10/09/2021
Quem somos nós sem curtidas na nossa foto?
Quem somos quando não estamos sob a luz do holofote?
Quem somos sem elogio?
Se não dissermos que fomos dormir tarde e acordamos cedo?
Se não fizermos tbt?
Se não mostrarmos que treinamos e comemos saudável?
Se não nos insinuarmos?
Ou nos divulgarmos?
Se não curtirmos uma foto que gostamos?
Ou estamos curtindo o outro pra ele nos enxergar?
E se ninguém reparar que limpamos a casa?
Que amamos e demos sem esperar nada em troca?
E se aquilo pelo que nos esmeramos nunca chegar?
Se o que merecemos nunca vier?
Se os aplausos por termos sido benévolos não acontecerem?
Ainda faríamos, genuinamente, tudo isso?
Nos sustentamos sozinhos se ninguém validar a nossa foto? O tanquinho? O decotão? O biquíni? O carão? O esforço? A nossa informação? Nosso conselho? Nossa refeição? Nossa roupa? Nossa opinião?
Machado de Assis, em O Espelho, já falava em 1882, que temos uma alma interna e uma externa. Voltados pra nós: nossos olhos e o olhar alheio.
Não se iluda em achar que deve ser só quem você acha que deve ser. Temos um papel social. O mundo espera algo de nós e, sinto muito, ainda que alegue que não, você também espera algo do mundo.
E está tudo bem!!
Você é humano!
E eu também!
No nosso mundo interior, o que precisamos é que não dependamos apenas dessas validações externas.
Mas, tão importante quanto, e sinto muitíssimo também, é saber como estamos nos posicionando, para garantir que, do lado externo, seja perceptível que somos responsáveis, confiáveis, e até livres (!!!).
Que não somos só um pedaço de carne nessa vitrine da internet, que irá se expor e também reivindicar que os outros valorizem quem nós somos.
Quem não quer que saibam que dominamos um assunto? Que gostaríamos mesmo de compartilhar que estávamos felizes naquela viagem? Que queremos gritar ao mundo, sedentos, nossa opinião?
Somos duas metades!
O olhar externo e o interno não se anulam! Se complementam!
Desconsiderar nosso papel no mundo é uma imensa abstração!
Lance-se na direção que realmente intenciona, e faça o seu melhor, mesmo sabendo que pode ser mal compreendido.
Mas, afinal, quem somos quando ninguém nos bajula?
Não é romântico. Mas é real.