Espaço Movimento Interdisciplinar

Espaço Movimento Interdisciplinar Equipe interdisciplinar atuando há 21 anos na região da Vila Prudente (São Paulo/SP)

Especialidades terapêuticas, Acompanhamento pedagógico e aulas de música com horário marcado.

Na prática clínica, já acompanhei crianças hiperléxicas com perfis extremamente diferentes entre si. Uma delas começou a...
27/05/2026

Na prática clínica, já acompanhei crianças hiperléxicas com perfis extremamente diferentes entre si.

Uma delas começou a ler aos 3 anos. Inclusive em diferentes idiomas. Mais tarde, recebeu diagnóstico de altas habilidades/superdotação.

Outra começou a falar e ler praticamente ao mesmo tempo, por volta dos 2 anos. Grande parte do seu interesse estava relacionada ao hiperfoco em futebol: sabia hinos, nomes de jogadores, resultados e informações sobre campeonatos do mundo inteiro.

Também acompanhei uma criança com atrasos mais signif**ativos no desenvolvimento, que passou a ler amplamente aos 4 anos e decorava páginas inteiras do guia de ruas de São Paulo. Nesse caso, a leitura precoce acabou mascarando por muito tempo dificuldades cognitivas importantes, posteriormente associadas à deficiência intelectual.

Havia, porém, um aspecto em comum entre elas: todas eram autistas.

Ainda assim, os perfis cognitivos, linguísticos, adaptativos e funcionais eram muito diferentes.

Por isso, hiperlexia não deveria ser reduzida a frases prontas como: “não entende o que lê” ou “isso é superdotação”.

Perfis de desenvolvimento podem ser muito desiguais.

Uma habilidade específ**a extremamente avançada não resume, sozinha, linguagem, cognição, funcionalidade, comunicação social ou compreensão global.

Talvez esse seja um dos pontos mais importantes da clínica do neurodesenvolvimento: olhar para além da habilidade que chama atenção.

Monique Mayumi Kamada
Psicomotricista e Psicopedagoga


💬 Você já tinha ouvido falar em hiperlexia antes desse post?

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Transtornos do Neurodesenvolvimento não dizem respeito apenas ao diagnóstico. Dizem respeito ao desenvolvimento humano, ...
25/05/2026

Transtornos do Neurodesenvolvimento não dizem respeito apenas ao diagnóstico. Dizem respeito ao desenvolvimento humano, à forma como o cérebro organiza funções cognitivas, sensoriais, motoras, linguísticas, sociais e emocionais desde os primeiros anos de vida.

Muitas vezes, sinais importantes são confundidos com “fase”, “preguiça”, “desinteresse”, “falta de limites” ou “cada criança tem seu tempo”. Mas atrasos persistentes, dificuldades importantes ou prejuízos funcionais merecem atenção cuidadosa e investigação qualif**ada.

Quanto mais cedo os sinais são identif**ados, maiores podem ser as possibilidades de suporte, intervenção, adaptação e desenvolvimento de autonomia.

E isso não vale apenas para o autismo.

Os Transtornos do Neurodesenvolvimento incluem diferentes condições que podem impactar aprendizagem, comunicação, coordenação motora, atenção, linguagem, funções executivas e interação social.

Informação correta faz diferença.

Porque compreender o neurodesenvolvimento não é apenas nomear dificuldades. É possibilitar caminhos mais acessíveis, funcionais e humanos para crianças, adolescentes, adultos e suas famílias.

👉 Deslize os cards para entender melhor.

💬 Você já conhecia o termo “Transtornos do Neurodesenvolvimento” ou costumava associá-lo apenas ao autismo e ao TDAH?

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Tem gente que passa o dia inteiro tentando começar uma tarefa simples… e termina o dia ouvindo que “faltou esforço”.A im...
22/05/2026

Tem gente que passa o dia inteiro tentando começar uma tarefa simples… e termina o dia ouvindo que “faltou esforço”.

A imagem desse post não fala apenas de distração. Ela fala de exaustão invisível.

