01/04/2026
Autismo e custo de vida: o peso invisível das famílias brasileiras
O cuidado de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente nos casos mais graves, impõe um desafio que vai além da saúde: trata-se de uma questão estrutural de sustentabilidade econômica das famílias. No Brasil, esse custo ainda é amplamente invisibilizado nas discussões de políticas públicas.
Em artigo original publicado na Revista Brasileira de Saúde Suplementar (RBSS), Antonio Carlos Coelho Campino e colaboradores analisam, com base em dados primários de famílias do estado de São Paulo, o custo diferencial de vida associado ao TEA em sua forma mais severa.
Os resultados são contundentes. Famílias com um membro com TEA grave apresentam um custo adicional médio de R$ 712,54 per capita por mês em comparação a famílias sem TEA. Quando se incorpora a perda de renda de cuidadores — frequentemente mães que deixam o mercado de trabalho, esse valor salta para R$ 2.067,33 mensais per capita, evidenciando um impacto econômico profundo e persistente.
A análise mostra que os gastos em saúde são o principal determinante dessa diferença, com despesas significativamente mais elevadas em terapias, consultas e medicamentos. Em média, os custos médicos dessas famílias são mais de três vezes superiores aos de famílias típicas, refletindo a intensidade do cuidado necessário.
Os achados apontam para uma questão central: quem deve arcar com esse custo? A evidência sugere que políticas de transferência de renda e apoio direto às famílias são não apenas necessárias, mas viáveis do ponto de vista fiscal, especialmente diante do crescimento da prevalência do TEA.
📖 Leia o artigo completo na RBSS:
https://rbss.org.br/index.php/RBSS/article/view/75