03/12/2025
Caso Gerson: um alerta sobre saúde mental e desamparo clínico
Gerson de Melo Machado tinha 19 anos e diagnóstico de esquizofrenia. Dias atrás, entrou na jaula de uma leoa em João Pessoa e morreu. A tragédia não é apenas um acidente: ela expõe o quanto pessoas com transtornos mentais graves continuam vivendo sem apoio, sem cuidado e sem visibilidade.
Rejeitado pela família, Gerson buscava voltar para a cadeia — o único lugar onde dizia sentir proteção. Esse dado, clinicamente, revela alto grau de desamparo emocional, ausência de rede de apoio e falhas importantes no acompanhamento de saúde mental.
Do ponto de vista clínico, comportamentos de risco como esse podem surgir em contextos de delírios, confusão mental, sofrimento intenso e ausência de julgamento preservado. Gerson não tinha condições de responder plenamente por seus atos — assim como a leoa, um animal confinado e submetido ao estresse, reagiu por instinto.
O que vemos são dois seres expostos a condições inadequadas:
• um jovem doente, sem suporte;
• um animal selvagem privado de seu ambiente natural.
A pergunta que f**a é urgente:
Quantos outros “Gersons” estão perto de nós, sofrendo em silêncio, sem diagnóstico adequado, sem vínculo terapêutico, sem cuidado?
Esse caso precisa nos lembrar de que encarcerar pessoas ou animais não substitui políticas públicas, tratamento contínuo ou acolhimento verdadeiro.
Que essa tragédia sirva para abrir conversas sérias sobre saúde mental, prevenção, apoio familiar e responsabilidade coletiva.