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"O fato de que o sujeito revive, rememora, no sentido intuitivo da palavra, os eventos formadores da sua existência, não...
25/06/2023

"O fato de que o sujeito revive, rememora, no sentido intuitivo da palavra, os eventos formadores da sua existência, não é em si, tão importante. O que conta é o que ele disso reconstrói. " (Lacan, Sem I, p.23)

Sheila Heuser
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Somos frutos de uma época muito particular, um momento em que somos atravessados por palavras que circulam demasiadament...
02/06/2023

Somos frutos de uma época muito particular, um momento em que somos atravessados por palavras que circulam demasiadamente por ai, como “iniciativa”, “produtividade", "eficiência”, “frexibilidade”, “projeto”, “empreendedorismo”, entre outras que enaltecem o caráter individual do “fracasso” ou “sucesso”.

Sucesso e fracasso passam a ser colocados e associados diretamente à "capacidade" do indivíduo em obter bons resultados financeiros, acesso ao consumo de bens e status social.

No livro “Sociedade do Cansaço”, o autor sul-coreano Byung-Chul Han nos relatar sobre o momento da nossa história onde ocorre a sobrevalorização de indivíduos hiperativos, altamente produtivos, de “alta performance”.

Diante desse momento em que somos engolidos por uma lógica liberal, capitalista e individualizante, reflito sobre a importância e necessidade de criarmos espaços para as pausas e descanso.

Precisamos nos atentar e relembrar de que não dá para produzirmos o tempo todo. Somos limitados na nossa capacidade cognitiva, intelectual, afetiva, emotiva e produtiva. Para além das imposições individualizantes, a maior parte das ocorrências da vida estão para além da nossa capacidade.

Por isso, meu convite é para nos lembrarmos da importância das pausas. Do silêncio, do descanso. Às vezes precisamos tomar distância, parar para descansar e assim poder enxergar melhor sobre nossa vida, a realidade, nossas questões.

Criar espaço para parar de vez em quando, descansar, silenciar para depois poder refletir e não sermos direcionados, arremessados e esmagados pelas “convenções” e “imposições” da nossa era.

Desejo uma boa pausa por ai.

Sheila Heuser
falarpraelaborar

No 29.05 completei mais um ano de vida e no embalo das comemorações resolvi fazer um relato pessoal por aqui. Caminhei d...
31/05/2023

No 29.05 completei mais um ano de vida e no embalo das comemorações resolvi fazer um relato pessoal por aqui.

Caminhei do persevero ao percevejo. Mas obviamente e não sem antes estar presa, rodando, repetindo mil vezes a minha história, no entorno do meu próprio giro significante e acompanhada de sofrimento, dor e lamentações.

Seguia presa no meu “persevero” e crente que perseverava rumo a um destino de menos sofrimento... No centro do eixo eu acreditava haver um eu. Um eu “autônomo”, regado à consciência e sabedoria, “uma senhora do meu próprio destino”.

E perseverando, lutando, seguindo pelos caminhos mais árduos e difíceis possíveis, para provar a mim mesma o quão lutadora, guerreira eu era, voltava sempre ao mesmo lugar de dor.

Até um dia, destes em que somos sonhados, apareceu em sonho um percevejo. E do PER-SE-VERO (por si só verdade), ao PER-SEVERO (do verbo perseverar, lutar) passando pelo SEVERO (duro consigo mesmo), passei a enxergar um PER-CE-VEJO (inseto) ou VEJO (ver algo). Pude ver, transmutado quase sobre o mesmo eixo da palavra persevero um percevejo.

A imagem do percevejo era nítida e clara. Aliás, não se tratava de apenas um percevejo. Eles brotavam aos milhões. Fui pega por uma invasão de percevejos. Poder ver nitidamente o “percevejo” após milhares de vezes ter repetido o “persevero” fez algo mudar em mim.

Vi no percevejo a impossibilidade de seguir por caminhos que não podem ser transformados. Finalmente pude apreender que a minha “força interior” era incapaz de mudar o mundo ou o outro. Minha consciência é, pois, limitada, meu eu não é o centro da minha própria galáxia.

