Endocrinologia - Clinica Grossman

Endocrinologia - Clinica Grossman Membro da Endocrine Society desde 1994.

Luiz Grossman é medico endocrinologista formado em 1978 pela
Faculdade de Ciencias Medicas da Santa Casa de São Paulo e membro
titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia desde 1982. A endocrinologia trata de doenças ligadas aos hormonios :
Diabetes , doenças de tireoide , doenças da Hipofise e Supra Renal ,
Osteoporose , disturbios da menstruação e da puberdade, crescimento, excesso
de pelos , Obesidade, colesterol , triglicerides , Andropausa e Menopausa.

18/01/2026

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
divulgou em seu site uma matéria
intitulada “Doze dicas para suspeitar de
charlatanismo”. Essas dicas apontam
comportamentos que levantam suspeitas
quanto a condutas antiéticas ou sem base
científ**a. Vamos a esses indícios:
Uso de linguagem excessivamente
técnica como artifício para induzir o
paciente a escolhas menos corretas e à
crença de que o profissional de saúde
detém conhecimento de ponta, quando
isso não é verdade.
Apresentação de títulos conferidos por
“sociedades” não reconhecidas, muitas
vezes criadas pelo próprio profissional.
Ostentação de clínicas luxuosas
frequentadas por celebridades;
consultas e tratamentos a preços
exorbitantes; e ideia de exclusividade,
afim de passar uma imagem de
“sucesso” ao público geral.
Uso de estudos de baixa qualidade
para justif**ar opiniões pessoais do mau
profissional, desprezando estudos
robustos e bem desenhados.
Solicitação excessiva de exames, o que
esconde a falta de perícia clínica e
passa a falsa impressão de avaliação
cuidadosa; essa conduta pode levar a
mais exames e procedimentos
desnecessários ou prejudiciais.
Prescrições com extensas fórmulas
manipuladas, associadas a dietas
restritivas e mudanças na rotina para
pacientes saudáveis ou com quadros
leves; esses recursos dão a impressão
de exclusividade do tratamento, além
de disfarçarem a recomendação de
substâncias ilícitas ou de indicação
controversa.
Prescrição de tratamentos tão
complexos que se parecem com
verdadeiros rituais esotéricos; quanto
mais complexo e ritualístico o
tratamento, mais forte pode ser o
sugestionamento e o efeito placebo.
Promessas de corpo perfeito,
desintoxicação, juventude, vigor físico
ou cura de doenças crônicas são
frequentes nesses consultórios.
Muitos desses “gurus” costumam citar
outro charlatão de maior destaque,
ministram cursos e ganham a vida
vendendo informações distorcidas.
O discurso do bem contra o mal visa
criar uma aura de pureza e honestidade
em torno de quem quer ludibriar o
paciente e lucrar às suas custas,
promovendo polarizações como:
produtos “naturebas” versus indústria
farmacêutica; medicina moderna e
inovadora vs. medicina tradicional e
retrógrada; hormônio bioidêntico para
prevenir doenças vs. fármaco que
promove a doença. Outro indício de
charlatanismo é o profissional afirmar
que quer ajudar os pacientes enquanto
todos os outros médicos têm inveja do
seu sucesso.
Uso de discurso extremamente
agressivo quando são questionados e
não têm argumentos para defender o
indefensável.
Diante de processos éticos ou judiciais,
se dizem injustiçados e perseguidos.

Créditos
Imagem principal: Lightkeeper / Dreamstime
Medscape © 2026 WebMD, LLC

14/01/2026

Desreguladores Endócrinos (DEs)

