21/06/2015
Ciclo Menstrual, Tensão Pré Menstrual e Doces.
Um assunto muito polêmico e ainda difícil de decifrar é o ciclo menstrual, onde há grande oscilações hormonais nas mulheres. Onde cada período há um determinado tipo de comportamento. Lógico que as mudanças variam de mulher para mulher e cada uma deve estudar bem seus ciclos para assim controla-los da melhor forma tanto no quesito alimentação quanto ao treinamento.
Primeiramente devemos entender como funciona o ciclo menstrual e suas variações hormonais que ocorrem durante o mesmo. O início da função reprodutiva é liderada pelo hipotálamo através da liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), esse hormônio vai estimular à hipófise para liberar folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). O FSH regula a produção de estradiol nas células granulosas do ovário, assim como a maturação folicular, enquanto o LH estimula a produção de androstenediona na célula teca e liberação do óvulo pelo folículo maduro e produção de progesterona nas granulosas do corpo lúteo, onde essa fase ocorre uma maior produção desse hormônio.
O feedback negativo do GnRH ocorre pelos níveis hormônios esteroides como estrogênio e progesterona que vão mediar a liberação deste hormônio, além de outros fatores como neurotransmissores, onde a norepinefrina pode estimular a liberação do GnRH, enquanto dopamina e opoides acabam suprimindo a produção desse hormônio.
Como mostra na primeira imagem o início do ciclo ocorre na FASE MENSTRUAL, onde há descamação do endométrio devido à queda de estrogênio e progesterona fazendo com que aconteça o sangramento para eliminar o corpo lúteo formado após a ovulação (0-3~5dias). Em seguida entra-se na FASE FOLICULAR ou pré ovulatória, onde há o aumento de FSH que por consequência aumenta o estrogênio, onde o mesmo irá induzir o crescimento do endométrio preparando-o para um futura gravidez. (3~5-13~15 dia).
Na fase em que o folículo está maduro ocorre os picos de LH, FSH e estradiol, para que ocorra a liberação do ovulo maduro para que o mesmo seja fecundado. A fase pós ovulatoria, ocorre o aumento da progesterona, onde após a ovulação, inicia-se a formação do corpo lúteo chamada de FASE LÚTEA. O corpo lúteo é considerado o tecido esteroidogênico mais ativo nos seres humanos e sua produção elevada de progesterona é devido a disponibilidade de LDL (lipoproteína de baixa densidade) que vai servir de substrato para a produção desse hormônio. A fase lútea dura em torno de 12 a 16 dias onde começa sua regressão para que inicie a menstruação e um novo folículo será formado. Na fase pré menstrual já ocorre a queda dos hormônios esteroides (progesterona e estrogênio) sendo assim descamando o endométrio para que ocorra uma nova regeneração do mesmo para aguardar um novo folículo maduro.
Sabendo como a fisiologia reprodutiva funciona, f**a podemos prosseguir para os próximos passo, onde vamos entender alguns comportamentos que a mulher tem em relação a alimentação.
Estrogênio é o hormônio chave para esse processo, através dele ocorre as alterações fisiológicas e comportamentais das mulheres, estratégias nutricionais são muito ef**azes, a disciplina também algo extremamente necessário e o uso de anticoncepcional atrapalha, pois favorece que esses distúrbios sejam agravados, além de alguns caso a modulação hormonal para que haja um equilíbrio entre estrogênio e progesterona também se torna necessária.
Vamos entender o um pouco sobre o processo, na fase pos ovulatoria até próximo do fim da fase lútea os níveis de progesterona e estrogênio estão equilibrados, porém no fim da fase lútea os níveis de progesterona e estrogenio caem bruscamente, porém o estrogênio f**a acima dos níveis da progesterona ocasionando um grande desequilíbrio hormonal e diminuindo a razão P:E2.
O desequilíbrio hormonal referente ao excesso de estrogênio ocasiona baixa na taxa do hormônio T3 livre (tiroxina) pelo aumento da TBG (Proteína ligadora de Tiroxina) diminuindo a taxa metabólica basal e favorecendo o acúmulo de gordura, e como estamos falando do estrogênio, o acúmulo será na forma do perfil ginóide (quadril e coxa), aumento do hormônio Aldosterona, esse hormônio é responsável pelo metabolismo de eletrólitos, onde sua função principal é reabsorver sódio e por consequência água pelos rins por efeito osmótico, e como isso aumenta a retenção hídrica dando uma sensação de maior inchaço nesse período.