Fala de abrir o notebook dezenas de vezes sem conseguir iniciar. De olhar uma lista inteira de tarefas e sentir o cérebro travar. De alternar entre culpa, ansiedade, cobrança e sobrecarga até para fazer algo que a pessoa queria fazer.

E talvez uma das partes mais cruéis do TDAH seja justamente essa: muitas pessoas estão tentando o tempo todo, mas o esforço não aparece do lado de fora.

Porque dificuldade de iniciar tarefas não é o mesmo que não querer. Sobrecarga executiva não é preguiça. Fadiga cognitiva não é irresponsabilidade.

Quando tudo vira julgamento moral, o sofrimento aumenta e o suporte desaparece.

Talvez esteja na hora de pararmos de perguntar: “Por que você não faz?” e começarmos a perguntar: “O que está dificultando que você consiga começar?”

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TDAH não é simplesmente “não prestar atenção”.Muitas vezes, a atenção até existe. O problema é sustentar, regular, organ...
21/05/2026

TDAH não é simplesmente “não prestar atenção”.
Muitas vezes, a atenção até existe. O problema é sustentar, regular, organizar, priorizar, iniciar e manter esforço mental por tempo prolongado.

É por isso que tantas pessoas com TDAH escutam frases como:
📢 “Você é inteligente, mas não se esforça.”
📢 “Você só precisa se organizar.”
📢 “Você começa tudo e não termina nada.”

Enquanto isso, o cérebro já está tentando administrar:
▪︎ excesso de estímulos;
▪︎ múltiplas demandas ao mesmo tempo;
▪︎ fadiga executiva;
▪︎ dificuldade de iniciar tarefas;
▪︎ esforço constante para manter foco e produtividade.

E tudo isso cansa. Muito. Principalmente quando a dificuldade é interpretada como desinteresse, preguiça ou falta de responsabilidade.

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Nem sempre a forma como alguém resolve um problema aparece no resultado final. Às vezes, o mais interessante está no cam...
19/05/2026

Nem sempre a forma como alguém resolve um problema aparece no resultado final.

Às vezes, o mais interessante está no caminho: quem planeja antes, quem testa possibilidades, quem organiza visualmente, quem precisa desenhar, quem muda de estratégia no meio, quem insiste mesmo depois do erro.

Em atividades simples como essa, podemos observar muito mais do que “acertar”.

Raciocínio lógico envolve planejamento, antecipação, atenção, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, organização visuoespacial, persistência e tomada de decisão.

E isso importa porque aprender não é apenas chegar à resposta. É construir caminhos para resolver problemas.

Na clínica e na educação, observar COMO alguém pensa costuma dizer muito mais do que apenas verif**ar se acertou.

💬 E você? Seu cérebro tentou resolver por onde?

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18/05/2026

Às vezes, quando falamos em regulação emocional, a conversa f**a centrada apenas na criança.

Mas a corregulação não acontece isoladamente.

Na prática, ela envolve o encontro entre a criança, o adulto, o contexto, o cansaço, a interpretação da situação e a forma como cada um responde emocionalmente àquilo.

Na fala da Dra. Graccielle Asevedo, aparece uma reflexão importante: a emoção não nasce “sozinha”. Ela emerge da relação entre pessoa, situação, atenção, avaliação e resposta emocional. Essa referência está presente no modelo de James Gross sobre regulação emocional.

E isso muda bastante a forma como entendemos muitas situações do cotidiano.

Porque, às vezes, o adulto não está sem recurso técnico. Está exausto. Sobrecarregado. Sem espaço de recuperação emocional.

E isso também atravessa a corregulação.

Falar sobre corregulação não deveria servir para aumentar culpa em mães, pais ou profissionais. Deveria ampliar compreensão sobre o quanto relações humanas exigem sustentação emocional mútua.

🎥 Trecho da participação da Dra. Graccielle Rodrigues da Cunha Asevedo no Congresso Integra – Reabilitação e Inclusão.