São substâncias químicas exógenas [não-natural], ou mistura de substâncias químicas, que interferem em qualquer aspecto da ação hormonal.
1. Pessoas e animais entram em contato com os Desreguladores Endócrinos (DEs) de várias formas, por exemplo por meio de alimentos e água, contato com a pele, por inalação e pela transferência da mãe para o feto, pela placenta ou da mãe para o bebê na amamentação. Ao entrarem na circulação, podem interferir no equilíbrio hormonal por diversos mecanismos.
2. Estas substâncias podem estar presentes na comida, na água, em embalagens, nos produtos de higiene pessoal, no material eletrônico e de construção e em vários produtos manufaturados.
3. O DDT foi um dos primeiros DEs reconhecido com uma vasta gama de efeitos sobre o sistema endócrino. A exposição materna aos pesticidas e aos fungicidas pode ser relacionada a alguns problemas na área da saúde reprodutiva e a provavelmente também a certos alterações comportamentais no concepto.
4. Para reduzir a exposição aos agrotóxicos, além de higienizar corretamente os alimentos, também é importante aumentar a ingestão de orgânicos, que são os alimentos cultivados de forma livre de agrotóxicos, e reduzir os produtos de origem animal, pois esses se acumulam na carne animal.
5. Os bisfenóis e ftalatos são aditivos químicos usados na fabricação do plástico e no revestimento de latas de comida e de bebida. Há indícios de que estes compostos estejam relacionados a certos problemas de tiroide, obesidade, diabetes, e sistema reprodutor.
6. Uma das formas de reduzir a exposição aos bisfenóis é reduzir o consumo de alimentos industrializados, principalmente aqueles que f**am mais tempo em contato com as embalagens, e dar preferência para embalagens que não sejam plásticas.
7. Os ftalatos também pertencem à classe dos plastif**antes e está presente em vários produtos de higiene pessoal, como xampus, sabonetes líquidos, esmaltes e cosméticos. Também estão presentes em brinquedos infantis. Nas embalagens dos produtos, os nomes mais comumente listados são: butila, benzila, dibutila, diciclohexila, dietila, diisodecila, di-2-etilexila e dioctila.
8. Os ftalatos estão associados à ocorrência de problemas reprodutivos em animais silvestres testados em laboratórios. A presença de ftalatos no organismo desses animais provocou a redução da fertilidade, ab**to, defeitos congênitos, câncer de fígado e rins. Em humanos os efeitos foram: surgimento de câncer de mama, desregulação hormonal e diminuição da fertilidade masculina devido a uma redução do número de espermatozoides.
9. Os Desreguladores Endócrinos podem permanecer por muito tempo no organismo e passar para a próxima geração, e uma exposição ocorrida na infância pode ter consequências na vida adulta, décadas depois.

14/01/2026

As sociedades médicas científ**as SBEM, SBD e ABESO vêm a público alertar profissionais de saúde e a população brasileira sobre os graves riscos associados ao uso de medicamentos injetáveis de origem alternativa ou manipulados para tratar obesidade e diabetes mellitus. Esses medicamentos são análogos do GLP-1 e GIP, como a semaglutida (Ozempic® e Wegovy®, da Novo Nordisk) e a tirzepatida (Mounjaro® e Zepbound, da Eli Lilly), cujos compostos originais são de alta complexidade tecnológica, aprovados por agências reguladoras como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a FDA (Food and Drug Administration).
Medicamentos proteicos, como a semaglutida e a tirzepatida, exigem processos rigorosos de fabricação para assegurar que o organismo utilize e metabolize a substância de forma ef**az e segura. Essas moléculas são administradas por injeções subcutâneas, o que demanda padrões adequados de esterilidade e estabilidade térmica.
O uso de versões alternativas ou manipuladas dessas moléculas tem se tornado uma prática crescente, preocupante e perigosa, carecendo de bases científ**as e regulatórias que garantam a eficácia, segurança, pureza e estabilidade do produto, expondo os usuários a sérios riscos à saúde, pois não passam pelos te**es de bioequivalência necessários, tornando impossível prever seus efeitos no corpo humano.
Relatos da FDA documentam problemas graves de administração em versões alternativas ou manipuladas, com doses superiores ou inferiores às recomendadas, contaminações e substituição por outros compostos.
A semaglutida e a tirzepatida alternativas ou manipuladas são frequentemente divulgadas como opções mais acessíveis e igualmente ef**azes, o que é uma falsa promessa.
A comercialização direta dessas medicações alternativas ou manipuladas por profissionais de saúde em consultórios configura uma prática contrária ao Código de Ética Médica, ferindo a confiança da relação médico-paciente.
Versões vendidas em sites, redes sociais ou por WhatsApp também aumentam o risco de adulteração, contaminação e ineficácia por desestabilização térmica.
Assim sendo, SBEM, SBD e ABESO recomendam que:
1. Os profissionais de Saúde não prescrevam semaglutida ou tirzepatida alternativas ou manipuladas. Apenas utilizem medicamentos aprovados por agências reguladoras, com fabricação industrial certif**ada e vendidos em farmácias;
2. Os pacientes rejeitem tratamentos que incluam versões alternativas ou manipuladas dessas moléculas, vendas diretas em sites, aplicativos ou em consultórios e busquem alternativas aprovadas pela Anvisa;
3. Os órgãos reguladores e fiscalizadores, em especial ANVISA e Conselhos de Medicina, intensifiquem as ações de fiscalização sobre todas a fases, empresas e pessoas envolvidas nessa prática.
A SBEM, SBD e ABESO reforçam a importância de seguir recomendações baseadas na Ciência e na ética, priorizando sempre a segurança e o bem-estar da população e reiteram o compromisso social de melhorar o acesso a medicações seguras e ef**azes para tratar a obesidade e o diabetes mellitus, assim como reivindicam políticas públicas de inclusão e abordagem ampla de prevenção e tratamento dessas condições

