23/02/2026
Essa frase, que parece óbvia para quem estuda a estrutura patriarcal, me bateu forte aqui…
Sendo mãe de menino, me pego diariamente pensando sobre isso. Como educar um menino para não ser um homem violento, concorrendo o tempo todo com o sistema? O que está em nossas mãos? O que nos escapa? Como ensinar desde tenra idade sobre machismo e sobre as imposições violentas para performar um gênero?
Já li, estudei e estudo tanto sobre o tema, até aula dou. Mas, quando é com a gente, na prática, dá aquele frio na barriga e o medo dos inevitáveis erros. Percebemos, mais do que nunca, nossos próprios preconceitos e o quanto somos atravessadas pelo patriarcado.
Meninos escutam desde cedo mil interditos do que não fazer para não parecerem meninas; escutam ‘ser menina’ ou ‘ser menininha’ o tempo todo em tom pejorativo, como sinônimo de fraqueza. ‘Não pode brincar de boneca’, ‘não pode falar desse jeito’, ‘tem que andar que nem homem, não que nem menina’, ‘menino tem que ser bruto’, etc., etc., etc. Escutam sobre o que não fazer para não serem meninas, mas faltam significantes do que é ser um ‘bom homem’. Praticamente tudo o que se escuta sobre ‘ser homem’ é sobre ser violento e engolir a sensibilidade e a vulnerabilidade ‘a seco’.
Estudiosos de diversas áreas se dedicavam exaustivamente a entender ‘o que é uma mulher’ ou ‘o que querem as mulheres’, mas não ‘o que é ser homem’, pois já entendiam o masculino como a realidade universal — quase como um sinônimo de ser humano. Recentemente é que movimentos masculinos, em busca de uma masculinidade menos violenta, vieram se ocupar disso.
Quando nos tornamos mães de meninos, precisamos não só pensar sobre como defender a nós, mulheres, mas nos sentimos convocadas a olhar para a masculinidade. Pelo nosso filho e pelas mulheres.
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