Prof. Dr. Marcelo Steiner

Prof. Dr. Marcelo Steiner Doutor em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Santo André – SP. Especialização em Videoendoscopia Ginecológica - Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Santo André – SP.

24/12/2025

Estudo Clara traz resultados sobre a farmacocinética de uma implante bioabsorvível contendo 25 mg de estradiol em 20 mulheres com sintomas climatéricos e sem útero. Trouxe dados sobre níveis séricos, tempo de ação e variabilidade da área sobre a curva entre as usuárias. O estudo cumpre o seu objetivo e demonstra que esse implante libera estradiol de maneira padronizada em 24 semanas. Entretanto, uma leitura crítica permite o levantamento de dúvidas que ele não tem capacidade de responder. Há a necessidade do grupo de pesquisa continuar com a pesquisa e fazer ensaios clínicos para avaliar de maneira adequada a eficácia clínica e a segurança dessa estratégia de terapia de reposição hormonal. Precisa ser feito estudo com número maior de mulheres para ficar mais acurado a sua eficácia clínica, até para entender qual o perfil populacional que eventualmente irá se beneficiar de forma mais contundente. Também para entender qual percentual de eventos adversos no uso mais prolongado e como é o seu comportamento biológico e clínico com a associação da progesterona ou de um progestagenio. Seria muito importante ter esses estudos, que permitirá um registro na Anvisa e a eventual liberação dessa estratégia para toda a população de maneira segura e ética.

23/12/2025

Nomes parecidos. Doenças diferentes.
Miomatose, adenomiose e endometriose são benignas, estrogênio-dependentes e frequentemente confundidas.
Acertar o diagnóstico muda tratamento, prognóstico e qualidade de vida. O tratamento é multimodal, com orientações alimentares, exercícios físicos, estratégias para melhoria da qualidade de vida e uso de medicamentos. A cirurgia tem indicações específicas e o tratamento hormonal sempre deve ser considerado.

20/12/2025

Sábado seguindo cronograma de recuperação! Seguimos! 🏃‍♀️

Estudo de coorte de base populacional americana sugere que a doença leiomiomatose, uma condição ginecológica benigna, po...
18/12/2025

Estudo de coorte de base populacional americana sugere que a doença leiomiomatose, uma condição ginecológica benigna, pode ser um marcador de risco cardiovascular a longo prazo.
Nele foi encontrada uma associação significativa e sustentada entre o diagnóstico de leiomiomas e o aumento do risco de Doença Cardiovascular Aterosclerótica. Esse risco se mostra mais pronunciado no primeiro ano após o diagnóstico, mas permanece elevado por até uma década, abrangendo diferentes desfechos cardiovasculares, como doença arterial coronariana, cerebrovascular e arterial periférica.
Essa relação não parece ser apenas estatística. Miomas e ASCVD compartilham mecanismos patogênicos relevantes, incluindo origem em células musculares lisas, processos de remodelação vascular, fibrose, calcificação e um estado inflamatório crônico associado a estresse oxidativo e disfunção endotelial. Esses achados reforçam a hipótese de que os miomas possam refletir um fenótipo vascular subjacente mais vulnerável.
Do ponto de vista clínico, a principal implicação não é o tratamento do mioma em si, mas o reconhecimento dessa condição como um possível sinal de alerta para estratificação de risco cardiovascular em mulheres. Isso abre espaço para uma abordagem mais ajustada na prevenção primária de doença cardiovascular em mulheres com leiomiomatose.
A presença de miomas, isoladamente, não justifica intervenções cirúrgicas com finalidade preventiva cardiovascular. O foco deve permanecer na vigilância clínica e no manejo global do risco.
E para quem deseja se aprofundar: DiTosto JD et al. Association Between Uterine Fibroids and Risk of Atherosclerotic Cardiovascular Disease. Journal of the American Heart Association. DOI: 10.1161/JAHA.125.044014

15/12/2025

Excelente fala da professora Susan Davis, umas das maiores pesquisadoras sobre testosterona no mundo. Estava numa live sobre os perigos dos “influencers” de saúde na mídia social. E a sua mensagem é bem clara: o influenciador sempre pode encontrar alguma literatura convincente para justificar sua tese ou argumento. Entretanto, se ele foi seletivo, escolhendo um ou dois artigos e não toda a literatura, ele está sendo DESONESTO com seus interlocutores. Semana passada tivemos uma carta de posicionamento da e sobre o uso de testosterona em mulheres. A reação de muitos médicos foi se manifestar contrário a carta, baseando sua justificativa em artigos selecionados, normalmente com pouca força de evidência científica. Ou seja, foram desonesto com seu público. Sugiro as mulheres atenção e busca das melhores informações antes de iniciar a reposição de testosterona. E aos colegas médicos, antes de formar seu posicionamento sobre uso de testosterona, tenha o comprometimento de avaliar toda a literatura médica - seja honesto com suas pacientes!