14/01/2026

COMER A CADA 3 HORAS

A ideia de se alimentar a cada 3 horas surgiu da crença de que refeições frequentes poderiam manter o metabolismo constantemente ativo, aumentando o gasto energético e, consequentemente, auxiliando no controle do peso ou emagrecimento. Essa recomendação tornou-se popular há algumas décadas, sendo amplamente divulgada por nutricionistas e profissionais de saúde, baseada na teoria de que o processo de digestão de alimentos (termogênese induzida pela dieta) gasta energia. Acreditava-se que, ao comer frequentemente, esse processo ocorreria mais vezes ao dia, mantendo o metabolismo "ligado".
Manter um fluxo constante de alimentos evitaria longos períodos de jejum, o que, teoricamente, controlaria os níveis de hormônios da fome e saciedade (como a grelina e a leptina) e diminuiria a ansiedade, prevenindo excessos nas refeições principais. A ingestão regular de alimentos ajudaria a manter os níveis de glicose no sangue estáveis, garantindo energia constante ao longo do dia. Embora a ideia fosse popular, estudos científicos mais recentes e a compreensão atual da nutrição mostram que a relação não é tão direta ou universal quanto se pensava.

• Gasto Calórico Total vs. Frequência: A ciência demonstra que o gasto energético total com a digestão gira em torno de 15% e depende primariamente da quantidade total de calorias consumidas ao longo do dia, e não do número de refeições. Comer a mesma quantidade de calorias em três refeições maiores ou em seis menores não gera uma diferença signif**ativa no metabolismo.
• Controle de Peso: O emagrecimento ou ganho de peso está fundamentalmente ligado ao déficit ou superávit calórico (consumir menos ou mais calorias do que se gasta), e no intervalo exato entre as refeições.
• Insulina: Comer frequentemente pode manter os níveis de insulina constantemente altos em algumas pessoas, o que, a longo prazo, pode não ser benéfico. Períodos de jejum (como os explorados no jejum intermitente) podem, ao contrário, ajudar a regular a sensibilidade à insulina.
Conclusão: A recomendação de comer a cada 3 horas é hoje considerada mais um mito do que uma regra científ**a universal.

30/11/2025

O que a ciência diz sobre multivitamínicos?

Suplementos são populares: tomar uma cápsula parece mais fácil do que lidar com fatores de estilo de vida, como dieta ou sono inadequados.

Mas, em muitos casos, as alegações por trás dos suplementos não são respaldadas por dados sólidos. E não dá para reequilibrar uma dieta desequilibrada tomando um comprimido para preencher as lacunas de nutrientes.

Como médico, tendo a desconfiar da maioria dos suplementos que não têm razão clínica. Os suplementos não são regulamentados pela Food and Drug Administration (FDA, a agência sanitária dos Estados Unidos) ou pela Anvisa no Brasil , da mesma forma que os medicamentos, e ingerir qualquer coisa envolve um cálculo de risco-benefício. Embora os riscos de tomar determinados suplementos não sejam absurdamente altos, eles existem.

