Prof. Dr. Marcelo Steiner

Prof. Dr. Marcelo Steiner Doutor em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Santo André – SP. Especialização em Videoendoscopia Ginecológica - Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Santo André – SP.

25/03/2026

Uma matéria recente da Nature sobre saúde feminina reacende discussões importantes sobre a menopausa. A terapia hormonal já não carrega o mesmo medo de antes, mas também não deve ser vista como solução simples. Entre benefícios, limites e desafios da transição, ainda há muitas lacunas. No vídeo, aprofundo esses pontos.

*Correção: ao comentar um dos estudos, menciono que ele foi feito na Holanda, mas na verdade foi realizado na Dinamarca.

A menopausa não representa apenas o fim do ciclo menstrual. Para o organismo, ela marca uma mudança importante no metabo...
20/03/2026

A menopausa não representa apenas o fim do ciclo menstrual. Para o organismo, ela marca uma mudança importante no metabolismo e na saúde cardiovascular.
A queda do estrogênio reduz parte da proteção natural das artérias e favorece alterações no perfil lipídico. Nesse período, é comum observar aumento do LDL e, em alguns casos, da Lipoproteína(a), fatores que contribuem para o desenvolvimento da aterosclerose.
As novas diretrizes reforçam também que alguns elementos da história clínica da mulher ajudam a refinar a avaliação de risco. Menopausa antes dos 45 anos, por exemplo, passa a ser considerada um marcador de maior risco cardiovascular. Além disso, eventos do histórico reprodutivo, como hipertensão na gravidez, diabetes gestacional ou parto prematuro, podem sinalizar maior probabilidade de doença cardiovascular ao longo da vida.
A prevenção vai além do tratamento hormonal dos sintomas. Estratégias como alimentação equilibrada, atividade física regular e controle adequado do colesterol continuam sendo pilares fundamentais para proteger o coração nas próximas décadas.
Por isso, a menopausa pode ser um momento importante para reavaliar o risco cardiovascular e discutir estratégias de prevenção.

Dormir é um processo fisiológico essencial para a manutenção da saúde física e mental. Hoje sabemos que o sono é uma nec...
17/03/2026

Dormir é um processo fisiológico essencial para a manutenção da saúde física e mental. Hoje sabemos que o sono é uma necessidade biológica básica, tão importante quanto alimentação e exercício, e um dos pilares da saúde a longo prazo.
Além da quantidade de sono, o cronotipo também importa. Ele reflete a preferência natural do organismo para horários de sono, alimentação e atividade ao longo do dia. Algumas pessoas são mais matutinas (cotovias), enquanto outras funcionam melhor à noite (corujas). Respeitar o seu cronotipo é importante para manter sua saúde equilibrada. Com o envelhecimento e a transição para a menopausa, há uma tendência de migração para um padrão mais matutino.
Nessa fase, alterações hormonais podem afetar profundamente o descanso. A queda do estrogênio, a redução da melatonina e a presença de sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos, estão entre os principais fatores associados a despertares noturnos e sono fragmentado.
O sono também se conecta a outros sistemas do corpo. O eixo intestino–cérebro, a composição da microbiota e padrões alimentares influenciam a regulação do ciclo sono-vigília.
Além disso, a desregulação do ritmo circadiano, como ocorre no trabalho noturno, está associada a maior risco de doenças metabólicas, cardiovasculares e transtornos de humor, com impacto relevante na saúde feminina ao longo do tempo.



Referências
Menopause: The Journal of The Menopause Society. DOI: 10.1097/GME.0000000000002386
Current Obesity Reports (2022) 11:254–262. DOI: 10.1007/s13679-022-00479-9
Sleep Medicine Reviews (2023) 69:101788. DOI: 10.1016/j.smrv.2023.101788

Dormir é um processo fisiológico essencial para a manutenção da saúde física e mental. Hoje sabemos que o sono é uma nec...
17/03/2026

Dormir é um processo fisiológico essencial para a manutenção da saúde física e mental. Hoje sabemos que o sono é uma necessidade biológica básica, tão importante quanto alimentação e exercício, e um dos pilares da saúde a longo prazo.
Além da quantidade de sono, o cronotipo também importa. Ele reflete a preferência natural do organismo para horários de sono, alimentação e atividade ao longo do dia. Algumas pessoas são mais matutinas (cotovias), enquanto outras funcionam melhor à noite (corujas). Respeitar o seu cronotipo é importante para manter sua saúde equilibrada. Com o envelhecimento e a transição para a menopausa, há uma tendência de migração para um padrão mais matutino.
Nessa fase, alterações hormonais podem afetar profundamente o descanso. A queda do estrogênio, a redução da melatonina e a presença de sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos, estão entre os principais fatores associados a despertares noturnos e sono fragmentado.
O sono também se conecta a outros sistemas do corpo. O eixo intestino–cérebro, a composição da microbiota e padrões alimentares influenciam a regulação do ciclo sono-vigília.
Além disso, a desregulação do ritmo circadiano, como ocorre no trabalho noturno, está associada a maior risco de doenças metabólicas, cardiovasculares e transtornos de humor, com impacto relevante na saúde feminina ao longo do tempo.


