06/08/2021
Jung sempre considerou importante que o futuro analista tivesse uma sólida formação. Por isso, vale a pena lembrar qual era o nível de exigência do Jung acerca da formação de um analista para avaliarmos como anda a nossa, principalmente antes de termos a pretensão (normalmente vã e pueril) de ir "além de Jung".
A primeira exigência é a de conhecimentos de psiquiatria clínica e neuropatias orgânicas, o que hoje poderia corresponder às áreas da clínica psicológica, psicopatologia e neuroanatomia; a segunda versava acerca de "certo grau de formação filosófica" o que já inclui noções acerca de história da filosofia e seus problemas, epistemologia, teoria do Conhecimento, estética e política, por exemplo; "estudo da psicologia dos primitivos", o que podemos hoje considerar como antropologia e ainda adicionaria a sociologia; mitologia e história comparada das religiões; estudo da psicologia analítica, sem negligenciar os estudos sobre a técnica de diagnóstico das associações, passando pela técnica de interpretação de sonhos e fantasias, e culminando no desenvolvimento da própria personalidade.
Como se vê, o currículo é extenso e não é de uma hora para outra que se consegue uma formação capaz de compreender em profundidade o pensamento junguiano e produzir estudos eruditos acerca da psicologia complexa, como bem notou Shamdasani.
O que leva a refletir sobre o necessário cuidado com as inúmeras leituras simplistas e/ou pretensiosas facilmente encontradas nas redes sociais e internet em geral, dado que muitas delas não aprenderam nem o bé-a-bá da psicologia complexa e já querem propor atualizações conceituais ou teorias que vão "além de Jung"...
Assim, reforço o convite de sempre para o estudo. Simbora?
Jung sempre considerou importante que o futuro analista tivesse uma sólida formação. Por isso, vale a pena lembrar qual era o nível de exigência do Jung acerca da formação de um analista para avaliarmos como anda a nossa, principalmente antes de termos a pretensão (normalmente vã e pueril) de ir "além de Jung".
A primeira exigência é a de conhecimentos de psiquiatria clínica e neuropatias orgânicas, o que hoje poderia corresponder às áreas da clínica psicológica, psicopatologia e neuroanatomia; a segunda versava acerca de "certo grau de formação filosófica" o que já inclui noções acerca de história da filosofia e seus problemas, epistemologia, teoria do Conhecimento, estética e política, por exemplo; "estudo da psicologia dos primitivos", o que podemos hoje considerar como antropologia e ainda adicionaria a sociologia; mitologia e história comparada das religiões; estudo da psicologia analítica, sem negligenciar os estudos sobre a técnica de diagnóstico das associações, passando pela técnica de interpretação de sonhos e fantasias, e culminando no desenvolvimento da própria personalidade.
Como se vê, o currículo é extenso e não é de uma hora para outra que se consegue uma formação capaz de compreender em profundidade o pensamento junguiano e produzir estudos eruditos acerca da psicologia complexa, como bem notou Shamdasani.
O que leva a refletir sobre o necessário cuidado com as inúmeras leituras simplistas e/ou pretensiosas facilmente encontradas nas redes sociais e internet em geral, dado que muitas delas não aprenderam nem o bé-a-bá da psicologia complexa e já querem propor atualizações conceituais ou teorias que vão "além de Jung"...
Assim, reforço o convite de sempre para o estudo. Simbora?
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Anderson Santiago da Silva
Psicólogo (CRP 02/18788) e especialista em Psicologia junguiana com enfoque na clínica