Então, o que você deve saber sobre esse tema?

Cerca de um terço dos americanos toma multivitaminas regularmente. Muitos compram o suplemento porque acreditam que ele pode melhorar os resultados gerais de saúde: ajudá-los a viver mais, diminuir o risco de câncer e reduzir as doenças cardiovasculares. Pessoas saudáveis também o tomam para preencher lacunas na dieta.

Eu gostaria que fosse simples assim. Embora existam dados animadores sobre os benefícios dos multivitamínicos para adultos saudáveis, o suplemento não é cura para tudo.

Um estudo publicado no ano passado no JAMA Network Open com quase 400 mil adultos acompanhados por quase trinta anos constatou que os multivitamínicos não trouxeram nenhum benefício à longevidade.

Geralmente se considera seguro tomar multivitamínicos todos os dias. No entanto, como não há evidências suficientes de benefícios para adultos saudáveis, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA não os recomenda.

Minha recomendação? Siga uma dieta saudável. Vários estudos de grande porte comprovaram que ela melhorar vários resultados de saúde, desde a reversão de doenças coronarianas até a redução do risco de câncer.

Vitamina B12

Algumas pessoas acham que a vitamina B12 pode ajudar a combater a fadiga e aumentar os níveis de energia. Mas não há benefícios comprovados em tomar vitamina B12 para a fadiga, a menos que você tenha uma deficiência que cause anemia.

Um conjunto simples de exames de sangue para vitamina B12 e biomarcadores relacionados pode identif**ar uma provável deficiencia. Adultos acima de 65 anos e veganos têm mais risco de deficiência. Se você tem deficiência dessa vitamina, deve tomar suplemento.

30/11/2025

Sucos detox provavelmente não servem para nada

Marilynn Larkin

30 de junho de 2025

“É uma ótima maneira de incluir frutas e vegetais na minha dieta, especialmente porque não tenho o trabalho de descascá-los ou prepará-los”; “perdi peso e me senti mais leve”; “estou ajudando meu corpo a se desintoxicar, e é uma sensação boa.”

As redes sociais estão repletas de declarações como as acima sobre sucos para desintoxicação do organismo (detox). É um dos tópicos prediletos dos usuários, além de um assunto sobre o qual os pacientes costumam perguntar. A percepção é de que, ao tomarem um suco detox, estão fazendo algo saudável para si mesmos; porém, os especialistas concordam que, na maioria das vezes, não é esse o caso.
Há poucas evidências que sustentam o uso de sucos detox para eliminar toxinas do organismo, de acordo com o National Center for Complementary and Integrative Health dos Estados Unidos. Além disso, alguns sucos denominados como "detox" ou “desintoxicantes” não foram pasteurizados ou tratados de para matar bactérias nocivas, o que signif**a que podem expor os indivíduos a E. coli toxigênica, Salmonella, Cryptosporidium e ao vírus da hepatite A.

Além disso, alguns sucos são feitos de alimentos ricos em oxalato, como vegetais de folhas verdes e beterraba. Indivíduos suscetíveis à formação de cálculos renais devem limitar o consumo de alimentos ricos em oxalato, que podem representar uma ameaça a sua saúde.
"Eu digo a eles que, na verdade, o efeito é o oposto", afirmou ela ao Medscape. "A maioria dos sucos detox impacta negativamente a saúde intestinal. Eles podem causar irregularidade no hábito intestinal e até mesmo precipitar doenças inflamatórias intestinais, já que a microbiota intestinal sofre uma desregulação devido à falta de fibras nessas bebidas. Observamos constantemente pacientes cuja síndrome do intestino irritável piora depois que iniciam a ingestão de sucos detox."
"Em última análise, o caminho mais saudável não é uma dieta detox periódica, mas uma dieta consistente e rica em nutrientes e fibras, que contribua para a saúde intestinal e sistêmica em longo prazo", concluiu a Dra. Melinda. Além disso, os médicos devem avaliar doenças subjacentes, como diabetes e transtornos alimentares, e fragilidades, que podem tornar desaconselhável a inclusão de sucos detox na dieta.