Ver isso me fez enxergar o mundo de outra forma. De fato, não houve qualquer transformação na materialidade do mundo, mas uma mudança discursiva na qual finalmente pude “ver” os percevejos, saber que eles existem e estão bem ali, ao alcance dos meus olhos.

Posso seguir adiante, já não preciso mais ser tão “severo” comigo mesma, não preciso mais lutar contra meus percevejos.

Sheila Heuser
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"Diz um autor moderno que entre os homens uns têm o entendimento nos olhos, e outros os olhos no entendimento: os que tê...
29/05/2023

"Diz um autor moderno que entre os homens uns têm o entendimento nos olhos, e outros os olhos no entendimento: os que têm o entendimento nos olhos são aqueles que crêem o que somente viram ou costumam ver, os que têm os olhos no entendimento, são os que não vendo dão crédito áquilo, que se faz visível aos olhos do discurso; e como estes penetram as coisas pelas ideias, e os olhos corporais as alcançam só pelos objetos, duvidam os que carecem de discurso, somente pelo descostume da vista, como cegos á claridade do uso da razão" Bartolomeu de Gusmão (Manifesto Sumário para os que ignoram poder-se navegar pelo elemento do ar)

Assistindo a um documentário sobre cientistas brasileiros, fui capturada pela frase acima de autoria de Bartolomeu de Gusmão, brasileiro precursor na descoberta do balão a ar quente. entre outras inúmeras invenções do século XVII. Certamente alguém além do seu tempo. que viveu em um momento em que a Inquisição ainda estava presente na sociedade. Um gênio pouco conhecido e difundido entre nós, mas cuja contribuição foi imensa para os desenvolvimentos futuros da aviação.

A frase me tocou especialmente na parte "os que tem os olhos no entendimento são os que não vendo, dão crédito àquilo que se faz visível aos olhos do discurso".

Para além do que é visível, apreensível à visão, ao nosso órgão sensorial, há uma realidade construída pelo nosso discurso, pela fala, disponível no campo das ideias. E eis aqui a possibilidade da construção possível para além do nosso campo visual, sensorial, material.

Sheila Heuser
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Sigmund Freud ❤️
27/05/2023

Sigmund Freud ❤️

Buscamos saber as respostas para nossas dúvidas, sofrimentos, dores, indignações.Acreditamos haver em alguém, em algum l...
26/05/2023

Buscamos saber as respostas para nossas dúvidas, sofrimentos, dores, indignações.
Acreditamos haver em alguém, em algum lugar a solução para nos tirar de uma situação, momento, ou de uma realidade à qual nos vemos imersos.

Meu questionamento é sobre a banalização, o excesso, e especialmente o reduzido embasamento teórico, conceitual e científico das “soluções” e diagnósticos que se
propagam a torto e a direito especialmente nas redes e o quanto isso é mais gerador ainda de sofrimentos.

Não há resposta pronta, imediata, universal que possa ser “consumida” antes de se questionar o porquê de determinado sofrimento, sem antes um entendimento a
respeito da particularidade de cada sujeito, sua organização psíquica e da análise das condições sócio-econômica-política na qual estamos inseridos.

Estão sendo criadas ou sendo muito mal empregadas nomenclaturas das mais diversas, muitas vezes de modo errôneo e banal, sem senso crítico ou fundamento teórico e científico para “solucionar” um sofrimento humano, sem antes se interrogar sobre a causa, a motivação ou o porquê de tais questões.

No entanto, diante do sofrimento humano, o que vai se notando é a consolidação de uma mercado que passa a ofertar “fórmulas, soluções, respostas, diagnósticos”.

Imersos que estamos em uma lógica capitalista, imediatista, consumista e muito pouco afeita ao tempo necessário para o entendimento da dinâmica de funcionamento humano, somos invadidos por discursos que atropelam nosso próprio tempo de entendimento das coisas e somos esvaziados com nomenclaturas
rasas e “supostas” soluções.

