos mostram que cerca de 90% das pessoas bem-sucedidas em manter o peso no longo prazo são fisicamente ativas (média de 300min/semana ou pelo menos o dobro do que se fazia antes do tratamento) e que o grau de exercício prediz aqueles com menores recuperações de peso no longo prazo. Mais: quando perguntados, os 10% que não são fisicamente ativos, respondem que compensam a falta de exercício com um controle alimentar absoluto, sem exceções em festas, férias e afins (imagino q a maioria não queria fazer parte desse grupo). Além disso, muitos dos benefícios do exercício na saúde também são independentes da perda de peso.

👉Assim, mesmo q o exercício não induza uma perda rápida, quanto antes de começar, mais chance de incorporar como rotina no longo prazo!

13/04/2026

Tratamento da obesidade segue sendo estigmatizado. Um dos maiores exemplos é de que quando as pessoas tem algum outro problema de saúde muitos interrompem ou tratamento ou são orientados a interromper, como se esse tratamento fosse uma “perfumaria”. Vocês já viram ou viveram situações assim?

Em minha recente viagem à China, vi essa frase de origem budista, e no mesmo momento, me recordei de conversas que tive ...
13/04/2026

Em minha recente viagem à China, vi essa frase de origem budista, e no mesmo momento, me recordei de conversas que tive com diversos pacientes sobre o tratamento da obesidade, a busca por um “peso-ideal” e um sentimento de “eterno descontentamento”.

👉Em primeiro lugar, é extremamente comum ver pessoas que estão sempre perseguindo um ponto adiante e descontentes, independente do resultado. Antigamente, com tratamentos menos potentes, frustração com resultados que não geravam a melhora de saúde e qualidade de vida eram mais comuns, mas agora vejo pessoas que atingem seus objetivos iniciais, mas seguem descontentes, querendo sempre perdas maiores. Ou outras que podem até não chegarem no que chamavam de “ideal”, mas que apesar de terem grandes melhoras, se prendem ao que não conseguiram ao invés do que o que conseguiram. Ou outros que sim melhoram durante a perda, mas voltam a se inquietar durante a manutenção, por não terem encontrado o que procuravam.

👉Nesse sentido, acho que muitos acreditam que existe um ponto de chegada em que tudo melhorará automaticamente, quase magicamente, e perdem a capacidade de evoluir e aproveitar a jornada em si.

👉Um estudo recente mostrou que embora o tratamento efetivo da obesidade melhore a qualidade de vida, questionários de “humor positivo” retornam ao basal após 2 anos, mostrando que o objetivo de tratar o peso não é te deixar mais feliz, mas mais saudável e funcional. Cuidado para não estar eternamente descontente, sempre procurando um ponto novo; isso claro, não é sobre obesidade, mas sobre todos os aspectos da vida!

11/04/2026

A obesidade tem forte influência genética e 80% dos genes associados a ela estão no cérebro. Existem mais de 800 regiões conhecidas nos nossos genes que influenciam o comportamento alimentar. Não podemos achar que só existe um jeito de tratar a obesidade; ela é muito heterogênea! Ref: Cole. Comprehensuve genetic analysis of dietary habits in UK Biobank identifies hundreds of genetic associations. Nature Communications 2020

Existe muita discussão sobre o papel do “índice glicêmico” dos alimentos, isso é, a capacidade de cada alimento de aumen...
10/04/2026

Existe muita discussão sobre o papel do “índice glicêmico” dos alimentos, isso é, a capacidade de cada alimento de aumentar a glicemia e a insulina no sangue. Esse conceito tem sua validade no diabetes, em que é ideal evitar alimentos que tenham alto índice glicêmico e preferir os com baixo, para evitar picos, e existe muita discussão na literatura sobre a importância do índice glicêmico em população geral, como seu efeito em maior fome, e até em risco cardiovascular.

