08/03/2026
No Dia Internacional da Mulher, deixo meus parabéns a todas, e deixo também uma reflexão sobre desigualdades.
👉Sempre discuto que a obesidade é uma doença crônica, com grande componente biológico e genético, que explicam porque algumas pessoas podem ser mais suscetíveis a outras para ganho de peso dentro de um mesmo contexto. Porém, para explicar curvas de crescimento da obesidade no mundo nas últimas décadas, temos que entender que o contexto ambiental e social que vivemos impactam fortemente sobre esse risco, e os dados do Atlas Mundial de Obesidade mostram isso.
👉Especificamente em relação à diferença de gênero, um dado relevante salta aos olhos: em países de baixa renda, a proporção de mulheres com sobrepeso ou obesidade em 2015 era de 26% projetado para 37% em 2030, enquanto a de homens era de 19%, e projetado para 25%. Já em países de alta renda, esses números se revertem, com 61% de homens e 50% de mulheres com sobrepeso em 2016, e uma projeção de 66% e 53% em 2030.
👉No Brasil, o último dado do IBGE de 2019 mostrou que 30% das mulheres tinham obesidade (e 63% sobrepeso), versus 23% dos homens (60% sobrepeso).
👉Isso demonstra aspectos sociais: o culturalmente aceito excesso de trabalho das mulheres (profissional, doméstico e materno), que não permite tempo livre ou escolhas, levando ao sedentarismo e consumo excessivo de ultraprocessados, é mais visível e perverso em população de baixa renda.
👉Entender os determinantes sociais e econômicos de saúde é fundamental, para não seguirmos repetindo a ladainha que “tudo se resume a escolhas”. E o papel de profissionais de saúde em uma divulgação responsável sobre o tema é fundamental!
Ref: World Obesity Atlas 2025