01/01/2026
Você já sentiu que estamos vivendo um tempo em que escutar o outro se tornou quase um esforço consciente? Em meio a tantas opiniões fortes, divisões, urgências e reações rápidas, parece que o diálogo foi f**ando mais estreito. E o erro, que é parte inevitável da experiência humana, passou a ser tratado como algo imperdoável. Vivemos entre interrupções, acusações e cancelamentos, quando o que mais precisamos é justamente o contrário.
O Dia da Paz não é apenas uma celebração simbólica. É um convite para pensarmos na paz que construímos — ou deixamos de construir — nos nossos gestos cotidianos. Porque a paz não nasce de consensos impossíveis, mas da disposição de ouvir antes de responder, de respirar antes de reagir, de tentar compreender antes de concluir.
A escuta abre caminho para o diálogo; o diálogo abre caminho para o perdão; e o perdão nos devolve a possibilidade de recomeçar. Em um mundo com tão pouco espaço para falhas, talvez seja urgente lembrarmos que todos estamos aprendendo, que ninguém acerta o tempo todo, que relações verdadeiras se fortalecem justamente quando suportam tensões e permanecem abertas.
Construir paz é um trabalho cotidiano, silencioso e profundamente humano. É cuidar da forma como nos dirigimos aos outros, da maneira como acolhemos diferenças, da coragem de rever posições, da generosidade de reconhecer limites — os nossos e os do outro.
Se existe um desejo possível para esse dia, talvez seja o de ampliarmos o espaço da escuta e do diálogo. Porque é nesse movimento, simples e difícil, que começamos a criar um mundo onde o erro não elimina ninguém e onde a convivência pode, enfim, ter mais espaço para respirar.