Referências
Menopause: The Journal of The Menopause Society. DOI: 10.1097/GME.0000000000002386
Current Obesity Reports (2022) 11:254–262. DOI: 10.1007/s13679-022-00479-9
Sleep Medicine Reviews (2023) 69:101788. DOI: 10.1016/j.smrv.2023.101788

Mulheres na pós-menopausa costumam ter maior risco para alterações no perfil lipídico. Ao longo da menopausa, é comum ob...
13/03/2026

Mulheres na pós-menopausa costumam ter maior risco para alterações no perfil lipídico. Ao longo da menopausa, é comum observar aumento do colesterol total, do LDL e dos triglicérides, configurando um perfil mais aterogênico. Após os 50 anos, os níveis de LDL nas mulheres frequentemente ultrapassam os dos homens da mesma idade.
Mesmo quando o HDL permanece aparentemente estável, sua função protetora pode diminuir. As partículas tornam-se menores e menos eficientes na remoção do colesterol das artérias, reduzindo a capacidade de “limpeza” das placas.
Outro ponto importante é a lipoproteína(a) ou Lp(a). Diferentemente do que costuma ocorrer nos homens, nas mulheres seus níveis podem aumentar após a menopausa, coincidindo com a queda do estradiol. Valores elevados estão associados a maior risco cardiovascular.
Parte dessas mudanças está relacionada à regulação da proteína PCSK9, envolvida na remoção do LDL pelo fígado. Com menos estrogênio, essa remoção se torna menos eficiente e o LDL permanece mais tempo circulando no sangue. Além disso, é comum ocorrer aumento da gordura abdominal e inflamação metabólica.
Nesse contexto, avaliar o risco cardiovascular e acompanhar exames como as frações de colesterol, PCR e lipoproteína B torna-se ainda mais importante nessa fase da vida.
Você já conversou com seu médico sobre como a menopausa pode impactar sua saúde cardiovascular?


Referências
van Oortmerssen JAE et al. Atherosclerosis. 2025.
DOI: https://doi.org/10.1016/j.atherosclerosis.2025.119213
El Khoudary SR et al. Circulation. 2020.
DOI: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000000912

10/03/2026

A perimenopausa é um período em que a perda de massa óssea pode se acelerar por causa da queda do estrogênio. Por isso, identificar as mulheres com maior risco de osteoporose e fraturas por fragilidade é fundamental.

Essa avaliação começa com uma boa história clínica. Entender se a paciente conseguiu formar um bom pico de massa óssea ao longo da vida faz diferença. Fatores como baixa ingestão de cálcio, pouca exposição ao sol, deficiência de vitamina D e ausência de atividade física, especialmente exercícios resistidos, podem influenciar nessa reserva óssea.

Quando essa mulher chega à perimenopausa já com uma massa óssea menor, o risco de desenvolver osteoporose e sofrer fraturas aumenta.

Nesses casos, a terapia de reposição hormonal pode ser uma estratégia importante. Além de outros benefícios conhecidos, ela também pode ajudar a preservar a massa óssea e reduzir o risco de fraturas.

Por isso, olhar para a saúde óssea nessa fase da vida é essencial. A identificação precoce das mulheres de maior risco permite pensar em estratégias de prevenção e cuidado mais adequadas.

07/03/2026
06/03/2026

A terapia de reposição hormonal sistêmica, administrada por via oral ou transdérmica, é bastante eficaz no controle de sintomas vasomotores e oferece benefícios para a saúde óssea. No entanto, nem sempre proporciona alívio adequado dos sintomas geniturinários, como secura vaginal, dor durante a relação sexual e perdas urinárias.

Isso ocorre porque o tecido vaginal necessita de uma ação estrogênica mais alta, e os níveis hormonais alcançados com a terapia sistêmica podem não ser suficientes para promover uma resposta local ideal. Essa situação não significa falha do tratamento, mas sim a necessidade de um ajuste terapêutico para alcançar melhor controle dos sintomas.

Na maioria das vezes, esse ajuste não exige aumento da dose da terapia sistêmica, mas sim a associação de estrogênio tópico (vaginal), estratégia que costuma ser eficaz e segura.

Cada caso deve ser avaliado individualmente. Por isso, conversar com o médico é fundamental para definir a melhor abordagem e garantir mais conforto e qualidade de vida.