A queda do estrogênio na transição menopausal não altera apenas sintomas como fogachos e sono. Ela modifica, de forma mu...
11/12/2025

A queda do estrogênio na transição menopausal não altera apenas sintomas como fogachos e sono. Ela modifica, de forma muito mais ampla, a forma como o sistema imunológico funciona. Esse hipoestrogenismo cria um ambiente inflamatório, caracterizado pelo aumento de citocinas pró-inflamatórias e maior ativação imunológica.
Algo que a literatura reforça é a relação direta entre essa queda hormonal e a permeabilidade intestinal. Na transição menopausal, há uma fragilidade da barreira epitelial permitindo a passagem de partículas e microrganismos para a circulação. Essa translocação eleva a inflamação sistêmica, que repercute em diferentes tecidos, incluindo o osso.
A microbiota também se altera. Mulheres na pós-menopausa apresentam redução de diversidade bacteriana e mudanças na composição microbiana. Essas alterações se correlacionam com níveis maiores de inflamação e com uma menor densidade mineral óssea. Ou seja, a imunidade, a saúde do intestino e do tecido ósseo estão conectadas.
O exercício físico é uma das estratégias mais eficazes para modular esses processos. Ele diminui a inflamação, aumenta sinalizações protetoras e melhora a composição da microbiota, favorecendo a produção de butirato, um ácido graxo com potente ação anti-inflamatória. Em diferentes estudos, programas de exercício foram capazes de reduzir citocinas inflamatórias como PCR, IL-6 e TNF-α e promover um ambiente intestinal mais equilibrado.
A recomendação atual aponta para um treino variado que inclua aeróbico, força, equilíbrio e flexibilidade. Com regularidade e ajuste da intensidade, ele se torna uma ferramenta poderosa para mitigar os efeitos do hipoestrogenismo na saúde imunológica, intestinal e óssea durante a menopausa.

No último dia 5/12 participei ao vivo do Metropole Mais com a jornalista Silvana Freire, ao lado do Dr. Fábio Moura, dir...
10/12/2025

No último dia 5/12 participei ao vivo do Metropole Mais com a jornalista Silvana Freire, ao lado do Dr. Fábio Moura, diretor da SBEM.
Estive presente representando a , que — junto a outras entidades médicas — assinou a carta enviada à Anvisa alertando para os riscos da produção irregular e da falta de controle na manipulação de medicamentos para emagrecimento.
A conversa foi bastante esclarecedora e aprofunda pontos importantes sobre segurança, ética e responsabilidade no uso desses medicamentos.
A entrevista completa está disponível no YouTube e o link está na minha bio.

A história do colesterol é mais complexa do que a divisão entre bom e ruim. O que realmente importa para avaliar risco c...
02/12/2025

A história do colesterol é mais complexa do que a divisão entre bom e ruim. O que realmente importa para avaliar risco cardiovascular é entender como cada partícula carregadora de colesterol que circula no sangue se comporta.
LDL e HDL não são colesterol. São veículos de transporte que juntos movem a maior parte do colesterol do corpo. De maneira geral, o LDL transporta e “fornece” colesterol aos tecidos, e o HDL coleta o excesso e leva de volta ao fígado. Essas partículas podem se “encontrar” no sangue e “trocar” colesterol entre si, o que acaba por tornar mais complexo esse sistema de transporte do colesterol e “derrubar” o raciocínio de bom e ruim. O LDL só se torna um problema quando aparece em excesso, o que favorece o acúmulo nas artérias e aumenta o risco de infarto. Mas ele está longe de ser o único personagem relevante.
A Lp(a) é um exemplo importante. É uma partícula com grande peso genético (familiar) que nos indivíduos em que está aumentada representa um alto risco cardiovascular mesmo quando os outros exames parecem normais. Ela não diminui com dieta, exercício ou medidas tradicionais de controle. Mas devem ser feitas todas as estratégias para diminuição de risco cardiovascular e ser realizado um seguimento de perto!
Os remanescentes também merecem atenção. São partículas grandes, ricas em colesterol e com elevado potencial aterogênico, eventualmente até maior do que o LDL. Muitas vezes não são dosados nos check-ups, mas influenciam bastante o risco real.
O ApoB é outro marcador que pode auxiliar. Em vez de medir o volume de colesterol presente nas partículas, o ApoB revela a quantidade de apolipoproteína B-100, que está presente (uma proteína por partícula) nas partículas responsáveis por causar aterosclerose, ou seja, LDL, VLDL, remanescentes. Ele oferece uma informação diferente do LDL, o número de partículas circulantes, que pode ser útil na avaliação de risco. O HDL não carrega ApoB, mas sim a ApoA-1.
(continua nos comentários)

