25/02/2026
EMPATIA PRECISA
A empatia é uma característica altamente evoluída dos seres humanos e inclui pelo menos dois componentes distintos:
1 - Perspectiva cognitiva: ler a experiência interior aparente e a intenção dos outros em meio a sinais complexos e, às vezes, conflitantes.
2 - Resposta afetiva compartilhada: reconhecer e vivenciar, pelo menos em parte, a emoção da outra pessoa.
Algumas pessoas parecem ter um grande talento natural para entender o que outras pessoas estão pensando, sentindo e querendo dizer. Outras podem aprimorar suas habilidades por meios diversos. Assim como acontece com outros talentos, como a habilidade musical ou a destreza atlética, a empatia pode ser incrementada pelas experiências de vida ou pela prática intencional. A prática da terapia em si pode aumentar a capacidade de empatia dos profissionais.
No contexto de relações de ajuda, “empatia” tem um significado específico. Mais do que apenas um atributo ou experiência interior, trata-se de uma habilidade. Não é o mesmo que simpatia, sentir pena de alguém. A habilidade de empatia precisa não exige que se sinta o mesmo que a pessoa, concomitantemente. O sentimento concomitante pode acontecer, mas mesmo que aconteça, isso por si só não é particularmente útil para a outra pessoa.
Na verdade, o profissional em geral modera o afeto que expressa a fim de contrabalançar a excitação emocional do paciente. Tampouco é necessário que você tenha tido uma experiência semelhante no passado. Na verdade, se sua própria experiência faz você se identificar com a pessoa, isso pode na verdade interferir na empatia adequada. Ter uma experiência semelhante agora ou no passado não é necessário nem suficiente para que você ofereça uma empatia adequada. Por fim, não se trata apenas de assumir uma perspectiva (a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa e imaginar o que ela pode estar vivenciando), embora isso seja um pré-requisito para uma empatia adequada.
Um aspecto central dessa habilidade é buscar entender a perspectiva e a experiência do paciente. Terapeutas com baixa habilidade parecem prestar pouca ou nenhuma atenção à perspectiva do paciente. Aqueles com alta habilidade de empatia mostram uma compreensão profunda dos propósitos de um paciente, com frequência falando menos do que o paciente e refletindo sua compreensão de volta para ele. A empatia adequada é tanto uma habilidade observável como uma experiência ou atitude interna.
Referência:
Miller, W. R., & Moyers, T. B. (2021). Effective psychotherapists: Clinical skills that improve client outcomes. The Guilford Press.