18/02/2026
Um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz, entre eles vários infectologistas associados (ou sócios) da SBI, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), trouxe dados inéditos sobre essa arbovirose emergente, historicamente associada à Região Amazônica e que vem sendo identificada em estados do Sudeste como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Paraná.
Transmitida principalmente pelo vetor maruim (Culicoides paraensis), a febre do Oropouche apresenta sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como febre alta, dor de cabeça intensa e mal-estar, o que dificulta o diagnóstico clínico. A pesquisa mostrou que os sintomas podem persistir por mais tempo do que se imaginava e, em cerca de um terço dos casos, podem retornar após um período de melhora.
Entre os achados mais relevantes está a identificação do vírus não apenas no sangue, mas também em saliva, urina e sêmen, o que amplia a janela diagnóstica e traz novos elementos para a compreensão da transmissão e do controle da doença.
Publicado na revista ‘Open Forum Infectious Diseases, da Infectious Diseases Society of America’ (IDSA), o estudo reforça a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica, aprimorar estratégias diagnósticas e preparar o sistema de saúde para o enfrentamento de arboviroses ainda pouco conhecidas pela população.
A Sociedade Brasileira de Infectologia destaca a importância da pesquisa científica nacional na identificação de novos cenários epidemiológicos e no fortalecimento das respostas em saúde pública.
Fontes: MARTINS, E. B. et al. Viral, Clinical, and Epidemiological Characteristics of Oropouche Fever in Southeastern Brazil. Open forum infectious diseases, v. 13, n. 1, p. ofaf736, jul. 2026.