07/01/2026
13 luas como nômade - parte 2: o que cabe na mochila (e na vida)
O que realmente importa?
Em 13 luas vivendo apenas com a minha mochila, fazendo dela a minha casa e do mundo o meu quintal, tive a oportunidade de honrar a tatuagem que carrego no braço: “eu sou meu próprio lar”.
Tornar-se seu próprio lar passa por etapas que a música de Francisco, El Hombre descreve muito bem. Mas ninguém se atenta ao que é preciso deixar para trás. Escolher carregar a casa nas costas me ensinou que só posso ter O QUE REALMENTE PRECISO.
Mas, o que eu realmente preciso?
Se vocês olham as minhas fotos do último ano no feed, talvez me achem sempre bem vestida, já que sou vaidosa e amo me arrumar. Ou, dependendo de quem você é, vai achar justamente o contrário. Percebe como cada um olha do seu ponto de vista?
O ponto de vista é a vista de um ponto e se eu for tentar agradar a todos os pontos terei que ser onipresente e parece humanamente impossível.
A minha mochila precisa ter o que EU preciso, sem pensar em mais ninguém, porque sou eu que a carrego. Eu que uso o que carrego e deixo de usar o que elimino dela.
Viver com a mochila como casa me ensina a estar no presente.
Minha vaidade, por exemplo, é um artigo essencial na minha vida. Meus cremes e maquiagens não f**am de fora.
Entendi que me arrumar bem, manter minha rotina de autocuidado, é parte importante de mim e precisa caber, ainda que eu tire da minha bagagem coisas que antes pareciam importantes, mas não são.
Neste tempo precisei trocar a mochila, Maria (que batizei com o nome das minhas avós), porque ela cumpriu seu tempo; as roupas mudaram muito, até porque meu corpo mudou também. Meus cremes, livros, coisas no caminho...
Todo o tempo estou atenta ao que estou carregando.
Se não uso por muito tempo, logo me desfaço daquilo que me pesa sem utilidade. Coisas dos outros? Nem pensar. Coisas “que um dia podem ser úteis”? São descartadas de imediato.
Possibilidades de futuro, apegos ao passado... nada disso me convém carregar. Só o que cabe no agora.
Viver com uma mochila está me ensinando a viver.
E você, o que está carregando na sua mochila que não é seu?