08/03/2026
Esta é minha 16o participação no Congresso anual da “Dysphagia Research Society”, no Colorado. Muito feliz por estar aqui presencialmente, após 9 anos. Em algum momento, tive a certeza de que não mais seria capaz de voltar, frente a tantos medos após a doença e falecimento do Dudu.
Mas a vida também nos presenteia com pessoas e oportunidades.
Este congresso é uma grande inspiração. A cultura, os cientistas, o nível de conhecimento, as inovações na clínica e na pesquisa são indescritíveis e, volto a dizer, inspiradoras.
Estudos sobre os diferentes fenótipos da disfagia em diferentes condições clínicas, as novas tecnologias para diagnóstico e reabilitação, o entendimento de uma estrutura integrada entre sistemas, incluindo processos emocionais e cognitivos e sua aplicação para otimizar o tratamento da disfagia, a importância da multidisciplinaridade (com profissionais médicos com uma expertise incrível em disfagia), as cascatas pulmonares pós-aspiração, a discussão sobre a distância entre a pesquisa e a clínica no manejo dos pacientes que aspiram e os dilemas nas condutas de alimentação destes pacientes, com propostas de ferramentas para tomada de decisão, a compreensão cada vez mais ampla de como a neuroplasticidade pode favorecer a reabilitação - o retreinamento do cérebro.
Estes são alguns dos temas para refletir e seguir estudando.
Feliz também por apresentarmos três posters, representando nosso país e nossa instituição. Atualmente 70 porcento dos trabalhos submetidos são rejeitados.
Na alma, uma tristeza pela distância entre países desenvolvidos e o investimento em educação e pesquisa no Brasil, e a consciência do desafio constante para buscar recursos e apoio para avançar nos estudos e práticas. Ao mesmo tempo, muita gratidão pela oportunidade e uma grande alegria por poder levar de volta ao Brasil o que aqui aprendi e me inspirei.
(Continua nos comentários)