Neste sentido, faz-se urgente a necessidade de debates, discussões a respeito do que está sendo difundido como “resposta” para o problema das pessoas para não criarmos ainda mais sofrimentos.

Da parte dos profissionais, é especialmente necessário o retorno contínuo e consistente para o estudo teórico, científico e o aperfeiçoamento contínuo e principalmente, examinar a si mesmo a respeito da ética que move o seu trabalho.

E você, o que pensa a respeito? Fique a vontade para deixar sua opinião nos comentários.

Sheila Heuser
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"No início de 1941 após a separação de Lacan e Malou, Georges Bataille indicou a Lacan um apartamento que ficaria vago à...
25/05/2023

"No início de 1941 após a separação de Lacan e Malou, Georges Bataille indicou a Lacan um apartamento que ficaria vago à Rue de Lille 5, Paris. Lacan rapidamente procedeu à comprar para nele se instalar. Permaneceu ali até a sua morte". (Roudinesco, 2008)

Em 2022, tive a alegria, satisfação e o privilégio de visitar o local, no qual não é possível entrar. Não se trata de um museu, mas é possível ver sua entrada, e a famosa placa.

No documentário "Um encontro com Lacan | Documentário sobre Jacques Lacan" a sua filha Judith nos mostra o local em que seu pai morou e realizou seus atendimentos até o final da sua vida. Vale a pena conferir:
https://www.youtube.com/watch?v=e3p48n6ShpU

Sheila Heuser
falarpraelaborar

Fontes:
- Roudinesco, Elisabeth "Jacques Lacan: Esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento (2008)
- "Um encontro com Lacan" - Documentário completo: https://www.youtube.com/watch?v=e3p48n6ShpU

A palavra “humildade” vem do latim, de “humilitas” e deriva de “húmus”, elemento da terra rico em nutrientes. No dicioná...
12/05/2023

A palavra “humildade” vem do latim, de “humilitas” e deriva de “húmus”, elemento da terra rico em nutrientes.

No dicionário encontramos os significados para a palavra humildade: 1.que tem ou aparenta humildade, simples, modesto; sem grandes pretensões; 2. que reconhece os próprios erros ou defeitos; 3. respeitoso, acatador

Humildade e humanidade, duas palavras distintas, mas tão próximas e semelhantes. Acho bonito quem se põe a questionar sobre suas “verdades”, seu conhecimento, abrindo assim, espaço para ser melhor, mais aberto a novos saberes e atitudes.

Ser humilde é poder assumir nossa condição humana de impotência, termos consciência de que precisamos dos outros para nos constituirmos e seguirmos adiante.

Albert Einstein, físico que revolucionou as bases da ciência era um exímio praticante da humildade. Será por isso que chegou tão longe?

Segundo Pepin (2018): “Os sábios são, em geral, pessoas humildes. E não é por acaso: como fracassam o tempo todo, como passam a vida corrigindo intuições erradas, nas lhes falta oportunidade de se curar da arrogância ou do fantasma da onipotência”.
Deixo um poema sobre o tema, de Cecília Meireles. ❤

"Humildade

Tanto que fazer!
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.
Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.
E os pássaros detrás de grades de chuva.
E os mortos em redoma de cânfora.
(E uma canção tão bela!)
Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem pra quê.
Sheila Heuser
Falarpraelaborar

A pessoa que procura por uma psicoterapia vem motivada por alguma dor, sofrimento, queixa à qual o psicólogo deverá escu...
10/05/2023

A pessoa que procura por uma psicoterapia vem motivada por alguma dor, sofrimento, queixa à qual o psicólogo deverá escutar e acolher.

Segundo Benjamim (1994) “o entrevistado precisa de nós. E o tempo todo precisamos estar atentos para não lhe dizer o que fazer ou como fazer. Precisamos entender as diferenças e tolerá-las, ao mesmo tempo poder encorajá-lo a encontrar seu próprio caminho e não o que outra pessoa venha a traçar.”