👉Nesse sentido, é importante entender que o IG se refere uma média, e diferentes pessoas pode ter respostas diferentes ao mesmo alimento, mesmo com as mesmas condições clínicas. Um estudo clássico de 2015 demonstrou isso ao mostrar que, embora o aumento médio :da glicemia com o pão foi 43mg/dl, houve pessoas com aumento de apenas 15, e outros de 80. Mais ainda, ao avaliar outros alimentos se viu que quem sobe muito com um alimento não é necessariamente quem sobe com o outro, e isso provavelmente tem relação com a flora bacteriana de cada um! Para o diabetes, isso tem grande importância, pois mostra que cada paciente deve monitorar sua glicemia e ver quais alimentos são melhores ou piores para ele!

👉Ja a discussão sobre o IG fora do diabetes é polêmica: um novo estudo controlado demonstrou que dietas com moderado e baixo índice glicêmico foram de fato associadas a um consumo alimentar prospectivo menor, comparado com dieta com alto IG em pessoas saudáveis. Porém, analisando os indivíduos nas dietas não houve qualquer relação entre glicemia, insulina e aumento da fome ou consumo alimentar, sugerindo que outros mecanismos explicam o resultado. Isso é importante para deixarmos de lado o discurso, como alguns fazem, de que “desejos alimentares” são frutos de picos de insulina. Há muitos outros fatores que podem explicar. E o impacto de medir glicemia em pessoas sem diabetes para avaliar esses picos é ainda desconhecido, e vejo que em alguns gera muita preocupação exagerada!

Ref 1. Zeevi. Personalized nutrition by prediction of glycemic responses. Cell 2015/ Ref 2. Liu. Testing the CIM model: short term metabolic responses to consumption of meals with varying GI. Cell 2025

09/04/2026

Estudo fascinante na Nature mostrando que alterações genéticas podem explicar diferenças de perda de peso e tolerabilidade com os agonistas de GLP1 (como a semaglutida) e agonistas duplos (tirzepatida). Ou seja, diferenças de respostas são também biológicas e não apenas comportamentais; e pessoas podem ter efeitos diferentes com um ou outro remédio a depender dos genes! Ref: Su. Genetic predictorsof GLP1RA weight loss and sode effects. Nature 2026

Basta conversar com qualquer pessoa com obesidade e certamente ela te contará sobre preconceito que já recebeu, e isso e...
08/04/2026

Basta conversar com qualquer pessoa com obesidade e certamente ela te contará sobre preconceito que já recebeu, e isso em qualquer ambiente: na família, no trabalho, ambientes sociais, etc.

👉O que mais impressiona é que além de sofrerem preconceito pela doença que tem, e que não escolheram (lembrem-se sempre: obesidade não é um “estilo de vida” ou uma “escolha”), também existe muito preoconceito com quem busca tratamento!

👉Isso ocorre em quem busca orientação profissional, com medicações, e com cirurgia.

👉Um dado que explica muito bem isso vem de uma pesquisa americana que mostrou que 90% das pessoas que buscaram cirurgia bariátrica ouviram de alguém (muitas vezes sem ter pedido qualquer opinião) que aquele era “o caminho fácil” e eles deveriam “tentar mais forte”. Além disso, 50% de quem faz cirurgia não tem coragem de contar que irá fazê-lo para além de sua família mais próxima. Um dado brasileiro mostrou que a ideia do “caminho fácil” é muito forte.

👉Lembremos que temos boas evidências que a cirurgia, quando bem indicada, reduz diversas doenças associadas à obesidade, inclusive eventos cardiovasculares, câncer e aumenta a expectativa de vida. Mais ainda: optar pela cirurgia não é fácil: é aceitar que terá uma mudança anatômica cronicamente em você, com necessidade de reposição de vitaminas, e o acompanhamento multidisciplinar segue importantíssimo!

👉Quando dizemos que o estigma afeta diretamente a saúde é fácil ver porque: muitas pessoas não buscam ou não são oferecidas tratamentos eficazes para obesidade devido a ele.

👉E quando dizemos que a obesidade é uma doença de tratamento complexo isso vai muito além da fisiologia!

Dados retirados do artigo: Brewis, Trainer. Nature 2024

Endereço

Agendamento De Consultas Presenciais Ou Online:095
São Paulo, SP
11996424

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern:

Compartilhar

Categoria