O estrogênio também aumenta os níveis de cortisol, sendo que o mesmo aumenta atividade da enzima aromatase e a resistência à insulina, e o problemas quando se junta aos maus hábitos alimentares, onde se come mais alimentos com alta carga glicêmica (CG) e alto índice glicêmico (IG) causando casos constantes de hiperglicemia seguidos de hiperinsulinemia e maior resistência à mesma, com isso causando mais rebotes hipoglicêmicos aumentando a produção de androgênios estimulando pelo hormônio gonadrotofinas devido a hiperinsulinemia constante e maior atividade aromatese devido ao cortisol alto induzido pelo estrogênio e pelo aumento do tecido adiposo convertendo androgênios em estrogênios tornando um ciclo vicioso e prejudicial.
E tem mais, o estrogênio diminui a densidade dos receptores de dopamina e aumenta os de noradrenalina, causando maior estresse rs... e a vontade por doces aumenta, pois a dopamina está baixa e o açúcar tem um grande poder de aumentar esse neurotransmissor, além do fato de a glicemia está baixa pelas pauladas de insulina causada tanto pelo excesso de cortisol que causa hiperglicemia, quando a indução a comer mais açúcar pela baixa em dopamina. Porém chega uma hora que a glândula adrenal não responde mais ao estresse devido ao excesso de estrogênio induzido a produção de cortisol, e acabando ocorrendo uma queda nesse hormônio que por mecanismo fisiológico em resposta ao estresse não respondido pelo mesmo, aumenta a aldosterora que irá induzir uma maior retenção hídrica e aumento da PA (pressão arterial).
Os estrogênios tem efeito insulinotrópicos e são inibidores da gliconeogenes, ou seja, após uma refeição uma carga insulínica é liberada em alta quantidade, junto a isso a insulina cai bruscamente, densidade de dopamina em baixa e efeito inibitório da gliconeogenese causado pelo estrogênio e o resultado é uma hipoglicemia forte que fará com que a mulher tem compulsão por alimentos ricos em açúcares, ai já imagina a catástrofe.
Os anticoncepcionais te lembraram algo? Então, eles são ricos em estrogênios que vão desencadear vários efeitos aqui devido ao excesso de estrogênio e em conjunto baixa na progesterona e androgênios, principalmente a testosterona.
Não estou dizendo que estrogênio é vilão, aliás tem muitos benefícios como melhora na sensibilidade a insulina, melhora no perfil lipídico, na saúde hepática, mas o desequilíbrio em relação aos outros hormônios podem causar efeitos colaterais que são muito desconfortantes para as mulheres e possivelmente se não forem tratados podem vir a desenvolver uma doença crônica como diabetes ou hipertensão por exemplo.
Síndrome do ovário policístico ainda é uma assunto bem complexo, mas o anticoncepcional não o melhor tratamento e sim o equilíbrio hormonal, juntamente com manter a insulina sensível e controlada para não aumentar os níveis de gonadotrofinas e possíveis aromatizações com o uso de contraceptivos induzindo o excesso de cortisol e aumento do tecido adiposo onde ambos atuarão no aumento da enzima aromatase.
A alimentação ainda continua sendo o fator chave para conseguir se manter controlada nesse período, caso o desequilíbrio não seja algum distúrbio patológico, controlando a sensibilidade a insulina. E saiba que anticoncepcional não é a melhor saída de ovário policístico e vão piorar muito sua relação com seu corpo dentro e fora.
Alguns suplementos e fitoterápicos podem ajudar bastante como o indol-3-carbinol e Di-indolemetano (DIM) que atuam na enzima CYP1A1 no fígado aumentando sua atividade e consequente a metabolização do estradiol e sua excreção.
Picolinato de cromo também é um bom aliado, pois o derivado dele ácido picolinico é um metabólito do triptofano, aumentado seus níveis no sistema nervoso e consequente os níveis de serotonina, além de sensibilizar os receptores 5 HT (2A) e juntamente por diminui a ação da MAO (monoamina oxidase e da dopamina beta-hidroxilase, assim diminuindo a degradação de dopamina.
Evitar o consumo de álcool excessivo que é fato limitante para excreção de estrogênio pelo fígado, e imprescindível a atividade física e uma alimentação coerente. Nada de carboidratos de alto CG e IG em grandes quantidades e quando utilizar, mesclar com os carboidratos de baixo IG e CG, para que não haja respostas hipoglicêmicas e para finalizar se possível não usar anticoncepcional, temos o DIU que é uma ótima alternativa e não prejudicial, mas caso não tiver jeito fazer uma modulação hormonal individual e para isso consulte um médico e não faça por conta.
Consulte seu Nutricionista!
Bons Treinos.