28/07/2025

Ritmo circadiano alterado pode favorecer o câncer?
Maria Weiss
25 de julho de 2025
O ritmo circadiano regula o ciclo sono-vigília, a secreção hormonal, o metabolismo, as respostas imunitárias e até mesmo
os padrões de alimentação e digestão. Essa periodicidade ajuda a preservar a estabilidade genômica, controlar o ciclo
celular e reforçar a imunidade nos tecidos orgânicos. Desajustes nesse relógio interno, causados por problemas de sono,
exposição noturna à luz e hábitos alimentares irregulares, têm sido cada vez mais associados ao câncer.
Pesquisadores observaram alterações na expressão dos genes do relógio biológico nos tecidos pulmonar e mamário, bem
como no câncer colorretal, na leucemia, no carcinoma hepatocelular e no glioblastoma.
Estudo publicado no periódico Nature Immunology, liderado por Bridget M. Fortin, doutoranda em bioquímica na University
of California, nos Estados Unidos, avaliou se a desregulação do ritmo circadiano (interna e externa), como a perda de sono
noturno, a exposição à luz artificial e a irregularidade dos padrões alimentares, contribuíram para o surgimento precoce do
câncer colorretal. Os pesquisadores também avaliaram se a medicina cronológica poderia otimizar a quimioterapia e o
tratamento com inibidores do ponto de controle imunitário.
Diversos estudos relacionaram o desequilíbrio do ciclo circadiano tanto ao início quanto à progressão do câncer. Amostras
tumorais frequentemente apresentam redução da expressão dos genes do relógio biológico central, e mutações nesses
genes estão associadas à menor tempo de sobrevida. No câncer colorretal, níveis mais baixos de BMAL1, CRY1, CRY2 e
PER1-PER3 correlacionam-se com pior sobrevida global.
Risco de câncer
Desde meados da década de 70, a incidência geral de câncer aumentou, sobretudo entre pessoas de 15 a 39 anos, sendo
o câncer colorretal de início precoce o que apresentou o crescimento mais acentuado. No mesmo período, a exposição à
luz artificial noturna também se intensificou. A luz emitida por telas da televisão, computador e celular pode suprimir a
produção de melatonina, desregulando o sono e o ritmo circadiano.
Uma metanálise recente com mais de 170.000 participantes constatou que a alta exposição à luz artificial durante a noite
aumentou o risco de câncer de mama positivo para o receptor de estrogênio entre mulheres antes da menopausa.
Associações semelhantes foram descritas para o câncer de tireoide. As mudanças de fuso horário também podem alterar o
ritmo circadiano e potencialmente influenciar o risco de câncer.
O trato digestivo é particularmente sensível às alterações do ritmo circadiano. A mucosa intestinal se regenera em um ciclo
preciso de 24 horas, e o microbioma intestinal é extremamente suscetível à sua perturbação. A ingestão alimentar também
é regulada pelo relógio biológico, e sua desregulação pode representar um fator de risco importante de câncer colorretal,
embora sejam necessários mais estudos para confirmar essa associação.
Preservar o ritmo circadiano pode desempenhar um papel relevante na prevenção e no tratamento do câncer no futuro. As
estratégias incluem manter horários de sono e refeições regulares, limitar o trabalho noturno e restringir a ingestão de
alimentos a uma janela de 6 a 12 horas durante o dia. A prática regular de atividade física também pode exercer um efeito
positivo.
A cronoterapia consiste na administração de medicamentos antineoplásicos alinhados ao relógio biológico do organismo, o
que pode melhorar a tolerância ao tratamento e potencialmente aumentar sua eficácia. No entanto, ainda não está claro se
essa abordagem se traduz em benefício terapêutico direto. O horário da administração também pode influenciar a resposta
à imunoterapia com inibidores de ponto de verif**ação, visto que esses medicamentos parecem interagir com o ritmo
circadiano — hipótese que precisa ser confirmada por novos estudos