Neste sábado tive a oportunidade de participar de uma evento de excelência científica sobre obesidade com foco na saúde ...
30/11/2025

Neste sábado tive a oportunidade de participar de uma evento de excelência científica sobre obesidade com foco na saúde hepática. O mensagem foi a importância dos médicos não deixarem de identificar e tratar o quanto antes a doença gordurosa hepática relacionada a disfunção metabólica para evitar os seus desfechos metabólicos, cardiovascular, renal e uma doença nominada como Síndrome Metabólica Cardio-Renal-Diabetica-Hepatica (CARDIAL-MS). Minha participação focou na saúde da mulher. Junto com a endocrinologista, presidente da Cynthia Valério falamos do impacto da doença gordurosa hepática em diferentes fases da vida da mulher, com foco na pós-menopausa. A perda do estrogênio é desastrosa, há perda da proteção hepática, risco para desenvolvimento da doença e para fibrose/inflamacao. Mulheres tem menos doença hepática, mas maior chance de desenvolver fibrose e cirrose, principalmente na pós-menopausa! Agradeço muito o convite feito pelas colegas .marianatorquato, Dra Fernanda Canedo e a pelo brilhante evento!

Não podemos falar de saúde da mulher, principalmente na perimenopausa, sem identificar os riscos do sobrepeso e obesidade!!

25/11/2025

O FDA retirou recentemente os rótulos de advertência das bulas da terapia hormonal - uma excelente notícia! Um único ponto que me chamou atenção foi uma das justificativas mencionada, a sugestão de redução de risco de Alzheimer em 35% quando o tratamento é iniciado na perimenopausa. A referência dessa informação é de uma publicação de 1996!

Quando analisamos os estudos produzidos após o WHI, especialmente aqueles que consideram a janela de oportunidade, o que encontramos é que a terapia hormonal não melhora a cognição, mas também não a prejudica. O efeito é neutro.

Alguns estudos observacionais sugerem um possível benefício com o uso do estradiol isolado, mas esse efeito desaparece quando adicionamos progestagênios, e até o momento não temos ensaios clínicos que confirmem essas hipóteses. Além disso, doenças demenciais degenerativas como Alzheimer têm origem multifatorial, influenciada por genética, envelhecimento, contexto de vida e hábitos — fatores que pesam muito mais do que qualquer intervenção isolada.

Por isso, embora seja importante reforçar que a terapia hormonal não aumenta o risco de demência, também não devemos apresentá-la como estratégia de prevenção. A evidência atual não sustenta essa promessa. Temos que ter responsabilidade para não transformarmos a reposição hormonal numa panaceia! Informação clara e baseada em ciência continua sendo o caminho mais seguro para orientar as mulheres.

A literatura recente reforça o papel da microbiota intestinal na regulação do sono, mediado por rotas metabólicas, imuno...
20/11/2025

A literatura recente reforça o papel da microbiota intestinal na regulação do sono, mediado por rotas metabólicas, imunológicas e neurais.
Metabólitos como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) e neurotransmissores derivados do triptofano participam da comunicação entre intestino e cérebro, modulando o ciclo sono-vigília.
Disbioses têm sido associadas a insônia, apneia obstrutiva do sono, distúrbios circadianos e REM behavior disorder.
Intervenções como dietas prebióticas, probióticos, sinbióticos e até transplante de microbiota f***l vêm sendo investigadas com resultados promissores.
Referência: https://doi.org/10.61373/bm025i.0128

17/11/2025

Convite: Participe da gravação ao vivo do 7º episódio do podcast nessa próxima quinta-feira, 20/11 às 20h!

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São Paulo, SP
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