“A ideia da entrevista de ajuda não é fazer por ele ou lhe dar respostas, mas torná-lo autossuficiente e independente de nós, o quanto antes.”

“Ao criando uma atmosfera de confiança, onde a pessoa deverá ser integralmente respeitada. Através de um comportamento que demonstre que o consideramos responsável por si próprio, por suas ações, pensamentos e sentimentos e que acreditamos em sua capacidade de usar seus próprios recursos.”

“Assim ele poderá defrontar-se consigo próprio, com seus pensamentos e sentimentos"

Sheila Heuser
Falarpraelaborarsheilaheuser

Referências: Benjamin, A. – A Entrevista de Ajuda. Martins Fontes, São Paulo, 1994.

Rubem Alves ❤
09/05/2023

Rubem Alves ❤

A ansiedade é uma condição real que merece atenção e cuidado. Vamos falar sobre isso? Ansiedade é uma queixa muito comum...
08/05/2023

A ansiedade é uma condição real que merece atenção e cuidado. Vamos falar sobre isso?

Ansiedade é uma queixa muito comum nos dias atuais. É um sintoma que afeta milhões de pessoas todos os dias.

Hoje em dia é cada vez mais comum nos sentirmos com falta de tempo. Diante de inúmeras metas, objetivos, listas intermináveis de coisas a serem feitas e exigências cada vez maiores por resultados, não é nada incomum ouvirmos as pessoas dizendo que estão cansadas, sobrecarregadas, exaustas. Os compromissos se acumulam frente à impossibilidade de cumprirmos tantas metas, tarefas e objetivos.

O resultado disso tem sido o aumento gritante da ansiedade, da depressão, a desesperança, o tédio, para não dizer violências contra si e impulsos de destrutividade.

Frente a isso, o consumo de medicamentos tem aumentado absurdamente e nos coloca em situação cada vez mais vulnerável frente aos imperativos do mundo moderno.

Como lidar com essa situação? A resposta, longe de estar disponível nas prateleiras da internet, ou em fórmulas prontas e rápidas, exige de cada um de nós o olhar para si e para a situação particular de vida, sem esquecer jamais do imperativo cultural e do sistema no qual vivemos.

A psicoterapia e a psicanálise é um convite ao questionamento sobre nosso momento de vida, as condições nas quais estamos inseridos e uma possibilidade de construção de alternativas e caminhos menos dolorosos e com menos sofrimento.

Sheila Heuser
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“Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização...
05/05/2023

“Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro” (José Saramago)

O trabalho analítico pressupõe o respeito ao saber do sujeito, seu saber inconsciente. Freud (1905) nos alertaria sobre o fato de que a técnica analítica se assemelharia à escultura, no sentido de que o escultor opera “per via de levare” (por meio de retiradas), em contraposição ao método do pintor, que trabalha “per via de porre” (por meio de acréscimos de tinta).

Lacan nos diria: “A psicanálise é uma técnica que respeita a pessoa humana – (...) que não somente a respeita, mas só pode funcionar respeitando-a”. (Sem I, p. 45)

Neste sentido, o analista não acrescenta um novo saber, mas escuta, lê e interpreta a partir do discurso do analisando um saber oculto, o saber inconsciente. Ele o respeita no sentido de não acrescentar ou sugestionar ações, escolhas ou pensamentos.

O trabalho do analista “é intervir junto ao sujeito para que ele se conscientize da maneira pela qual seus apegos, seus preconceitos, o equilíbrio do seu eu, o impedem de enxergar”, e continua “Não é uma persuasão, (...) Não é reforçar, como se diz, o eu do sujeito ou fazer da sua parte sã um aliado. Não é convencer.” (Lacan, Sem II, p. 64)

Uma análise, portanto, visa a emergência do sujeito por meio do seu discurso e através de suas próprias palavras e do deslizamento das suas representações ele possa direcionar-se para uma saída que seja possível e menos angustiante.

Sheila Heuser
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