17/07/2025

Interrupção circadiana: o elo oculto do câncer?
Maria Weiss 16 de julho de 2025
Os ritmos circadianos regulam o ciclo sono-vigília, a secreção hormonal, o metabolismo, as respostas imunológicas e até mesmo os padrões de alimentação e digestão. Eles ajudam a preservar a estabilidade genômica, controlar o ciclo celular e apoiar a imunidade no nível do tecido. As interrupções nesse relógio interno, causadas por problemas de sono, exposição noturna à luz e hábitos alimentares irregulares, estão cada vez mais ligadas ao desenvolvimento do câncer.
Os pesquisadores observaram expressões alteradas do gene do relógio nos tecidos pulmonar, mamário, colorretal, leucemia, carcinoma hepatocelular e glioblastoma. O estudo, publicado na Nature Immunology, foi liderado por Bridget M. Fortin, doutoranda em química biológica na Universidade da Califórnia, Irvine, Estados Unidos. Ela e seus colegas examinaram se as interrupções circadianas internas e externas, como perda de sono noturno, exposição à luz artificial e padrões alimentares irregulares, contribuíram para o desenvolvimento precoce do câncer colorretal (CCR). Eles também examinaram se o cronomedicamento poderia ajudar a otimizar a quimioterapia e a terapia com inibidores de checkpoint imunológico.
Risco de câncer - Desde meados da década de 1970, a incidência geral de câncer aumentou, principalmente entre indivíduos de 15 a 39 anos, com um CCR de início precoce mostrando o aumento mais acentuado. No mesmo período, a exposição à luz artificial à noite (ALAN) aumentou signif**ativamente. A luz emitida por TVs, telas de computador e smartphones pode suprimir a produção de melatonina, interrompendo o sono e os ritmos circadianos. Uma meta-análise recente envolvendo mais de 170.000 participantes descobriu que a alta exposição ao ALAN aumentou o risco de câncer de mama positivo para receptor de estrogênio em mulheres na pré-menopausa. Associações semelhantes foram relatadas para o câncer de tireoide. Cruzar fusos horários também pode interromper os ritmos circadianos e potencialmente influenciar o risco de câncer. O trato gastrointestinal é particularmente sensível à perturbação circadiana. A mucosa intestinal se regenera em um ciclo preciso de 24 horas, e o microbioma intestinal é altamente responsivo à interrupção do ritmo. A ingestão alimentar também é regulada pelo relógio circadiano, e a desregulação pode emergir como um fator de risco signif**ativo para CCR, embora seja necessária mais confirmação.
A preservação dos ritmos circadianos pode desempenhar um papel signif**ativo na prevenção e tratamento do câncer no futuro. As estratégias incluem manter horários consistentes de sono e refeições, limitar o trabalho noturno e limitar a ingestão de alimentos a uma janela de 6 a 12 horas durante o dia. A atividade física regular pode ter um efeito positivo nos ritmos circadianos. A cronoterapia envolve a administração de terapias contra o câncer que se alinham com o relógio interno do corpo. Isso pode melhorar a tolerabilidade ao medicamento e potencialmente aumentar a eficácia do tratamento. No entanto, se isso contribui para a eficácia do tratamento permanece incerto.

20/04/2025

O que a ciência diz sobre multivitamínicos, colágeno e 7 outros suplementos?

