05/04/2026
Durante muito tempo, nós fisioterapeutas orientamos pacientes com dor lombar a “ativarem o core” e “contraírem o transverso” em quase todos os exercícios e extrapolamos isso pra as atividades do dia a dia
No pilates.
No exercício.
Na caminhada.
Na hora de pegar peso.
Até para levantar da cadeira.
Mas será que isso faz sentido para todo paciente?
Muitos pacientes com dor lombar crônica já vivem em estado de proteção: mais rigidez, mais medo, mais hipervigilância e mais tensão muscular do que realmente precisam. Isso têm sido muito bem documentado pela ciência.
E aí o fisioterapeuta ou o instrutor de pilates reforça ainda mais essa ideia de que o corpo precisa estar “travado” para funcionar, só leva o paciente a entender que o corpo é frágil, que a coluna é instável e que ele precisa de algo pra sustentar.
O problema é que isso pode aumentar medo do movimento, insegurança e dependência de contração voluntária para fazer tarefas simples do dia a dia. Aumentando o risco de comportamentos mal adaptativos!
A ciência vem mostrando que talvez a gente precise revisar algumas dessas orientações.
Não porque contração abdominal seja sempre errada, mas porque ela não parece ser determinante para melhora da maioria dos pacientes com dor lombar.
Talvez o mais terapêutico não seja ensinar o paciente a contrair mais e sim ensinar ele a relaxar, respirar, confiar e se mover melhor. Isso é uma das ideias centrais dentro da abordagem da Terapia Cognitivo Funcional :)