17/11/2017
RELAÇÕES AFETIVAS EM TEMPOS PERMISSIVOS
As relações humanas afetivas são, e sempre serão, foco das maiores e mais cruéis dúvidas!
Hoje as aproximações são feitas através de aplicativos de celular, que cruzam interesses entre os adeptos e propõem “conversas”. Há os que colecionem interessados por semanas e até meses, antes que o primeiro encontro ao vivo aconteça e há, também, os que se apressem apenas em conhecer alguém, obter um quinhão de atenção (muitas vezes, s**o) e na sequencia se descartam, como se fossem (e talvez sejam) apenas objetos, sem quaisquer significados.
Num mundo que anda a gigabytes tudo isso é mais que compreensível, mas será que vale a pena?
As fases românticas eram bem mais lentas. Moças e rapazes se conheciam nos colégios, nas universidades, nas festas e iniciavam um processo de conhecimento mútuo, que acabava em namoro, noivado , casamento e muitas vezes... em divórcio. Nada era perfeito, só havia mais tempo para o reconhecimento dos parceiros.
Hoje, a rapidez leva casais a se beijarem, abraçarem e fazerem s**o num espaço de tempo que, por vezes, não ultrapassa as 24 hs de um dia.
Vão para uma festa X, “conhecem-se”, bem superficialmente, logo se abraçam, se beijam e terminam a noite (ou o dia) na casa de um dos dois ou num hotel qualquer, sem que saibam o mínimo sobre o outro.
Fora os perigos físicos e sociais, destaco os psicológicos, sim, porque muitos ainda esperam a ligação/mensagem do dia seguinte. E nem sempre ela vem.
São muitas as histórias de homens e mulheres que beijaram vários numa única festa, foram para algum lugar e fizeram s**o, sem ao menos saber o nome da pessoa com quem estiveram.
Que contra-mão é essa, onde pessoas de bem se lançam a prazeres fortuitos de maneira tão impensada?
Não cabe o julgamento, mas a reflexão sobre onde estamos colocando nossas espectativas e nossos sentimentos.
Se não houvesse uma “reclamação” quase que geral sobre a dificuldade de encontrar parceiros afetivos de qualidade, não faria o menor sentido isso que escrevo.
Fato é que, moças e rapazes procuram, sim, por parceiros efetivos, com os quais consigam estabelecer um relacionamento amoroso, salvo raras exceções. Mas dessa forma creio que apenas conseguirão encontrar companhia para algumas horas, onde o instinto falará sempre mais alto que a racionalidade.
E como “desconstruir”, como colocar por terra essa forma de comportamento que nos lança aos primórdios da Humanidade?
Simples e difícil ao mesmo tempo.
Cabe a cada pessoa fazer a sua escolha e ser fiel a ela. Se vc deseja um namorado ou namorada, procure conhecer o Ser Humano antes de conhecer seus contornos físicos. Essa parte pode esperar.
Dê oportunidade a si mesmo para se “apaixonar” ou pelo menos “se interessar” pelo outro, sem que para isso tenha que, obrigatoriamente, estabelecer uma relação carnal.
A carne é apenas uma das facetas das relações afetivas e se vc começar por ela pode perder o interesse em conhecer as demais, que podem ser até mais prazeirosas.
O encontro afetivo envolve olhar, toque, conversa, sentimentos, percepções, silêncios, afagos, abraços, risos, emoção e também s**o. E envolve sensações sutis e empáticas. O encontro afetivo verdadeiro é mágico e leva ao prazer da alma.
A quem espera apenas a satisfação dos desejos físicos, vá em frente. Não há crime em desejar única e tão somente a satisfação física. Mas avise seu ou sua parceira, porque ele ou ela pode estar interpretando tudo de forma equivocada. Você não é responsável pelos sentimentos alheios, a menos que tenha dado margem a interpretações duvidosas.
Já que estamos em tempos libertários, que os atos e decisões também o sejam. E que haja transparência. Fale francamente o que quer e deseja do outro.
Havendo concordância não haverá decepções para ambos os lados!
Estamos num momento em que o exercício da maturidade é possivel e necessário!
E não há melhor afrodisíaco nesse mundo do que a honestidade e a retidão de caráter. Todo o resto é o que sempre houve, sem grandes novidades!