Suplementos são populares: tomar uma cápsula parece mais fácil do que lidar com fatores de estilo de vida, como dieta ou sono inadequados.
Mas, em muitos casos, as alegações por trás dos suplementos não são respaldadas por dados sólidos. E não dá para reequilibrar uma dieta desequilibrada tomando um comprimido para preencher as lacunas de nutrientes.
Como médico, tendo a desconfiar da maioria dos suplementos que não têm razão clínica. Os suplementos não são regulamentados pela Food and Drug Administration (FDA, a agência sanitária dos Estados Unidos) ou pela Anvisa no Brasil , da mesma forma que os medicamentos, e ingerir qualquer coisa envolve um cálculo de risco-benefício. Embora os riscos de tomar determinados suplementos não sejam absurdamente altos, eles existem.
Então, o que você deve saber sobre esse tema? Aqui estão nove suplementos famosos que discuti em colunas anteriores e o que a ciência diz sobre eles.
1. Multivitamínicos
Cerca de um terço dos americanos toma multivitaminas regularmente. Muitos compram o suplemento porque acreditam que ele pode melhorar os resultados gerais de saúde: ajudá-los a viver mais, diminuir o risco de câncer e reduzir as doenças cardiovasculares. Pessoas saudáveis também o tomam para preencher lacunas na dieta.
Eu gostaria que fosse simples assim. Embora existam dados animadores sobre os benefícios dos multivitamínicos para adultos saudáveis, o suplemento não é cura para tudo.
Um estudo publicado no ano passado no JAMA Network Open com quase 400 mil adultos acompanhados por quase trinta anos constatou que os multivitamínicos não trouxeram nenhum benefício à longevidade.
Geralmente se considera seguro tomar multivitamínicos todos os dias. No entanto, como não há evidências suficientes de benefícios para adultos saudáveis, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA não os recomenda.
Minha recomendação? Siga uma dieta saudável. Vários estudos de grande porte comprovaram que ela melhorar vários resultados de saúde, desde a reversão de doenças coronarianas até a redução do risco de câncer.
2. Psyllium
Estudos robustos têm demonstrado consistentemente que a casca de psyllium pode reduzir o colesterol, amortecer os picos de glicose, manter a saciedade por mais tempo e até mesmo auxiliar no tratamento de constipação e diarreia – tudo isso enquanto oferece ao nosso microbioma um belo banquete.
O psyllium vem da casca da fibra de uma planta chamada Plantago ovata. É o principal ingrediente de muitos suplementos de fibra de venda livre, mas o que diferencia o psyllium de outras fibras são duas propriedades:
• Ele é rico em arabinoxilano, uma molécula que forma um gel quando entra em contato com a água, permitindo que o psyllium promova reações especiais, como a conversão do colesterol em ácidos biliares, à medida que passa pelo trato digestivo.
• Quando o psyllium chega ao cólon, ele se torna um prebiótico para o microbioma, estimulando a produção de metabólitos benéficos, como os ácidos graxos de cadeia curta.
Essas propriedades resultam em inúmeros benefícios à saúde que são respaldados por décadas de pesquisa.
3. Colágeno
A suplementação com colágeno ficou cada vez mais popular nos últimos anos, com marcas alegando que ela pode melhorar a saúde das unhas, da pele e dos cabelos. Mas não há evidências sólidas por trás dessas alegações.
O colágeno é uma proteína encontrada em muitas partes do corpo: cartilagem, ossos, tendões e pele. Ele ajuda a construir uma estrutura para preservar a integridade da pele. Mas, à medida que envelhecemos, produzimos menos colágeno. Isso contribui para que a pele pareça menos elástica – até mesmo flácida – e as rugas se formem com mais facilidade.
Embora vários estudos sobre a suplementação de colágeno apontem para o aumento da elasticidade e a melhora das rugas na pele, os dados geralmente resultam de estudos mal projetados, falta de evidência microscópica objetiva ou financiamento direto das pessoas que vendem os produtos.
4. Ashwagandha
Também conhecida como ginseng indiano – ficou famosa entre celebridades e usuários do TikTok por vários motivos: eles afirmam que ela melhora o sono, a ansiedade, a memória e até mesmo a massa muscular.
As pessoas que usam a ashwagandha para dormir melhor provavelmente estão se valendo de suas conhecidas qualidades sedativas (seu nome em latim, Withania somnifera, faz referência a isso). Mas, embora a ashwagandha possa induzir o sono, não deve ser vista como uma solução de longo prazo.