🔎 Descrição de acessibilidade: vídeo vertical gravado durante o Congresso Integra 2026 – Reabilitação e Inclusão. A Dra. Graccielle Asevedo aparece sentada em uma poltrona no palco, segurando um microfone e falando sobre regulação emocional e corregulação ao longo da vida. Ao fundo, há um telão azul do evento. O vídeo contém legendas automáticas em português.

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13/05/2026

Existe uma diferença importante entre fazer a criança escrever… e ensinar o corpo a sustentar a escrita com qualidade.

Quando a automatização não acontece, o esforço permanece alto por tempo demais.

E isso costuma aparecer depois: na lentidão, no cansaço, na dificuldade para copiar, na pressão excessiva do lápis e na baixa fluência do traçado.

A escrita precisa de prática. Mas também precisa de direção adequada do movimento.

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Muitas crianças chegam ao consultório no segundo, terceiro ou quarto ano do Ensino Fundamental carregando lacunas import...
12/05/2026

Muitas crianças chegam ao consultório no segundo, terceiro ou quarto ano do Ensino Fundamental carregando lacunas importantes no processo de aquisição da leitura e da escrita.

E, quase sempre, elas já perceberam isso.

Perceberam que ler exige mais esforço. Que escrevem com mais dificuldade. Que os colegas terminam antes. Que erram mais. Que precisam tentar muitas vezes para alcançar resultados que parecem vir com mais facilidade para outras crianças.

Isso produz sofrimento real.

Um sofrimento que nem sempre aparece em forma de choro. Às vezes aparece em forma de recusa, irritação, distração, resistência para ir à escola ou sensação constante de incapacidade.

Por isso, dificuldades persistentes de leitura e escrita não deveriam ser naturalizadas, minimizadas ou interpretadas apenas como “falta de interesse”.

Quanto mais tempo uma criança permanece sem suporte adequado, maiores podem ser os impactos emocionais, acadêmicos e na construção da autoestima.

Toda criança precisa de escuta, investigação cuidadosa, intervenção baseada em evidências e experiências de aprendizagem que não transformem o erro em sofrimento constante.

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Neste Dia das Mães, talvez seja importante lembrar de algo que quase nunca aparece nas homenagens prontas: existe amor, ...
10/05/2026

Neste Dia das Mães, talvez seja importante lembrar de algo que quase nunca aparece nas homenagens prontas: existe amor, mas também existe sobrecarga.

Existem mães que sustentam rotinas exaustivas, aprendem a identif**ar crises, reorganizam a própria vida em função do cuidado contínuo e atravessam anos tentando garantir suporte, dignidade e pertencimento para seus filhos.

E muitas fazem isso praticamente sozinhas.

Este post não é sobre romantizar a exaustão. É sobre reconhecer a profundidade de vínculos que seguem existindo mesmo quando faltam rede de apoio, escuta e acolhimento.

Também é sobre lembrar que cuidar continuamente de alguém transforma profundamente quem cuida.

Neste Dia das Mães, nosso carinho a todas as mães que seguem sustentando o cotidiano possível entre amor, cansaço, resistência e cuidado.

Feliz Dia das Mães. 💜

Equipe Movimento



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Existe uma ideia muito difundida de que interação social é algo “natural”. Mas, para muitas pessoas autistas, ela envolv...
07/05/2026

Existe uma ideia muito difundida de que interação social é algo “natural”.

Mas, para muitas pessoas autistas, ela envolve processamento ativo o tempo inteiro.

Enquanto algumas pessoas apenas conversam, muitos autistas estão tentando interpretar: tom de voz, expressões faciais, mudanças de humor, intenções implícitas, pausas, silêncios, reações, contextos sociais que raramente são explicados de forma direta.

E isso exige energia. Muita energia.

Por isso, o desgaste social no autismo nem sempre aparece como timidez ou dificuldade de comunicação. Às vezes, aparece como exaustão depois de interações aparentemente simples.

Não porque a pessoa “não gosta de gente”. Mas porque o cérebro pode estar trabalhando em alta intensidade o tempo todo para compreender, prever e responder socialmente.

💬 O que mais exige processamento social de você no dia a dia?

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