A perimenopausa costuma ser identificada pela irregularidade menstrual em mulheres acima de 40 anos, um marcador biológi...
04/03/2026

A perimenopausa costuma ser identificada pela irregularidade menstrual em mulheres acima de 40 anos, um marcador biológico do início da falência ovariana e do consequente comportamento errático do estrogênio. Os fogachos normalmente aparecem no final desse período quando os níveis de estrogênios estão baixos. Mas estudos recentes demonstram que, na vida real, outros sintomas são mais prevalentes e impactantes para a saúde das mulheres neste período.
Exaustão física e mental, fadiga persistente e irritabilidade aparecem com muito mais frequência do que a irregularidade e as ondas de calor, impactando diretamente energia, humor e qualidade de vida.
As variações do comportamento do estrogênio não afetam apenas o ciclo menstrual, mas também o sistema nervoso central, o sono e os ritmos biológicos, podendo gerar sensação constante de cansaço e alterações emocionais.
Como esses sintomas têm múltiplas causas possíveis, a investigação médica é fundamental para descartar outras condições. Porém, quando os exames estão normais, é importante considerar que a instabilidade hormonal pode estar na origem do quadro.
A perimenopausa pode começar anos antes da menopausa. Reconhecer esses sinais é parte do autocuidado e permite buscar orientação adequada no momento certo.
Você já percebeu alguma dessas mudanças?
Referências
Hedges et al., Menopause (2026). DOI: 10.1097/GME.0000000000002730
Aras et al., Scientific Reports (2025). DOI: 10.1038/s41598-024-84208-3

Menopausa não é apenas um conjunto de sintomas. É uma transição biológica marcada pela falência ovariana e pela queda ab...
28/02/2026

Menopausa não é apenas um conjunto de sintomas. É uma transição biológica marcada pela falência ovariana e pela queda abrupta do estrogênio, um hormônio com papel regulador central em múltiplos sistemas.
A perda estrogênica atua como gatilho para inflamação sistêmica de baixo grau, fenômeno associado à aceleração do envelhecimento biológico. Esse processo determina aumento da gordura visceral, maior resistência à insulina, piora do perfil lipídico, menor diversidade da microbiota intestinal, aumento da permeabilidade intestinal a potenciais patógenos, promovendo um risco cardiometabólico sistêmico.
No cérebro, a transição menopausal é considerada um ponto de inflexão. Alterações inflamatórias e no metabolismo da glicose cerebral podem aumentar vulnerabilidade celular e risco de doenças neurodegenerativas.
Já na perimenopausa o esqueleto sofre perda da densidade mineral óssea, elevando o risco de osteoporose e fraturas. E no músculo, risco para o desenvolvimento da sarcopenia com comprometimento da força muscular, do metabolismo energético e desempenho físico.
A terapia hormonal pode ser uma estratégia importante, especialmente quando iniciada na janela de oportunidade, mas não deve ser isolada. Nutrição adequada, exercício aeróbico e treino de força, sono de qualidade e redução de fatores inflamatórios são pilares essenciais.
Menopausa não é fim de vitalidade. É um ponto crítico para intervenção preventiva e fortalecimento para um envelhecimento saudável!
Referências
Menopause. 2024;31(10):926-939.
DOI: 10.1097/GME.0000000000002407
Nature Aging. 2024;4:1731-1744.
DOI: 10.1038/s43587-024-00687-3
J Reprod Immunol. 2021;146:103346.
DOI: 10.1016/j.jri.2021.103346
Am J Obstet Gynecol. 2022.
DOI: 10.1016/j.ajog.2022.02.018
Menopause. 2022;10(6):P442-456.
DOI: 10.1016/S2468-2667(22)00082-1

24/02/2026

Um dos maiores receios das mulheres quando indicamos terapia de reposição hormonal é o ganho de peso. Mas na menopausa acontece justamente o contrário: a perda do estrogênio reduz o metabolismo, altera a distribuição de gordura, aumenta a gordura abdominal, piora o sono, intensifica ondas de calor e ansiedade. Tudo isso favorece o ganho de peso e eleva o risco cardiovascular.

A terapia hormonal não deve ser vista como estratégia de emagrecimento, mas pode ajudar a reverter parte desses processos. Estudos recentes mostram que, associada a medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida, a perda de peso foi maior do que com o uso isolado dessas medicações, além de melhores desfechos cardiometabólicos, redução de gordura visceral e hepática.

Os dados ainda são iniciais, mas apontam um possível efeito sinérgico entre a terapia hormonal e o tratamento da obesidade. Mais do que falar apenas de peso, estamos falando de metabolismo, sintomas, qualidade do sono e saúde global da mulher.

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