Antes de experimentá-la, recomendo consultar um profissional de saúde para entender o que está causando seus problemas de sono. Há muitos motivos para a insônia, como depressão e apneia do sono, para os quais a ashwagandha não é a primeira opção de tratamento.
5. Magnésio
Os dados sobre suplementos de magnésio não são muito satisfatórios para alguns dos supostos benefícios alardeados nas redes sociais, como combate a sintomas de sono e humor. Há algumas circunstâncias mais claras em que a suplementação de magnésio pode se justif**ar, como no caso da constipação, mas é difícil dar um selo de aprovação incondicional.
Embora o excesso de magnésio possa ser tóxico para o organismo, a ingestão de níveis baixos – menos de 350 mg por dia – provavelmente não causará dano nenhum, a menos que você tenha doença renal. Mas também pode não trazer benefício nenhum.
Eis uma alternativa: coma mais alimentos ricos em magnésio. Dessa forma, você terá os efeitos do magnésio junto com os outros benefícios naturais desses alimentos.
6. Ferro
As pessoas com deficiência de ferro geralmente se sentem exaustas. Se você também está se sentindo assim, pergunte ao seu médico sobre a possibilidade de fazer o teste de anemia por deficiência de ferro.
Pessoas que têm menstruação abundante o estão grávidas e idosos devem f**ar particularmente atentos. Um estudo publicado no Annals of Internal Medicine em 2023 constatou que cerca de 1 em cada 4 adultos saudáveis com mais de 70 anos desenvolveu anemia nos cinco anos seguintes à inscrição no estudo e que tomar uma dose baixa de aspirina diariamente aumentou esse risco em 20%.
Se você tem anemia por deficiência de ferro, deve tomar suplemento. Mas aqui vai uma dica que compartilho com meus pacientes: não tome o suplemento todos os dias. Um estudo descobriu que tomar suplemento de ferro em dias alternados pode otimizar a absorção e reduzir os efeitos colaterais, como náusea e constipação.
7. Verduras em pó
Os pós de verduras, feitos com verduras como couve e algas, são extremamente populares nas redes sociais. E também são caros. Sei que os vegetais frescos geralmente não são baratos, mas, se você estiver gastando de US$ 50 a US$ 100 (de R$ 285 a R$ 570, na cotação atual) com um suprimento mensal de verduras em pó, talvez faça mais sentido investir em opções com benefícios comprovados.
Muitas dessas fórmulas são patenteadas, o que signif**a que não sabemos totalmente o que elas contêm. O que sabemos é que elas são altamente processadas: as verduras em pó são, no mínimo, liofilizadas, pulverizadas e, muitas vezes, misturadas com aditivos e adoçantes.
É só se perguntar: seu pó de verduras f**a com gosto bom quando misturado com água? Você provavelmente não conseguiria engolir brócolis fresco e água. Então, o que foi adicionado a esse pó para deixá-lo mais palatável?
Comer verduras frescas sempre será mais benéfico do que tomar verduras em pó.
8. Vitamina B12
Algumas pessoas acham que a vitamina B12 pode ajudar a combater a fadiga e aumentar os níveis de energia. Mas não há benefícios comprovados em tomar vitamina B12 para a fadiga, a menos que você tenha uma deficiência que cause anemia.
Um conjunto simples de exames de sangue para vitamina B12 e biomarcadores relacionados pode identif**ar uma provável deficiencia. Adultos acima de 65 anos e veganos têm mais risco de deficiência. Se você tem deficiência dessa vitamina, deve tomar suplemento.
9. Probióticos
Os probióticos são um setor multibilionário e com fins lucrativos. Mas a maioria das pessoas que os toma está desperdiçando dinheiro.
Já vi grandes promessas sobre probióticos em toda parte – em supermercados, farmácias, online e na televisão por “especialistas em saúde intestinal”, até mesmo colegas médicos. Os defensores afirmam que os probióticos podem melhorar o microbioma – os organismos que vivem dentro do intestino – e ajudar com problemas digestivos, função imunológica e até mesmo com a saúde mental.
Mas as alegações de marketing sobre probióticos de venda livre não correspondem às evidências. Raramente aconselho meus pacientes a começar a tomar probióticos, para surpresa deles. Eles f**am ainda mais surpresos quando lhes digo que isso vem de diretrizes baseadas em evidências: a Associação Americana de Gastroenterologia não recomenda probióticos para a maioria dos problemas digestivos.
Em vez disso, aqui está o que eu recomendo: faça uma dieta rica em fibras. Essa recomendação comprovada pelo tempo continua sendo uma das maneiras mais bem estudadas de promover e preservar um microbioma saudável e melhorar sua saúde geral.

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